Saúde e turismo algarvio aliam-se em projeto inovador

«Algarve Coração Seguro» foi apresentado na quarta-feira, 24 de maio, em Albufeira.

«Algarve Coração Seguro» Pretende ser uma mais-valia no que toca a salvar vidas e pode ser um exemplo a replicar noutros pontos do país. Nuno Marques, presidente do Algarve Biomedical Center (ABC), explicou ao «barlavento» quais os objetivos desta parceria.

barlavento – Como funcionará o «Algarve Coração Seguro»?
Nuno Marques –
O Algarve Biomedical Center (ABC), através do protocolo assinado na quarta-feira, 24 de maio, com as várias entidades envolvidas, na presença do senhor secretário de Estado da Saúde [Manuel Delgado], dará formação em suporte básico de vida com utilização de desfibrilhadores aos funcionários dos hotéis, empreendimentos turísticos e instituições públicas (estas visando os espaços públicos) da região. O objetivo é garantir que os formandos tenham a capacidade de dar o suporte inicial de cuidados fundamental para manter uma vítima até à chegada do INEM. A formação será contínua. Ou seja, haverá o número de vezes que se considerar necessário e durante um período de cinco anos, com renovação posterior.

Este projeto ajudará a evitar algum potencial incidente?
Claro que sim e dotará o Algarve de condições únicas de resposta nos casos que possam ocorrer.

Há um número significativo de ocorrências, aliado à ainda falta de recursos humanos no Centro Hospitalar do Algarve (CHA) e Centros de Saúde, que levem à necessidade de criar este projeto?
Este projeto não está relacionado diretamente com a falta de recursos humanos no CHA ou Centros de Saúde. Trata-se de um projeto cuja ação incide no antes da chegada dos cuidados médicos. São iniciativas como esta que contribuirão para os cuidados de saúde.

Em que moldes foi criado?
O «Algarve Coração Seguro» é um projeto desenvolvido pelo Centro Académico ABC, mais precisamente pelo Life UAlg, dirigido pelo médico Pedro Rouxinol, que será coordenado pelo ABC, em colaboração com a Administração Regional de Saúde (ARS) do Algarve, envolvendo também a AMAL, a Região de Turismo do Algarve (RTA) e as associações do sector AHETA, AHISA, NERA e seus associados.

Como surge este enquadramento com a hotelaria?
O ABC e a ARS pretendem desenvolver e melhorar a prestação de cuidados de saúde à população residente e também aos visitantes. A hotelaria e a indústria ligada ao turismo querem também providenciar as melhores condições possíveis aos turistas que nos visitam. Assim surgiu a ideia de unir esforços e desencadear um projeto que permitisse a implementação de uma rede de cuidados imediatos às vitimas de paragem cardíaca no Algarve. Em conjunto podemos tornar este destino na região mais segura do país e uma das mais seguras da Europa. Juntámos, então, esforços e colocámos mãos à obra.

Será um projeto que abrangerá todo o Algarve?
Sim. Estivemos já, em simultâneo, a dar formação no Hotel Alísios, em Albufeira, e no Empreendimento Praia D’el Rei, em Tavira.

A tutela mostrou interesse em apoiar?
Mostrou, desde o início, toda a disponibilidade para apoiar este projeto, quer diretamente, através da vinda do senhor secretário de Estado da Saúde, quer através do envolvimento e apoio da ARS Algarve, que é também fundamental.

Já existe noutros locais?
Não. É inovador.

O «Algarve Coração Seguro» poderá ser replicado?
Espero que este projeto do Centro Académico, com envolvimento muito ativo da ARS do Algarve e entidades do turismo, seja replicado noutros pontos do país, pois, desta forma, conseguiremos atingir os nossos objetivos de salvar mais vidas.

O Algarve é uma região turística, com aumento de visitantes em época alta, mas cada vez mais também em época baixa. Tem dificuldade em fixar profissionais de saúde. Há um ano começou a ser feito um percurso para tentar alterar este panorama. De que forma este projeto se enquadra neste esforço?
O ABC, a ARS e o CHA estão completamente focados a desencadear as ações necessárias para que exista uma fixação de recursos humanos na saúde do Algarve e já podem ser garantidas condições aos profissionais de saúde, envolvendo a investigação, formação e prestação de cuidados que darão frutos a muito curto prazo. Estamos todos a remar no mesmo sentido e temos um forte apoio da tutela relativamente aos projetos que apresentámos. O «Algarve Coração Seguro» é apenas um dos vários (que está a ser implementado) que esperamos anunciar a curto prazo no Plano de Ação plurianual do Centro Académico. Para já, congratulo-me por termos no Algarve profissionais com a capacidade e visão do doutor Pedro Rouxinol que lidera o Life UAlg no ABC.

Vila do Bispo tem nova UCC, Bordeira e Azinhal reabrem extensões de saúde

O concelho de Vila do Bispo tem, desde quarta-feira, 24 de maio, uma nova Unidade de Cuidados na Comunidade (UCC), denominada Vicentina, no Centro de Saúde da sede concelhia. Funciona de segunda a sexta-feira, das 9 às 16 horas, e aos sábados, das 9 às 13 horas, presta apoio domiciliário dos cuidados continuados integrados, abrange cerca de 5500 utentes, inscritos e residentes no concelho. É a 12ª UCC no Algarve.
A cerimónia de inauguração contou com a participação do secretário de Estado da Saúde Manuel Delgado, segundo informou a Administração Regional de Saúde (ARS) do Algarve. O périplo do governante contemplou uma deslocação ao concelho de Loulé, no âmbito das comemorações da Semana do Município, e aos Polos de Saúde de Bordeira, no concelho de Faro, e do Azinhal, no concelho de Castro Marim. Estas unidades reabriram após terem realizadas obras de conservação, beneficiação, requalificação e adaptação funcional. As intervenções pretendiam, segundo a ARS do Algarve, dotar estas infraestruturas da saúde com «melhores condições de funcionamento, beneficiando tanto os utentes como os profissionais de saúde». Ambas terão um médico, um enfermeiro e um assistente técnico. A extensão de saúde de Bordeira abrange 362 utentes e vai funcionar às quintas-feiras, das 9 às 17 horas, enquanto a extensão de saúde do Azinhal abrange cerca de 400 utentes e vai funcionar às quartas-feiras das 8 às 14 horas. Em Loulé esteve em destaque o projeto do Centro de Saúde das Brincadeiras, onde foi mostrado às crianças que aquele é um espaço onde também é possível brincar e aprender, desmistificando o medo em relação às instituições de saúde. Foi ainda visitado o terreno disponibilizado pela Câmara Municipal para a construção de raiz da nova Unidade de Saúde Familiar (USF) Lauroé.

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