São Brás de Alportel quer barragem no Monte da Ribeira

Executivo está a sensibilizar o governo para a necessidade de criar uma reserva de água no Algarve central. Infraestrutura poderá mitigar os efeitos das alterações climáticas e dos incêndios florestais.
David Gonçalves, Vítor Guerreiro, Marlene Guerreiro e Acácio Martins durante a apresentação do balanço do primeiro ano de mandato à imprensa.

É uma batalha do passado que agora regressa à atualidade. Vítor Guerreiro, presidente da Câmara Municipal de São Brás de Alportel, quer que o governo considere a construção da barragem do Monte da Ribeira. A intenção foi avançada durante uma reunião com a imprensa na quinta-feira, 25 de outubro, para traçar uma retrospetiva do primeiro ano do mandato 2017/2021. Segundo o autarca «é um projeto de 1982 que tinha como objetivo abastecer as populações da zona litoral entre Quarteira e Tavira, além de São Brás de Alportel e Olhão. Neste momento, faz todo o sentido que se volte a pegar no projeto por vários fatores». Na perspetiva do edil, a infraestrutura será um baluarte de defesa contra os incêndios florestais.

«É fundamental termos um espelho de água suficientemente grande para o abastecimento de meios aéreos pesados na Serra do Caldeirão. Só assim é que poderemos ter uma maior eficiência e rapidez no combate às chamas», argumentou. Numa altura em que «os efeitos das alterações climáticas» são «uma realidade nova», Vítor Guerreiro considera que a barragem poderá interessar a Tavira, pois «é fundamental para ajudar a controlar o leito de cheias do Rio Gilão» e prevenir inundações provocadas por intempéries cada vez mais imprevisíveis. «Se há 40 anos tínhamos invernos chuvosos e verões quentes, hoje nada é assim. Este ano, se não tivesse chovido na primavera, teríamos agora um corte na rega a Sotavento» do concelho, já que a prioridade seria a água para o consumo humano. «Tenho falado com os ministros da Agricultura e do Ambiente, pois há reservas de água a Barlavento e Sotavento e nenhuma no Algarve central».

Concelho vai ter «Rota da Memória»

Em declarações ao «barlavento», Marlene Guerreiro pormenorizou outra ideia na calha, que consiste na criação de uma «Rota da Memória», que incluirá os vários espaços museológicos do concelho. Terá o centro no Museu do Traje, a partir do qual, turistas e visitantes poderão descobrir, por exemplo, «a ala mais antiga do Sanatório Carlos Vasconcelos Porto», atual Centro Medicina Física e de Reabilitação do Sul, onde existe a recriação de «um quarto e um gabinete médico» tal como eram há 100 anos. Ainda de acordo com a vice-presidente, estão em curso duas candidaturas ao Plano de Ação de Desenvolvimento dos Recursos Endógenos (PADRE) do CRESC Algarve 2020 (Programa Operacional do Algarve). «Um é a criação de um espaço interpretativo da Serra do Caldeirão que vai nascer em Parises, onde a Câmara adquiriu uma casa para o efeito. Contará com a participação da comunidade e será dedicado à cortiça e às vivências locais», revelou.

O futuro núcleo interpretativo da EN2, no Largo de São Sebastião, num antigo núcleo de cantoneiros que o município de São Brás de Alportel adquiriu.

O outro é «o núcleo interpretativo da EN2, no Largo de São Sebastião, num antigo núcleo de cantoneiros que o município adquiriu. Esse espaço é pequeno, mas, em compensação, está intocado desde que fechou. Tem um espólio com muitos documentos» que dizem respeito à manutenção daquele troço junto à vila. Na verdade, a recente popularidade da EN2 enquanto rota de interesse histórico e cultural, tem vindo a beneficiar São Brás de Alportel. «Estamos a notar uma grande procura pelo percurso e achamos que este centro interpretativo será mais uma porta de entrada para este roteiro cultural», considerou. Com esta nova «Rota da Memória» o executivo pretende atrair ainda mais visitantes, até porque o saldo já é positivo. «Temos razões para ficar satisfeitos. Contámos com 12 mil pessoas atendidas no posto de informação turística municipal em 2016 e 2017. Também já temos 100 Alojamentos Locais e quatro empreendimentos turísticos», sendo que um deles, a Casa de Campo «Wild View Retreat», abriu este ano, nas Corgas Bravas. Um investimento privado numa zona remota que segundo Marlene Guerreiro, «vem dar uma esperança para que a nossa serra do Caldeirão possa vir a ser descoberta na sua potencialidade».

