Turma de Gestão noturna da UAlg colabora com a Águas do Algarve

Uma parte sensível da nova campanha de sensibilização da empresa está a ser criada pelos alunos do Curso de Gestão, regime noturno, da Universidade do Algarve (UAlg). Será dirigida aos clientes da restauração e da hotelaria em quatro concelhos, durante quatro meses.

Em breve, a Águas do Algarve vai lançar uma nova campanha de sensibilização para a qualidade da água da torneira da região. Mas desta vez há uma novidade. A turma do 3º ano do Curso de Gestão, regime noturno, da Escola Superior de Gestão, Hotelaria e Turismo da Universidade do Algarve (UAlg), vai conceber uma parte importante da iniciativa, no âmbito da disciplina de Marketing Operacional, uma cadeira de aplicação prática.

«É como se fosse um serviço de consultadoria. Há necessidade de avaliar os alunos através de um trabalho e, portanto, porque não aproveitarmos um caso real? Mais vale fazer algo que nos pode dar conhecimento e notoriedade e, sobretudo, uma oportunidade de pôr as nossas competências todas concentradas num objetivo comum», explicou ao «barlavento» Paulo Evangelista, docente convidado da UAlg, no sábado, 8 de abril, durante a visita da turma à Estação de Tratamento de Águas (ETA) de Tavira. O desafio não é fácil. Os alunos terão que desenvolver a forma de passar uma mensagem simples e direta a dois segmentos-alvo: os clientes da restauração e os clientes da hotelaria.

«É um processo que se vai iniciar em maio e junho, e que terminará em outubro. Será uma campanha longa que visa alterar o comportamento dos consumidores e a ideia que têm sobre a água da torneira da região», explicou o professor. Esta vertente irá decorrer em Faro, Loulé, São Brás de Alportel e Olhão. Poderá ser replicada nos restantes concelhos, no futuro. A campanha encerrará com uma gala, prevista para 1 de outubro, Dia Nacional da Água.

Segundo Paulo Evangelista, tem havido uma grande entrega por parte dos alunos, que estão a trabalhar neste projeto desde o início do segundo semestre (fevereiro). «A campanha tem-nos obrigado a pensar, a criar, a inovar, e fazer muita pesquisa. Já assisti noutras universidades à apresentação de vários trabalhos congéneres, voltados para o mercado de trabalho, e vejo-os sempre pouco objetivos. Ou seja, muito académicos e pouco reais. A minha experiência diz-me que isto que estamos a desenvolver pode ser algo diferenciador. E é uma forma de aproximar a UAlg às entidades que têm responsabilidades locais», sublinhou.

Na opinião de Paulo Evangelista, o facto dos alunos serem trabalhadores–estudantes, já inseridos no mercado de trabalho, é uma mais-valia. «Esta é uma situação da vida real, vai exigir aos estudantes o uso de todas as suas competências. Temos no grupo de trabalho pessoas muito dinâmicas, com conhecimentos informáticos, da área da contabilidade, da gestão, da auditoria, da área dos serviços públicos. Estamos a conciliar todos estes interesses num propósito comum», concluiu.

Durante a visita à ETA de Tavira, Teresa Fernandes, responsável pela Comunicação e Educação Ambiental da Águas do Algarve, explicou à turma que, apesar de «a nossa água da torneira ser certificada, o que atesta a sua elevada qualidade, persiste alguma dificuldade em mostrar ao consumidor que esta é uma opção mais completa do que a água engarrafada».

«Veja-se que num passado muito recente, até 1995, o abastecimento público era efetuado diretamente pelos municípios. Era assegurado por furos, com níveis de tratamento insuficientes. Havia uma sobre-exploração dos aquíferos que levou a que a água subterrânea tivesse menor qualidade, inclusive com níveis elevados de salinidade. Também o controlo efetuado à qualidade era precário, entre vários outros fatores. Chegámos a ter informação para evitar beber água diretamente da torneira. Hoje, passámos do 8 para o 80, e talvez por isso as pessoas ainda tenham algumas dúvidas nesta mudança tão expressiva», explicou. Desde 2007, «temos a certificação do produto – água para consumo humano, o que coloca a qualidade muito além do legislado», esclareceu.

Apesar de reconhecer que já há alguma mudança nas mentalidades, sobretudo nas gerações mais jovens, Teresa Fernandes considera que ainda há resistência na hotelaria e restauração. «Talvez por motivos económicos. Queremos também por isso, e nestes setores, acabar com os mitos. Desta forma, foi de bom grado que acatámos a proposta da vossa turma para se juntar à Águas do Algarve neste objetivo, com ideias diferentes, mentalidade novas, e com uma visão do lado do consumidor», concluiu.

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