Parque Natural da Costa Vicentina desvaloriza obras na praia do Telheiro

O Serviço de Proteção da Natureza e do Ambiente (SEPNA) já chegou a uma conclusão relativamente à queixa apresentada nesta instituição afeta à GNR, sobre um eventual crime ambiental em consequência dos os trabalhos efetuados junto do gemonumento da praia do Telheiro.

De acordo com a resposta emitida pelo Tenente Coronel Joaquim Delgado, datada de 28 de setembro, à qual o «barlavento» teve acesso, «das averiguações efetuadas foi possível apurar junto dos responsáveis do Instituto de Conservação da Natureza e das Florestas que os trabalhos realizados [na praia do Telheiro] não têm qualquer relevância para o Parque Natural do Sudoeste Alentejano e Costa Vicentina (PNSACV)».

O SEPNA adianta ainda que que apenas «será mediado junto da Câmara Municipal de Vila do Bispo a colocação de uma barreira física no início dos caminhos para impedir a circulação automóvel junto das falésias preservando-se assim a integridade física de pessoas e bens».

Na resposta, o tenente informa ainda que «o Serviço de Proteção da Natureza e do Ambiente da GNR através do Núcleo de Proteção Ambiental do Destacamento Territorial de Portimão deslocou-se ao local visado».

Tal como o «barlavento» noticiou no início do mês de setembro, o município de Vila do Bispo fez obras numa área protegida sem autorizações ou estudos de impacto ambiental.

Foi arrancada vegetação única disponível apenas neste local do mundo e acelerado o processo de erosão no perímetro junto ao «Geomonumento da praia do Telheiro», com centenas de milhões de anos, e o qual atrai especialistas e estudiosos de todo o mundo.

Em causa está um caminho descendente de 150 metros, sem proteções, numa falésia.

O «barlavento» esteve no local em agosto e verificou que existem carros a circular e estacionar a dois metros do precipício. A comunidade de cientistas, geólogos e amantes da natureza está revoltada e preocupada com a situação.

Contactados pelo «barlavento» o Parque Natural do Sudoeste Alentejano e Costa Vicentina (PNSACV) recusou-se a prestar declarações remetendo o assunto para a sede do departamento no Parque Natural da Ria Formosa (PNRF), o qual por sua vez, nos remeteu para os serviços centrais do ICNF.

O «barlavento» aguarda uma resposta do ICNF desde o dia 27 de agosto, sem sucesso, mas o mesmo parece já ter-se pronunciado junto do SEPNA, afirmando que «os trabalhos realizados não têm qualquer relevância».

Por outro lado, a redação também contactou por várias vezes a Câmara Municipal de Vila do Bispo, que remeteu a resposta para mais tarde, não tendo dado qualquer esclarecimento sobre o assunto até ao momento.

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