Relocalização da Feira de Artesanato de Quarteira causa polémica

A Comissão de Artistas e Artesãos de Quarteira (CAAQ) está contra a retirada da feira de verão do local onde se realiza há cerca de 40 anos, à beira da praia. Autarquia de Loulé evoca «questões de segurança» e a necessidade de «criar uma nova centralidade».
Alda Venceslau, Márcio Alexandre, Deolinda Satiro e Liliana Lopes da CAAQ.

«Não queremos sair do Calçadão de Quarteira», garantem ao «barlavento» os porta-vozes do grupo de artesãos indignados com a decisão da autarquia de Loulé que «não os consultou» sobre a sentença de morte para a agitada feira de verão na marginal de Quarteira.

Alda Venceslau, Liliana Lopes, Deolinda Satiro e Márcio Alexandre, são apenas quatro dos cerca de 30 artistas que anualmente ocupam os stands de artesanato junto ao mar.

A 27 de novembro, a Comissão de Artistas e Artesãos de Quarteira (CAAQ) foi «convocada para uma reunião com representantes da Câmara Municipal de Loulé, da Junta de Freguesia de Quarteira e da Capitania de Faro», durante a qual foram «informados de que a Feira do Artesanato iria deixar de se realizar no Calçadão de Quarteira. Nem sequer mostraram abertura para podermos discutir e encontrar outra solução. Simplesmente, limitaram-se a informar-nos», lamentam.

A ideia, segundo explicam, é a criação de uma nova «Feira de Verão de Quarteira» numa zona que «não reúne as condições» sob o argumento de que «estão a tentar criar uma nova centralidade na cidade de Quarteira. Mas o Calçadão somos nós», afirmam. «Sem nós, o Calçadão deixa de ser atrativo e deixa de ser um local seguro», defendem.

«Dizem-nos que querem desviar o excesso de pessoas do Calçadão por questões de segurança, mas, na realidade, nunca houve problemas! Nem sequer existe um projeto para esta nova Feira de Verão que querem criar. Não nos apresentaram nada em concreto», queixam-se.

Na perspetiva da CAAQ, a presença dos artesãos ao longo da marginal durante a época alta reforça o «sentimento de segurança». A deslocalização da feira tornará a área «muito mais vulnerável e insegura».

«Sentimos que somos descartáveis e que não nos estão a dar o devido valor ao artesanato. Há 25 anos tentaram realizar esta feira num outro local e foi um desastre. Querem fazer novamente essa experiência mas temos a certeza de que não irá resultar. Os visitantes não vão aderir», avisam.

Por fim, os artesãos lamentam a «falta de abertura para o diálogo do município», argumentando que a feira é uma «referência cultural para a localidade há mais de 40 anos» e que o novo sítio proposto é «hostil e perigoso». Em causa está ainda «o ganha-pão de cerca de 30 famílias. Reconhecemos que não podemos ficar de braços cruzados enquanto razões ocultas querem empurrar-nos para um sítio onde iremos enterrar os nossos sonhos, talentos e o nossos sustentos».

Opinião contrária tem Heloísa Madeira, a vereadora da Câmara Municipal de Loulé responsável pelo pelouro do Planeamento e Gestão Urbanística. Ouvida pelo «barlavento» explica que «esta é uma decisão política» e que foi considerada a «posição das três entidades que decidem sobre este território: o município, a Junta e a Capitania. Consideramos que a carga existente é excessiva e necessita de ser reorganizada devido ao crescente número de visitantes» que Quarteira tem vindo a registar na época estival.

«Precisamos de criar uma nova centralidade em Quarteira com polos de atração. E para isso, há que deslocalizar as pessoas», explica. «Não querendo ser alarmista, mas considerando o grande número de visitantes que frequentam o Calçadão durante o verão, este surge como um local propício à realização de um atentado (terrorista). Por isso, temos de acautelar todas as consequências antecipadamente», considera. Também o Calçadão irá sofrer um «reordenamento de todas as atividades desde as esplanadas ao comércio», avança.

Em relação à nova Feira de Verão de Quarteira, a vereadora assegura que este novo projeto irá «ser alvo de um grande investimento por parte do Município e da Junta de Freguesia. Vai englobar todos os artesãos e vendedores que estavam no Calçadão, mas também a Feira do Livro e todos os stands de comida e bebida».

O novo espaço irá ainda contar com «eventos de animação e cultura» ao longo de toda a época alta, «melhores condições de trabalho, como água, luz e acesso a casas de banho. E como incentivo, iremos criar uma isenção de taxa municipal para a participação nesta feira».

Assim que encerrar o prazo de inscrições, «faremos um esboço do espaço para propor e apresentar aos intervenientes. Estamos abertos a discutir os moldes em que a nova feira se irá realizar. Penso que mais uma semana e estaremos prontos para divulgar pormenores», diz Heloísa Madeira.

A vereadora sublinha ainda que o «novo espaço fica localizado na praça Filipe Jonas, apenas dois quarteirões acima do Calçadão» e que neste momento «o número de inscritos já supera em muito o dos anos anteriores», devendo, portanto, duplicar. «Acreditamos que o conceito vai ter muita adesão. Quero sublinhar que somos parceiros dos artesãos e tudo faremos para que esta nova aposta seja um sucesso», conclui.

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