ACRAL quer ser mais ouvida e marcar agenda regional

Álvaro Viegas, presidente da Associação do Comércio e Serviços da Região do Algarve (ACRAL), explica o porquê do ciclo de conferências «Algarve 21».

«Do meu ponto de vista, nós temos dirigentes, sejam eles políticos ou associativos, muito low profile», considera Álvaro Viegas, presidente da Associação do Comércio e Serviços da Região do Algarve (ACRAL), em entrevista ao «barlavento».

«Já tivemos, no passado, gostando ou não, simpatizando ou não, dirigentes que tinham algum peso e alguma força. Temos de ter algum cuidado, porque a região é pequena. Temos 400 mil habitantes. É verdade que contribuimos em muito para o PIB do país, através do turismo. Mas temos de nos fazer ouvir mais. E faltam-nos dirigentes de peso. Aliás, basta perguntar ao cidadão comum se é capaz de elencar quem são os nossos nove deputados», desafia.

«Temos a Assembleia Geral da Região de Turismo, mas acredite que são poucos os presidentes de Câmara que vão» às reuniões. «Temos a AMAL-CI, mas precisamos de um órgão onde estejam os autarcas, os diretores regionais, o presidente da CCDR, as associações empresariais, culturais, ambientais, os sindicatos e onde todas estas entidades possam estar. Não existe. E, portanto, continua cada uma a falar por si. E isso enfraquece o Algarve, porque a voz nunca é única», considera.

«O poder está muito polizado, tem muitos polos, muito locais, com as 16 autarquias cada uma a puxar por si. Tirando a questão da exploração do petróleo, que uniu a região, é difícil encontrar outras questões de consenso. E, portanto, era necessário que houvesse um fórum onde todos pudessem encontrar-se».

Por isso, «a ACRAL quer ser um parceiro e ter intervenção política (não partidária). Vamos querer marcar a agenda com três conferências, uma sobre economia, outra sobre regionalização e outra sobre a saúde, que é um dos temas que deve preocupar o Algarve», em novembro, sempre no Teatro Lethes, em Faro.

Para já, avança o debate sobre «Economia e Desenvolvimento Regional», com Rui Rio e Álvaro Beleza, oradores escolhidos com «a preocupação de não ir buscar pessoas que estão no governo, porque depois, forçadamente teríamos de ir buscar alguém da oposição, com a ACRAL no meio, quase que a mediar o debate político. Não é isso que pretendemos. O Rui Rio e Álvaro Beleza são pessoas de quadrantes políticos diferentes, toda a gente sabe quais são os partidos deles, mas não estão no ativo. Não têm cargos governamentais, estão fora da vida política ativa».

O debate será moderado pelo diretor geral da Megafin/Jornal Económico, Vítor Norinha. Estão convidados também vários responsáveis regionais, que farão as suas intervenções e haverá um espaço para o público comentar e colocar perguntas.

O próximo evento abordará o tema da regionalização. Álvaro Viegas quer convidar Miguel de Sousa Tavares que «tem uma visão muito crítica sobre muita coisa que se tem passado no Algarve» e Rui Moreira, presidente da Câmara Municipal do Porto. A participação é livre, mas sujeita a inscrição aqui.

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