Reabertura do Café Calcinha dá novo impulso cultural a Loulé

90 anos após a sua abertura, o Café Calcinha inaugura uma nova etapa. Abre com imagem renovada e a mesma atmosfera original. Mais do que um café, pastelaria ou cervejaria, a nova gerência quer afirmar este espaço enquanto polo dinamizador da cultura louletana
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O histórico Café Calcinha, no coração da cidade de Loulé, voltou a abrir ao público na sexta-feira dia 14 de julho, após mais de um ano de intervenções. No total foram investidos 400 mil euros para dar nova vida ao espaço, cuja aquisição custou ao município 280 mil euros, mais 120 mil em obras de remodelação. O local mantém a sua traça e mobiliário originais, de acordo com o estilo que estava na moda do início do século XX.

«Com esta reabertura há uma mudança na cidade de Loulé, pois há uma alteração numa peça da sua identidade e alma. Os louletanos que amam esta terra tal como eu sentiam a falta deste local. Hoje o Café Calcinha abre com todo o seu esplendor, recuperado, lindíssimo e com uma atmosfera fantástica. Neste momento, sou autarca e cidadão felicíssimo», referiu Vítor Aleixo na ocasião. As obras demoraram «mais de um ano» porque houve «trabalhos arqueológicos a serem desenvolvidos neste espaço» o que atrasou o prazo previsto para a conclusão.

O Café Calcinha, que é propriedade da autarquia, foi concessionado a um «consórcio de três empresários, jovens e locais, com boas referências» e que Aleixo garante ter «a certeza que vão dignificar muito a sua memória e dar um contributo muito importante para a reanimação urbana desta cidade, pois este será um polo dinamizador da cultura».

Bruno Inácio, João Apolónia e Tiago Soares, são os três louletanos no comando da gestão do histórico café. Ligados às áreas da comunicação, tecnologia e restauração, Bruno Inácio confidenciou ao «barlavento» que «nunca nos juntaríamos para abrir um café em circunstâncias normais, mas o Calcinha é um desafio diferente… Carrega em si toda uma história ligada a esta cidade pela qual somos totalmente apaixonados».
Ao todo concorreram cinco consórcios, mas o trio foi o vencedor por ter apresentado na candidatura três aspetos «diferenciadores»: o «preço da renda, a audácia do projeto e o programa cultural». «Apresentámos um projeto que assenta em estar em pré-abertura até ao mês de setembro, sendo que após essa data o espaço funcionará também como restaurante, servindo para almoços e jantares». A ideia é ir «aumentando a oferta» até ao final do verão, pois até lá «precisamos de sentir a cidade». Entretanto, o Café Calcinha funciona enquanto cafetaria, pastelaria e cervejaria.

A partir de setembro, as refeições disponibilizadas contarão com um menu «atualizado por um curador para cada estação, isto é, uma figura da gastronomia local que nos vai ajudar a escolher os pratos consoante a época». Os pratos, assegura, serão «tradicionais, mas com um toque contemporâneo».

«Em termos culturais e porque este café será uma casa de cultura, teremos um vasto programa com iniciativas sobre a vida e obra de António Aleixo que está intimamente ligado ao Café Calcinha, como conferências e leituras partilhadas, e iremos ainda, explicar quem foi António Aleixo ao público estrangeiro. Paralelamente, vamos dinamizar tertúlias, inicialmente com ordens profissionais, como advogados, engenheiros e jornalistas, porque queremos chamar as pessoas aqui num determinado momento para poderem conviver. Este sempre foi um espaço de grande tertúlia e queremos voltar a potenciar este formato. Queremos que voltem a frequentar este espaço até porque aqui nasceram muitos projetos», evidencia.

O Café Calcinha integra a «Rota dos Cafés de Portugal com História» e ao longo das décadas e no decurso da sua história muitos foram os nomes importantes da vila que o frequentaram. O que mais se destacou foi o do poeta António Aleixo, avô do atual autarca Vítor Aleixo, que inclusive ganhou no exterior do café, em 1996, uma escultura em bronze em sua honra. Em relação ao horário de funcionamento, estará aberto de terça-feira a domingo, entre as 8 horas e a meia-noite.

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