Teatro das Figuras renova imagem gráfica e aposta em «projetos artisticamente mais arriscados»

Agenda com nova imagem, melhorias na infraestrutura e propostas culturais alternativas são as novidades para o primeiro quadrimestre de 2018. Em fevereiro, o equipamento cultural farense acolhe Camané , Glenn Miller Orchestra, Sara Tavares e Richard Galliano com Gonçalo Pescada.

O movimento «Pop Art» é a matriz inspiradora da nova imagem gráfica «mais ousada e visualmente estimulante» da principal sala de espetáculos de Faro. «É uma comunicação audaz e atual que procura relacionar-se com um público mais jovem», explicou Gil Silva, diretor-delegado do Teatro das Figuras, na sessão de apresentação, na quarta-feira, dia 24 de janeiro. Fazendo uma contabilidade rápida, em «2017 batemos o nosso recorde de espetadores, com um total de 48419, em 117 espetáculos apresentados em 146 sessões, ou seja, em média por semana tivemos 2,5 espetáculos, o que diz bem do dinamismo e vivacidade deste espaço», referiu.

«Continuamos a apostar em espetáculos cujo risco é suportado pelas companhias e produtoras que acolhemos, sendo que 56 por cento foram apresentados na modalidade de partilha de bilheteira», resumiu. Este ano, o equipamento terá um orçamento que ultrapassa 850 mil euros, que além da programação, servirá para melhorias na infraestrutura física.

Paulo Santos, vice-presidente da Câmara de Faro, também presente na sessão, explicou que ao longo dos últimos dois anos têm sido feitos investimentos em melhorar os equipamentos de luz e som. Agora está na altura de melhorar os acessos de serviço, e área frontal do Teatro que denota alguma degradação no pavimento. Na fachada lateral o ecrã gigante foi retirado «por estar em fim de vida», estando agora em estudo a possibilidade de ser substituído por outro, ou pela solução tradicional das telas.

Segundo Gil Silva, ao longo dos últimos anos, a programação tem sido «multidisciplinar e eclética, de modo a abranger diferentes áreas artísticas e diferentes públicos, cumprindo o papel de dinamizador e polo cultural de excelência da região».

Este ano será inovadora, com «uma nova dinâmica, projetos artisticamente mais arriscados e apostas na criação local com vista a dar visibilidade e sustentabilidade às companhias e produtoras locais», embora, «sem descurar a oferta mais main stream».

Uma novidade é que «decidiu-se programar a quatro meses em vez da programação bimensal existente. Esta alteração pretende dar maior sustentabilidade à programação, numa lógica de continuidade e para que o nosso potencial público consiga programar com maior antecedência as suas opções culturais», referiu.

Paulo Santos, Rogério Bacalhau e Gil Silva.

Assim, no primeiro quadrimestre «destacamos desde logo três ciclos programáticos, sendo que dois deles irão acontecer ao longo de todo o ano».

O primeiro é o ciclo «Às Quintas no Teatro», que irá mostrar «espetáculos mais alternativos nas diferentes áreas artísticas».

O ciclo começa no dia 1 de fevereiro com o espetáculo Dança de Francisco Campos, com Leonor Keil, Francisco Campos e João de Brito numa coprodução entre o projeto Ruínas e a companhia farense LAMA.

Continua em março com o espetáculo de dança contemporânea Unbounded, que «explora através da dança a questão da criação da identidade». Além da apresentação para o público, haverá uma especial para o público escolar. No mês seguinte, será a vez da ópera baseada no poema de Fernando Pessoa, «Tabacaria», numa encenação de Alexandre Lyra Leite, com música de Luís Soldado e direção musical do maestro Rui Pinheiro. «Esta ópera tem a particularidade de ter como intérprete principal Rui Baeta, outro artista farense», revelou Gil Silva.

O segundo ciclo, também a acontecer ao longo de todo o ano será o «Porto em Faro», que trará à capital algarvia «companhias e produtoras da cidade do Porto que têm um trabalho cada vez mais reconhecido a nível nacional e algumas delas mesmo a nível internacional».

São exemplo, a companhia Circolando (dia 24), com a peça «Climas», e em abril mais duas propostas, «A Tecedeira que Lia Zola» do Teatro Experimental do Porto, numa encenação de Gonçalo Amorim e o bailado «A Ballet Story» do coreógrafo Vítor Hugo Pontes.

O terceiro ciclo é já uma continuidade de anos anteriores. Trata-se de «Noites do Sofá», em que «transformamos o nosso palco numa sala de estar, criando uma atmosfera muito peculiar de simbiose entre artistas, público e o próprio espaço envolvente».

Começa no dia 1 de março com um projeto local, «Riding a Meteor», um concerto ao vivo do qual resultará a gravação de um CD.

No dia 2 de março será a vez do o projeto «Harmonies», uma reinterpretação da obra de Eric Satie, por Joana Gama, Luís Fernandes e Ricardo Jacinto e a fechar o ciclo a banda «Six Organs of Admittance», projeto do guitarrista americano Ben Chasny que virá apresentar o seu último álbum.

Ainda no mês março, acontecerá o Festival Internacional de Guitarra, uma parceria entre a Associação de Guitarra do Algarve e o Teatro das Figuras. O mês encerra com a apresentação de «O Último Dia de um Condenado», uma peça com Virgílio Castelo sobre o último condenado à pena de morte em Portugal, e por fim, um concerto com Rui Veloso .

Em abril, «destacamos um projeto musical de funk brasileiro de uma artista muito especial Liniker e os Caramelows. Teremos ainda o regresso dos Commedia à la Carte e finalizamos o mês com a fadista Raquel Tavares que apresenta o seu último álbum de tributo a Roberto Carlos», referiu ainda Gil Silva.

No âmbito da programação do Serviço Educativo, «apresentaremos coproduções com companhias locais, bem como oficinas que têm tido enorme sucesso. Neste trimestre «Daqui vê – se Melhor», uma peça que aborda a história do Teatro, e a peça de dança «O Homem que só pensava em Números», uma abordagem à dança numa perspetiva matemática.

Por fim, regressa o ciclo «Ideias em Palco» comissariado pelo professor João Guerreiro, «tendo a particularidade de este ano, alguns dos grandes temas da atualidade serem apresentados por mulheres, assim como a continuação do ciclo de tertúlias No Teatro às 6 sempre com um convidado ligado às artes de palco e sempre à mesma hora».

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