Sultana substitui ex-restaurante Camané na Praia de Faro

Novo restaurante nasce das cinzas do icónico espaço farense encerrado há vários anos. Proprietária avança com uma oferta vegetariana inspirada na tradição algarvia, de produtos regionais ainda pouco explorados e frutos da Ria Formosa.
Emma Clapham Reis é a cara do novo restaurante Sultana na Praia de Faro.

No balcão principal, 42 azulejos pigmentados de vermelhos ocres, verdes-esmeralda, azuis marinhos espelham, de alguma forma, as várias cores e tons da Ria Formosa, ao longo do dia e das estações do ano. Espelham também a visão de Emma Clapham Reis, 44 anos, empresária, em romper com os clichés do costume no que toca a estabelecimentos ribeirinhos. Do velho restaurante Camané, agora reabilitado, surge um projeto de recuperação de um espaço icónico de Faro, «muito à semelhança da recuperação na natureza da emblemática ave (Porphyrio porphyrio) que serviu de inspiração ao nome Sultana, e que esteve em vias de desaparecer», metaforiza.

As obras ainda estão em curso, mas o objetivo é abrir portas em agosto. «Faço questão que seja um projeto que transmita a cultura algarvia, e de forma mais abrangente, a cultura nacional. Isso passará pelo uso de ingredientes que são tradicionais da região, mas que nem sempre foram aplicados na nossa gastronomia. Estamos a falar de certo tipo de plantas e de frutos, que não têm tido uma aplicação mais alargada. Fazem um pouco parte do segredo da ementa, mas posso dizer que muitos são da Ria Formosa, e de origem não-animal. Aliás, vamos ter um enfoque grande em explorar plantas comestíveis da região», adianta.

Emma Clapham Reis está a trabalhar no projeto desde dezembro de 2017 e tem contado com a colaboração, desde o início, da chef Josefina Cardeza com quem está a consolidar o conceito gastronómico. O mau tempo do último inverno atrasou um pouco os trabalhos. Apesar de não ser natural de Faro, considera-se farense e não esconde a afetividade que tem para com este espaço. «Eu nasci no condado de Devon, no sul de Inglaterra, numa falésia por cima do Canal da Mancha, sempre com o mar por perto. Mas vivi esta praia desde criança, como todos os farenses. Mais tarde, conheci o meu marido na Universidade do Algarve. Ele tem uma grande paixão por toda esta zona. Viveu cá os tempos de estudante e até foi ele que descobriu que o restaurante Camané estava à venda», conta ao «barlavento».

Aspeto do novo deck de madeira. As obras ainda estão a decorrer, mas o objetivo é abrir em agosto.

O empresário de informática João Reis, «ficou entusiasmado» com a ideia de recuperar o imóvel. «Este era um sítio que conhecíamos e que para nós é simbólico. Decidimos comprar, apesar de não termos vida no Algarve», recorda. Quando o casal o adquiriu, já estava encerrado há três anos. Uma parte interessante e que tem a ver com a filosofia ambientalista de Emma. É que o mobiliário original está a ser restaurado e, em breve, terá nova vida, num espaço novo, mas onde sempre esteve.

Embora não queira adiantar números, a empresária admite que se trata de um investimento considerável. Deverá criar entre 10 a 15 postos de trabalho e o objetivo é manter a porta aberta durante todo ano. Todas as entidades oficiais envolvidas no licenciamento têm sido adjuvantes, admite.

Em termos de posicionamento de mercado, o Sultana será «elegante, mas despretensioso e inclusivo». Destina-se a um segmento médio/ alto, «embora não seja proibitivo. Queremos ser um projeto com viabilidade económica, mas a otimização do lucro não é a principal premissa», garante.

Ainda em termos operacionais, «será um restaurante de mesa posta. A cozinha vai estar aberta durante todo o dia, do meio-dia às 23 horas, com uma ementa de refeições e outra de petiscos. Queremos dar a liberdade às pessoas de não estarem sujeitas a horários no verão», época de férias e descanso. Em relação à inauguração oficial, Emma Clapham Reis remete para a segunda quinzena de setembro, altura em que o funcionamento estará mais afinado. «Vamos aproveitar o final da época para lançar a marca, no rescaldo do verão e na transição para o outono», prevê.

Conceito aposta na oferta vegetariana e na Ria Formosa

A empresária Emma Clapham Reis, 44 anos, é a mentora do projeto Sultana, restaurante que vem ocupar o espaço do antigo Camané. À semelhança do antecessor, a ideia é criar uma nova referência gastronómica na Praia de Faro. Embora não se tratando de um restaurante exclusivamente vegetariano, esta será, no entanto, uma das apostas fortes da ementa. «Vai ter uma grande componente vegetariana, mas também peixe e marisco e uma reduzida oferta de carne. Eu própria tenho preferência por uma opção vegetariana e acho que do ponto de vista da proteção ambiental faz sentido reduzir o consumo de produtos de origem animal. É mais uma questão ecológica do que filosófica», sublinha. Outra baliza é «o respeito pela identidade algarvia. Vamos promover tudo o que a região tem de bom para que quem visite o restaurante possa ter uma experiência local e perceber o que é o Algarve. Sobretudo aquilo que é da Ria e da sua envolvente». A proprietária garante que o Sultana «seguirá todas as alternativas ao plástico. Até a gestão das operações terá sempre em conta o menor consumo de recursos, para uma pegada ecológica mais positiva».

Vista para a Ria Formosa.

Praia de Faro pode ser sítio de excelência

Emma Clapham Reis, que está a criar um novo restaurante no lugar do antigo Camané, acredita que este é um bom local para se investir. «Acho que a Praia de Faro tem todo o potencial para ser um sítio de excelência. A paisagem magnífica que oferece a Ria Formosa, a belíssima praia, os equipamentos de que dispõe, como o excelente serviço proporcionado pelo Centro Náutico, uma infraestrutura da Câmara Municipal de Faro, são pontos de destaque. É preciso manter o dinamismo e a qualidade que tem. No futuro, a nova ponte e o parque de campismo vão permitir que mais pessoas desfrutem da Praia de Faro, sobretudo este último equipamento que será uma forma de democratizar o acesso a este local».

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