Start-up algarvia promove aventuras radicais em Espanha

A «Aventurate», uma nova start-up de desportos radicais com ofertas locais e na vizinha Espanha, convidou o «barlavento» a testar os limites na região de Malága.

Escalar os Pirinéus, Camaleño, Montjaque ou o antigo Caminito del Rey foram experiências impressionantes que marcaram a vida de Paulo Matos, 49 anos, professor de Educação Física há 24 anos, e da sua companheira de vida e profissão, Célia Arraiolos, 50 anos, também professora com 27 anos de carreira.

«Começámos a praticar este tipo de desportos na universidade. Mais tarde, fiz várias formações e estive ligado a algumas empresas de aventuras, nas quais aprofundei conhecimento e ganhei experiência», explicou Paulo Matos ao «barlavento».

«Praticávamos como hobby, mas com o passar do tempo, cada vez mais pessoas vinham ter connosco e mostravam interesse em juntarem-se a nós. Por isso, decidimos criar um grupo e começámos a promover as atividades. Tínhamos reunidas as condições: o know-how, os equipamentos, a destreza física e também um bom conhecimento do que existe no terreno. Decidimos então avançar, criar uma nova empresa de forma a proporcionar a todas as pessoas interessadas, uma oportunidade de experimentarem aventuras na natureza», reforçou Célia Arraiolos.

Rappel, canyoning, provas de orientação e percursos interpretativos são algumas das propostas que a «Aventurate» tem disponível. Mas uma das novidades são as chamadas «vias ferratas», ou seja, uma «variante da escalada» num espaço equipado para tal, com escadas, trilhos e linhas de segurança bem identificadas. Demasiado fácil? «A pessoa vai ter de lidar com altitudes e grandes desníveis mas a superação dos obstáculos é feito de forma gradual. E há sempre a oportunidade de ter um tempo para parar, descansar e apreciar a paisagem e toda a envolvente natural», garantiu Paulo Matos.

Já o rappel consiste numa «descida na vertical através de uma corda suspensa». O canyoning é em tudo semelhante ao rappel, mas feito em quedas de água. O barranquismo é o «termo espanhol para descidas dentro dos barrancos». Por fim, as provas de orientação e percursos interpretativos que consistem na marcação de pontos numa carta topográfica, cujo itinerário deve ser feito no menor tempo possível. Célia Arraiolos sublinhou que todos estes desafios são especiais porque se «trabalha os níveis pessoais de conquista, autoconfiança e sucesso. Tudo isto em harmonia com a natureza».

«As pessoas olham para desníveis com 100 a 200 metros de altura e pensam que não vão conseguir mas quando chegam ao topo sentem algo extraordinário: uma enorme gratificação», explica Paulo Matos. As atividades destinam-se a grupos, que podem ser constituídos por quatro a 15 pessoas, dos «oito aos 80» pois tudo depende «da condição física de cada um», garante o casal. O preço varia desde os 40 euros por uma única «via ferrata» aos 110 euros por um pacote de dois dias com uma oferta mais diversificada.

Para já, a empresa propõe quatro «vias ferratas» diferentes, uma atividade de barranquismo e cinco pacotes mistos. No entanto, poderá aumentar o leque de opções não só em Espanha, como em Portugal e noutros países da Europa. O objetivo da Aventurate é promover duas iniciativas por mês. A maioria realiza-se em Espanha, porque é «onde existem mais opções, documentação, e zonas preparadas e equipadas, sendo que também a deslocação é mais económica», justifica Célia Arraiolos.

Escalar por entre a história e a Natureza

Começamos o desafiante percurso da «via ferrata de Gaucín», classificada como «muito difícil», num dia frio e cinzento de fevereiro. Descemos o desfiladeiro a partir de um promontório com 700 metros de altura, junto ao Castelo de Águila (século XIX) e à Ermita do Santo Niño (século XVIII), na zona de Málaga, na Andaluzia, a cerca de 400 quilómetros de Faro.

Esta via ferrata joga não só com a nossa preparação física, como também nos exige mais concentração, confiança e resiliência mental. É proibido dizer “não sou capaz”. Proferir tais palavras em nada ajuda a superar o desfiladeiro. A via obriga-nos não só a confiar e a puxar ao limite o nosso corpo, como a manter a calma para superar de forma inteligente os obstáculos. Durante esta saída, os responsáveis da «Aventurate» guiaram-nos por pontes funiculares, himalaianas, pontes horizontais e tirolesas de cortar a respiração, no meio de paisagens deslumbrantes. Antes, na parte da manhã, houve ainda tempo para fazer as vias ferratas de «Benadalid» e «Benalauria», também ali próximas. Em todas as ocasiões, a regra de ouro é ter sempre uma segurança colocada na linha de vida. No final da experiência, depois de várias horas de muito esforço, a recompensa chega em forma de alegria e superação pessoal alcançada pela via terminada com sucesso.

No segundo dia, com fato de mergulho de cinco milímetros e com mais prática a colocar parafernália de equipamentos composta pelo arnês, o dissipador, os mosquetões e o capacete, descemos o barranco «Sima del diablo»,  no coração do vale de Genal, no município de Juzcar (onde encontrámos a famosa vila Smurf). O caudal é forte devido ao período de chuvas e em quatro ocasiões recorremos ao canyoning para descer algumas dezenas de metros suspensos na zona da cascata. Desta refrescante experiência de duas horas ficam momentos de muita emoção, divertimento e inevitavelmente algumas nódoas negras. No final do percurso de barranquismo, a «Aventurate» providencia uma viatura para levar os participantes até ao ponto de partida inicial.

Desporto e cultura

Conciliar a vertente desportiva com elementos culturais de cada destino é outros dos objetivos da «Aventurate». Associado a cada trajeto, há um percurso interpretativo com pontos de interesse cultural a visitar. «Queremos promover lugares recônditos e únicos», apontam os responsáveis Paulo Matos e Célia Arraiolos. Em Espanha, «em certos locais temos de pedir autorização para fazer vias ferratas». Por exemplo, «um dos nossos percursos atravessa uma colónia de abutres. Chegam a voar a cinco metros de nós. Promovemos o respeito pela conservação do ambiente, e deixamos o menor impacto possível. Fazemos sempre um briefing com muita informação, de forma a sensibilizar as pessoas que nos acompanham. Cada grupo deve esforçar-se por deixar a natureza como a encontra, ou melhor, se possível. Não compactuamos, nem admitimos nada que possa alterar o equilíbrio destas zonas sensíveis. Queremos que quem for a estes locais, depois de nós, possa usufruir deles, tal como nós usufruímos».

 

Todos os participantes nas atividades da «Aventurate» estão cobertos por um seguro de responsabilidade civil e concordam em obrigar-se a seguir todas as indicações dos técnicos, assim como a e respeitar as normas específicas para cada local. «Esta é uma atividade de risco permanente que obriga ao cumprimento escrupuloso de regras para não haver acidentes», sublinha Paulo Matos.

Escalada no Algarve

No Algarve já existem alguns locais onde é possível organizar atividades, nomeadamente, na Rocha da Pena, onde existe uma escola constituída por 13 sectores. «Um bom sítio para iniciantes» onde a «Aventurate» também irá organizar algumas atividades em colaboração com outras entidades. Mas também «em Albufeira e Sagres» já existem alguns sectores equipados para escalada.

Para marcações ou mais informações contacte a «Aventurate» através dos números telefónicos 966 341 487 ou 938 364 523 ou consulta a página de Facebook.

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