Réplica «Santa Cruz» aterra hoje em São Brás

O escultor Carlos de Oliveira Correia cumpriu a palavra e ofereceu a réplica artística do «Santa Cruz» ao município de São Brás de Alportel. A inauguração é hoje, 30 de março, às 18 horas, junto às piscinas municipais

Faz hoje uma semana que o transporte especial, vindo de Benavente, recolheu a fuselagem do Fairey IIID na oficina de Carlos de Oliveira Correia, em Campeiros, para o levar até São Brás de Alportel. As asas, com uma envergadura de 14 metros, seguiram à parte, já que o total da carga superava as 20 toneladas de ferro. Uma grua pesada colocou o avião em cima dos dois pilares de suporte, a cerca de quatro metros de altura. A ideia original era suportar toda a peça num sextante, projeto que acabou por não se concretizar. Por outro lado, à hora de fecho de edição do «barlavento», o jogo de luz ainda estava a ser afinado ao gosto do artista, com uma temperatura de cor mais quente, de forma a destacar o tons e as formas do biplano à noite. Carlos de Oliveira Correia, sem experiência em construção aeronáutica, começou a montar a réplica do histórico hidroavião em novembro de 2015. Toda a pesquisa histórica, assim como a engenharia, são da sua autoria. «O desenho e todos os cálculos são feitos por mim. O avião está estilizado, ou seja, as asas têm a estrutura laminar a descoberto, para diminuir a resistência ao vento». O último pormenor foi a aplicação de um verniz especial, anti-ferrugem.


A inauguração coincide com o 95º aniversário da partida para a primeira travessia aérea do Atlântico, em 1922, protagonizada por Gago Coutinho e Sacadura Cabral, sendo que o primeiro tem origens algarvias documentadas. Ou seja, o avô paterno do geógrafo cartógrafo, oficial da Marinha, navegador e historiador Gago Coutinho era natural de São Brás de Alportel.
A sessão pública de inauguração, junto às piscinas municipais, vai contar com a participação da associação «Lusitânia 100», que fará uma apresentação sobre a histórica viagem, por João Moura Ferreira e Jorge Pereira.
Apesar da importância da viagem na história da aviação, o feito tem sido um pouco esquecido. «As pessoas não percebem o que foi esta viagem. Foi ideia de dois portugueses, logo a seguir à Primeira Grande Guerra, num contexto muito difícil. Conseguiram defender e mobilizar um projeto, e trazer aviões para Portugal onde, na altura, quase não existiam». Durante a travessia «estavam sozinhos, sem rádios, sem qualquer apoio à superfície. O avião estava no limite tecnológico da época e ainda não tinha sido testado na totalidade», explicou Moura Ferreira, presidente da «Lusitânia 100».
Em termos de arte pública, existe um monumento dos anos 1970 em Lisboa, em frente à Igreja de São João de Brito, e uma réplica mais recente do hidroavião, junto à Torre de Belém. A propósito dos 50 anos da travessia, «foi feita uma outra réplica do Fairey IIID que está em Alverca, no polo do Museu do Ar». A autarquia de São Brás de Alportel considera, portanto, que esta peça «constitui um novo atrativo turístico para o concelho, de elevado interesse histórico, que irá atrair curiosos, entusiastas da aviação e demais visitantes». Carlos de Oliveira Correia, por sua vez, disse ao «barlavento» que daqui por um ano, quer colocar «os aviadores» aos comandos do Fairey IIID.

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