Túnel de 15 milhões terminará com cheias em Albufeira

Implementar o Plano de Drenagem de Albufeira poderá custar entre 30 e 40 milhões de euros. Carlos Silva e Sousa garante que não será por falta de dinheiro que a obra não se fará.

Carlos Silva e Sousa, presidente da Câmara Municipal de Albufeira, reforçou que a obra avançará assim que o Plano de Drenagem esteja concluído, não sendo a falta de dinheiro um problema. O fantasma das inundações no Dia de Todos os Santos, no ano passado, que causaram graves prejuízos a comerciantes e à população continua presente na memória de todos.

Por isso, o salão nobre da Câmara Municipal de Albufeira esteve cheio para a apresentação do primeiro rascunho do Plano de Drenagem, elaborado pela equipa liderada por José Saldanha Matos, professor catedrático do Instituto Superior Técnico.

«A grande obra de construção de um túnel, que desvie a ribeira de Albufeira [para o mar] e liberte todas as zonas baixas da contribuição desses afluentes, é uma obra que não resolve o problema todo do concelho, mas resolve 70 por cento. Está incluída como prioritária», revelou José Saldanha Matos. Só essa intervenção custará cerca de 15 milhões de euros e deverá ser feita em dois ou dois anos e meio.

Esta será a medida principal do Plano, havendo porém outras soluções complementares. É o caso de «coletores de meia encosta, uma estação de bombagem na Rua Cândido dos Reis, porque essa zona baixa vai ter sempre alguns problemas», e um mini-túnel, que permita desviar os caudais, na zona do INATEL, explicou ainda José Saldanha Matos. O total da empreitada ascenderá aos 30 ou 40 milhões de euros, ainda que o plano não esteja fechado por completo.

«Estou a pensar em investimentos, com toda a franqueza, para cem anos, em que se diz, isto já não é para o século XXI, mas para o XXII», justificou o responsável.

O plano poderá ser adaptado conforme a informação que for angariada. Da lista de recomendações iniciais, fazem parte «o aumento de conhecimento do sistema, com a colocação de udómetros, para medir a precipitação na bacia, medir alturas de água em continuo, em secções estratégicas da ribeira de Albufeira e dos coletores, e medir caudais», enumerou. Esses dados recolhidos durante quatro ou cinco anos levam a que seja possível organizar um conjunto de registos para tomar «melhores decisões no futuro», adiantou.

«Há obras muito prioritárias, que devem ser feitas de imediato. Depois com a continuação vai-se implementando, enquanto, ao mesmo tempo, temos uma informação baseada na realidade» que contribuirá para a evolução do plano, acrescentou. Ou seja, há medidas a tomar a curto prazo, entre 2017 e 2020, em todo o território, havendo depois outras que a um prazo de quinze anos, até 2030 são intervenções complementares.

Do total estipulado para avançar com o plano, dois terços serão para aplicar nos primeiros cinco anos. «A Câmara Municipal de Albufeira, em termos financeiros, está preparada para corresponder às necessidades de investimento. Não vai ser por falta de dinheiro, que as obras vão deixar de ser feitas. Além dessa capacidade financeira, temos capacidade de endividamento», assegurou Carlos Silva e Sousa.

No entanto, a intenção do autarca é que as finanças locais sejam o menos possível sobrecarregadas, por isso a Câmara irá socorrer-se de todas as linhas de financiamento disponíveis, quer do Estado Central, quer através de Fundos Europeus.

A certeza é que assim que os planos estejam concluídos, os concursos de carácter internacional avançam e, de imediato, as máquinas começam a trabalhar.

«Posso começar o túnel amanhã, se estiverem feitos os estudos. Tivemos dois representantes do LNEC [na apresentação], que vão também dar uma ajuda preciosa na determinação do que está lá em baixo, através de sondagens, para que não haja surpresas na execução e não disparem os preços», adiantou ainda Carlos Silva e Sousa.

Apesar da urgência, existem prazos a seguir para que o processo continue. «Temos estado a seguir um calendário e espero que durante 2017 seja possível lançar o concurso», esclareceu.

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