Almargem questiona se aterro sanitário é «incineradora do Sotavento»

Esgotamento antes do prazo previsto, pedido de abertura de uma nova célula, incêndio de causas desconhecidas, tudo obriga a uma atenção redobrada sobre o Aterro Sanitário do Sotavento, alerta a associação ambientalista Almargem.

O Aterro Sanitário do Sotavento, situado no Vale do Zebro (na zona da Cortelha), «tinha previsto, aquando da sua inauguração no ano 2000, um prazo de vida útil de 20 anos. O aumento do volume de resíduos depositados, tudo indica devido, em parte, ao inesperado e recente aumento da percentagem de incorporação de resíduos recicláveis no lixo comum, levou ao seu esgotamento atual. Há duas semanas atrás, o município de Loulé acolheu com certas reservas a proposta da ALGAR para avançar com a abertura de uma terceira célula, alegando que algumas das medidas de compensação dos impactos ambientais e sociais deste empreendimento ainda não se haviam concretizado», alertou hoje, sexta-feira, 30 de junho, a associação ambientalista Almargem, em nota enviada à imprensa.

Entretanto, no fim de semana passado, o Aterro foi alvo de um incêndio de origem interna, «cujas causas permanecem desconhecidas, provocando obviamente um súbito aumento da sua capacidade, embora com afetação grave das condições de segurança e operacionalidade, incluindo a emissão de gases tóxicos, a destruição das telas de impermeabilização e do sistema de recolha de biogás».

Perante estes factos, a Almargem exige «a elaboração urgente de um relatório independente (e não da ALGAR) que indique as verdadeiras causas do incêndio ocorrido no Aterro Sanitário do Sotavento e as respectivas consequências sobre a sua funcionalidade a curto prazo; a constituição de uma comissão de avaliação ao trabalho desenvolvido nos últimos anos pela ALGAR e outras entidades no que respeita essencialmente à sensibilização contínua dos cidadãos para a separação de resíduos e ao seu efetivo encaminhamento para as fileiras de reciclagem».

Por fim, a associação ambientalista com sede em Loulé quer ver «uma reanálise aprofundada dos impactos do Aterro ao longo dos seus já 17 anos de vida, nomeadamente sobre as localidades incluídas nas principais vias de acesso, sobre as povoações mais próximas (Vale Maria Dias, Cortelha), e sobre os ecossistemas circundantes, em particular o Rio Vascão».

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