Reutilização de água é prioridade na nova ETAR da Companheira

Obras das Estações de Tratamento de Águas Residuais (ETAR) de Faro/Olhão e da Companheira, em Portimão, estão ambas a correr a bom ritmo.

São duas grandes datas na agenda da empresa Águas do Algarve: 7 de março e 24 de junho de 2018. A primeira Estação de Tratamento de Águas Residuais (ETAR) a estar terminada será a da Companheira, em Portimão, seguindo-se a de Faro/Olhão. Aliás, a infraestrutura portimonense, em fase mais adiantada de obra, trará uma novidade que foi anunciada durante uma visita técnica, na segunda-feira, 15 de maio, acompanhada por Carlos Martins, secretário de Estado do Ambiente. Tornará possível o reaproveitamento da água tratada, que representa um caudal diário de 47 mil metros cúbicos, para a rega.

A obra servirá os concelhos de Portimão, Monchique e Lagoa, num universo de 140 mil habitantes. «Ao tratar este volume, temos o equivalente para rejeitar. A reutilização é fundamental, tal como o deve ser em Faro», referiu Joaquim Peres, presidente do conselho de administração da Águas do Algarve.

Durante a visita técnica, Joaquim Castelão, vice-presidente da Câmara Municipal de Portimão, e João Rosa, diretor–geral da Empresa Municipal de Águas e Resíduos de Portimão (EMARP), não perderam a oportunidade de alertar para a importância de aproveitar este recurso.

O vice-presidente fez ver que tem sido «feito investimento no subsolo em termos de rede de rega», sendo que seria uma grande mais-valia. Já João Rosa lembrou que a recarga dos aquíferos é «um sonho antigo», sendo também importante para a agricultura de subsistência ou a rega dos campos de golfe. Por isso, lançou o desafio ao secretário de Estado de «normalizar esta questão» e «regulamentá-la». Ainda que tenha custos para o utilizador, não deverá ser «o tarifário normal, uma vez que as pessoas regam com água reutilizada», argumentou. Uma medida que será essencial, numa época em que cada vez há mais falta de água.

Aliás, ao «barlavento» Joaquim Peres explicou que, neste caso, «é importante perceber que essa água, para chegar até às pessoas, necessita de infraestruturas que custam dinheiro. O que é necessário pagar é a infraestrutura, não a água, porque essa nós íamos deitá-la fora», esclareceu. Inclusive garantiu que este volume «vai estar disponível de acordo com o que resultar dos projetos. Seja lavagem de ruas, recarga de aquíferos, alimentação de algumas linhas de água. Vamos estudar as opções em conjunto com a Câmara Municipal de Portimão», garantiu.

O governante Carlos Martins, que já presidiu a Águas do Algarve e conhece bem o projeto da ETAR da Companheira, concorda que esta medida será relevante, até devido às alterações climáticas. «Há historicamente no Algarve alguns campos de golfe que foram licenciados na perspetiva de utilizarem água [desta forma]. Penso que estas duas ETAR vão criar um panorama diferente», voltando «àquilo que foi a origem do licenciamento». É lógico que, após um investimento total de 30 milhões nas duas infraestruturas modernas, a água tratada passe a ter um destino nobre, acrescentou Carlos Martins.

Esta situação não estava prevista no início, mas o projeto foi adaptado, conforme sublinhou Joaquim Peres, neste e noutros casos. É exemplo a criação de um espaço para a secagem solar de lamas, a integração das descobertas arqueológicas (cavernas no maciço calcário cársico que indicam a presença do homem neanderthal), em que estes espaços ficam acessíveis para estudo valorizando a história, a utilização da pedra retirada durante a escavação para arruamentos.

Ainda que a obra corra a bom ritmo, houve um contratempo inicial, que através da colaboração da Câmara Municipal foi resolvido, pois houve algumas pessoas que, durante alguns dias, ficaram com menos água nos poços para rega. «Alteramos um pouco a sequência construtiva e foi possível repor rapidamente os níveis freáticos», assegurou Joaquim Peres.

As descobertas arqueológicas também provocaram alguma derrapagem temporal do projeto da ETAR da Companheira, mas graças ao esforço dos empreiteiros já foi recuperado. Já houve «um conjunto de equipamentos adquiridos, que já foram fornecidos, e que serão colocados quando necessário. Não vamos estar à espera», exemplificou.

Serão ainda desativadas «as atuais lagoas. Esta área vai ter duas utilizações. Uma é a secagem solar das lamas, que serão produzidas nesta empreitada, e a outra é um projeto de reabilitação urbana da Câmara Municipal», disse. Ao «barlavento» Joaquim Castelão adiantou que será desenvolvido um parque semelhante a um espaço de interpretação da fauna e flora.

Já em Faro, «a obra está a seguir o planeamento e estará concluída no dia de São João, em 2018. Está com um desenvolvimento correto» e «ganhamos algum tempo com a possibilidade de se trabalhar também entre 15 de março e 15 de julho», afirmou Joaquim Peres. No início, a empresa tinha dúvidas se a empreitada poderia estar condicionada entre estas datas devido à nidificação de aves, mas já constatou que não haverá impedimentos.

Essa estrutura em Faro/Olhão será mais pequena do que a de Portimão, «porque é uma ETAR inovadora», onde será «utilizado um outro sistema que já é uma evolução da Companheira. Permite num espaço mais pequeno fazer um tratamento maior, mais condensado e com poupança de energia», esclareceu o administrador. A verdade é que, mesmo com diferentes dimensões, ambas vão resolver problemas idênticos.

Durante esta visita, a comitiva deslocou-se ainda a Silves para assinar o protocolo Falanges, relacionado com o repovoamento píscicola da Ribeira de Odelouca, projeto da Águas do Algarve, com o Zoomarine e a Quercus.

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