Holandeses apostam no turismo de saúde de longa duração

«A população sénior dos países do norte da Europa está a aumentar, esperando-se que atinja os 25 por cento, em 2020. O potencial para o Algarve é enorme e é necessário aproveitá-lo». Quem o diz é Margaret Krijnen, uma holandesa que começou a vir de férias para Portimão, com sete anos de idade. Adorou a cidade e as suas gentes e prometeu que, um dia, viria viver aqui. Há cinco anos, adulta e com dois filhos, que frequentam escolas portuguesas, aqui fixou residência e promove a região como destino ideal de férias para idosos e pessoas com problemas de saúde. Através da empresa holandesa Sana Vida, gerida por si, no Algarve, e pelo sócio Erik Vermig, na Holanda, tem promovido a vinda de uma média de 200 pessoas por ano, com estadias que duram, em média, um mês, entre setembro e maio.

«O serviço de apoio à saúde está muito bem organizado nos Países Baixos. Mas é caro e impessoal. Os trabalhadores são pagos à hora e cada um só executa uma tarefa específica: por exemplo, cuidados de higiene ou mudança de ligaduras e pensos. Ninguém presta a atenção afetiva de que os utentes tanto necessitam», disse ao «barlavento». E acrescentou que o Serviço Nacional de Saúde (SNS) holandês e as seguradoras procuram alternativas fiáveis e mais acessíveis. O Algarve reúne todas as condições para desenvolver este tipo de serviço, porque «Portugal não é caro para os holandeses. Aqui, os enfermeiros e auxiliares são maravilhosos, porque dão aos nossos clientes o calor humano por que tanto anseiam. Levam menos tempo a fazer as tarefas do que os congéneres holandeses, mas prestam muito mais atenção ao lado humano, são atenciosos e as pessoas sentem e apreciam esse tratamento. Além disso, beneficiam de um excelente clima, no inverno, ideal para quem sofre de doenças como a asma, o reumatismo, ou a artroses. Tudo isto proporciona grande qualidade de vida», elogia Margaret Krijnen.

As seguradoras holandesas também estão interessadas em enviar doentes para recuperação, nas chamadas «férias de saúde», acompanhados por enfermeiros holandeses, que serão complementados por profissionais portugueses. Margaret Krijnen quer ir mais longe e tem efetuado contactos com seguradoras na Alemanha e Inglaterra que mostram interesse em participar neste modelo de turismo de saúde para seniores. «Em Portugal fala-se muito de turismo de saúde, mas muitas vezes, não passa de conversa. As entidades oficiais continuam a colocar a maior fatia da promoção no sol, praia e golfe, com uma tímida investida na natureza e na saúde. Penso que temos tudo o que é necessário para conquistar também esta fatia de mercado, que já possui uma apetência natural pelo Algarve», compara.

A Sana Vida contrata o alojamento com várias unidades hoteleiras, de várias categorias e preços, de acordo com o tipo de financiamento que é concedido a cada utente. O projeto arrancou em Armação de Pêra, mudou-se para Carvoeiro e, neste momento, segundo Margaret, «o investidor holandês Erik de Vlieger abraçou a iniciativa e propôs-se construir, em Ferragudo, um aparthotel direcionado à faixa média-alta deste mercado de saúde sénior. Mas não vou descansar, enquanto não encontrar condições para colocar este segmento de mercado naquele que considero o local ideal: na zona histórica de Portimão, logo que se inicie a sua regeneração urbana», garante. A terminar, Krijnen diz que este tipo de clientes tem tendência a fidelizar-se. Ou seja, a regressar às mesmas casas, ou apartamentos, ano após ano, porque acabam por adotar os ambientes que se tornam familiares e onde se sentem «em casa».

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