«Moça» farense já apaixona fãs das cervejas artesanais

É «uma cerveja para gente atrevida que não tem medo de provar novos sabores», garante o casal Pedro Alves e Vera Borges, criador da «Moça». A primeira produção rondou os 400 litros, mesmo a tempo da estreia no «Alameda Beer Fest», no sábado, 2 de julho, em Faro.

Terminado o evento, vai estar à venda na cervejaria Bohéme, na baixa da cidade, dos mesmos proprietários do restaurante Vila Adentro, onde nasceu a ideia. «Vendo a curiosidade e a adesão das pessoas e, sobretudo, o facto de haver em Faro um edifício conhecido por fábrica da cerveja, embora nunca se tenha lá produzido» uma gota desta bebida, «porque não fazer a primeira cerveja de Faro?».

«Isto resulta de uma candidatura ao programa Portugal 2020 no âmbito dos produtos regionais», sendo a laranja um dos principais ingredientes.

«Um dos parceiros que trabalha connosco disponibilizou-se para fabricar a nossa receita», embora o objetivo do casal «é enveredar pela produção». Para isso será submetida uma segunda candidatura. A ideia é que a nova unidade fabril seja visitável e aberta ao público, «aproveitando o potencial turístico que Faro cada vez mais está a desenvolver», refere.

Já houve tentativas anteriores, como o Fábrica do Inglês, em Silves e até mesmo o «Ministério da Cerveja» em Faro que não singraram. «Talvez a visão e o conceito estivessem certos, mas poderá a altura não tenha sido a mais apropriada», considera, já que a procura e a oferta de cerveja artesanal ainda é um fenómeno muito recente em Portugal, mas em plena expansão. No futuro, o casal ambiciona distribuir a «Moça» um pouco por todo o país.

Além da receita «tradicional algarvia, queríamos um nome que não fosse brejeiro». Para já a «Moça» loura tem 5,1 por cento de álcool. «Por ser uma cerveja de trigo frutado, com muito pouco lúpulo, e sabor acentuado a laranja, acaba por ser muito leve».

Na calha está uma «Moça» ruiva e uma preta. «Será uma stout mais forte, indicada para o outono» e, se tudo correr bem durante os testes, a intenção é usar aguardente de medronho na composição.

Por fim, outro aspeto interessante é que o marketing vai explorar «as lendas das mouras encantadas associadas à cidade e à zona história de Faro. Uma moça loura em garrafa custa 3,50 e também estará disponível em pressão (imperial).

Gastronomia, história e um misterioso túnel

Pedro Alves e Vera Borges são os responsáveis pelo restaurante Vila Adentro, inaugurado em outubro de 2014 no coração do centro histórico de Faro. Na altura, embora inexperientes na restauração, lançaram-se na aventura de valorizar o património, cultura e gastronomia local. O edifício remota ao século XV e esconde um túnel subterrâneo.

Segundo Pedro Alves, «se hoje não estivesse parcialmente obstruído por um abatimento, em teoria, iria dar para lá das antigas muralhas da cidade, até às portas do mar. Servia para verificar as marés, o que fazia parte da estratégia militar na época».

O historiador e professor Francisco Lameira, da Universidade do Algarve, confirmou que «a data do túnel é anterior a 1249». Em tempos, o edifício albergou uma galeria de arte e a fábrica de azulejos «Constância».

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