Deficiência é prioridade

Ainda durante a conversa com os jornalistas, Marlene Guerreiro, vice-presidente da Câmara Municipal de São Brás de Alportel, destacou a forte aposta na área da solidariedade. «Não temos todos os recursos que gostaríamos, nem no concelho, nem na região, mas temos trabalhado em rede e tem sido extraordinário. Temos uma estrutura informal que consegue resolver grande parte das nossas preocupações sociais, caso a caso, no concreto», disse. «Neste mandato assumimos como extremamente prioritário o trabalho na área da deficiência. Também a este nível contamos com trabalho em rede e temos uma parceria a germinar, mas com grande potencial de futuro, com a Santa Casa da Misericórdia» local. «Estamos de facto apostados em criar no concelho respostas para a deficiência que não existem». Para já, no terreno avançam «reuniões com as famílias, para num ambiente íntimo, acolhedor, para conseguirmos perceber aquilo que realmente estas pessoas precisam», até porque muitos são os casos em que os agregados desconhecem os apoios que já existem e aos quais têm direito.

CMRSul tem de funcionar em pleno

Depois de ter feito correr muita tinta, a situação no Centro Medicina Física e de Reabilitação do Sul (CMRSul) continua a ser acompanhada de perto pelo autarca sambrasense Vítor Guerreiro. «As coisas têm melhorado bastante, mas ainda não me convencem. Pelo menos, até estar a funcionar a 100 por cento. Tenho tido reuniões formais e informais com a Drª Ana Paula Pereira Gonçalves, presidente do Conselho de Administração do Centro Hospitalar Universitário do Algarve (CHUA) sobre esta matéria. Neste momento estão 36 camas abertas», sendo que a totalidade (50) deverá estar disponível até ao final do ano, segundo a previsão do presidente da Câmara Municipal. «Espero que as consultas e os tratamentos de reabilitação de pediatria sejam retomados o mais rápido possível». Depois da saída da médica que organizou esse serviço, no verão, «achamos que deve continuar». O autarca sabe que em breve «será feita a avaliação das crianças que estavam indicadas para terapia. Vão lá ser recolocados os terapeutas da fala e fisioterapeutas para apoiar a parte pediátrica que é muito importante».

Nova Rotunda da A22 foi vitória mas não chega

Durante a conversa com os jornalistas, Vítor Guerreiro chamou a atenção «para uma questão fundamental para o desenvolvimento económico e bem-estar da população» de São Brás de Alportel. «Foi com grande satisfação que vimos a construção da rotunda entre Faro, a Via do Infante e o Coiro da Burra/ Estoi. Foi uma batalha de quatro anos», sendo que o ministro do Planeamento e das Infraestruturas Pedro cumpriu a palavra. No entanto, «agora existe um outro compromisso que é a elaboração do projeto de requalificação da Estrada Nacional 2 entre essa rotunda e São Brás de Alportel, até ao final de 2018. Espero que concretize». O autarca sabe que o orçamento da Infraestruturas de Portugal (IP) para 2019 contabiliza 2,7 milhões para a requalificação da EN2. «O traçado é o mesmo de há 50 anos, em que os fluxos e os veículos eram bastante diferentes dos dias de hoje. É preciso rever algumas curvas e colocar uma faixa dupla, entre os Machados e a entrada de São Brás, e construir de uma outra rotunda no cruzamento entre Estoi e o acesso ao Mercado Abastecedor de Faro». Para concluir, o presidente anunciou o bom estado das contas da autarquia, «com um saldo bastante confortável», que permite «alguma margem para agarrar oportunidades que possam surgir» em termos de candidaturas a fundos comunitários. O orçamento para 2019 ronda 12,9 milhões de euros.

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