Steven Sousa Piedade é cônsul honorário da República da Moldova

Aos 44 anos de idade, o presidente da Junta de Freguesia de Montenegro (Faro) enceta atividade diplomática com a missão de apoiar a comunidade residente e fomentar as trocas comerciais. Tomada de posse está prevista para junho.
Steven Sousa Piedade e Dumitru Socolan.

A presença no festival de canções pascais, organizado pelas associações culturais e religiosas Lusortodoxia e Teazur, no sábado 21 de abril, no Salão Paroquial e Social de Loulé, foi um dos primeiros atos de Steven Sousa Piedade na qualidade de diplomata. Dumitru Socolan, embaixador da República da Moldova em Portugal desde fevereiro de 2016, explicou que este cargo é importante para aquele país de leste «porque temos uma grande comunidade aqui no sul.

E também porque precisamos de dinamizar as nossas relações económicas e comerciais com esta parte de Portugal». No plano diplomático, «as relações bilaterais são excelentes. Não temos problemas, apenas objetivos comuns a realizar. Há interesse e apoio recíproco em relação a vários projetos europeus», disse o diplomata, que estima em cerca 30 mil, o número de cidadãos moldavos a viver em Portugal. «A maior parte também tem cidadania portuguesa. Ou seja, são as pessoas que unem os dois países, e por isso temos de trabalhar em conjunto para que possam ter uma vida melhor», sublinhou ao «barlavento».

Segundo Dumitru Socolan, Portugal «é atrativo do ponto de vista do idioma, pois somos um país de língua romena, de raiz latina, e é fácil aprender (português). Os moldavos estão a migrar desde os anos 1990. Descobriram Portugal em 2000 porque havia a possibilidade de trazerem as suas famílias. As leis eram muito facilitadoras, o que não acontecia noutros países onde também há comunidades moldavas», o que na perspetiva do diplomata, também facilitou a integração da diáspora na sociedade portuguesa.

Uma opinião corroborada por Ioan Gherbovetchi, vigário do Bispo de Korsum em Portugal, patriarcado de Moscovo da Igreja Ortodoxa Russa. Chegou em 2001, e vive em Faro desde 12 de outubro de 2003, data em que celebrou a primeira liturgia na capital algarvia. «A nossa comunidade é multinacional, temos fiéis oriundos da Geórgia, Moldávia, Bielorrussa, Ucrânia e Rússia. Aos domingos, ronda as 150 pessoas. Mas é óbvio que o número de compatriotas é muito maior. Estamos muito agradecidos à providência que nos orientou para este país que é muito acolhedor, muito aberto e caloroso», considerou. Também o sacerdote confirma a falta de representação consular moldava no Algarve. «Sim, isso sentia-se na vida do dia a dia. Esperamos que agora, a escolha do senhor Steven traga o contributo que estamos há tanto tempo à espera».

De acordo com o embaixador Dumitru Socolan, oficialmente, o trabalho do cônsul honorário começará em junho. «Só depende de alguns pormenores mais técnicos, porque as decisões já estão tomadas» em ambos os países.

Este cargo é voluntário (pro bono), não tem compensações monetárias e é um enorme desafio para Steven Sousa Piedade, que além de presidir a Junta de Freguesia de Montenegro, foi reeleito presidente da Direção da Associação Humanitária (AH) de Bombeiros de Faro – Cruz Lusa para o triénio 2018/2021 e eleito para o Conselho Diretivo da Associação Nacional de Freguesias (ANAFRE), além de empresário.

A proposta chegou há cerca de dois anos, numa tarde de praia, por intermédio de um ex-colega diretor da Associação Nacional de Jovens Empresários (ANJE). «Apanhou-me de pé descalço. Pensei, refleti um pouco e achei que poderia ser uma mais-valia, quer para mim, quer para a comunidade» que aliás já conhecia devido a ter munícipes moldavos.

«Inteirei-me melhor sobre o país e sobre o processo que é imenso, demorado e muito burocrático. Implica traduzir e preparar documentos e a sua validação por ambos os governos. Além disso, é preciso montar um gabinete para as receções e atendimentos» que está em fase de conclusão. Por outro lado, considerou atrativa a vertente empresarial e de empreendedorismo. «A Moldávia está muito interessada em afirmar e desenvolver a vitivinicultura. E de facto, os vinhos que produzem são de grande qualidade. Já contactei alguns empresários locais, como o Eliseu Correia, para tentar organizar algumas apresentações. E vou procurar investidores portugueses que queiram ir conhecer o país e as suas potencialidades» de negócio.

O país que é hoje a República da Moldova fez parte da Rússia czarista durante o século XIX, sendo então conhecido como Bessarabia. Depois da Primeira Guerra Mundial integrou a região conhecida como a grande Romênia, sendo anexado à União Soviética (URSS) em 1940. Após a queda do bloco soviético em 1991, o país declarou a independência e é hoje uma democracia parlamentarista, com Presidente (Igor Dodon) e primeiro-Ministro (Pavel Filip). Tem cerca de 33846 km² de área, e uma população de menos de cinco milhões de pessoas. Steven Sousa Piedade está a planear a primeira viagem ao país ainda este ano.

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