Regresso da Groundforce acaba com «situação escandalosamente única» em Faro

Empresa retoma a operação interrompida em 2011 e não esconde que vai «tirar clientes» à concorrência. Para já, TAP, British Airways, Iberia, BA City Flyer, Vueling, Aer Lingus, Small Planet e Aigle Azur são os primeiros clientes no Aeroporto de Faro.
Alberto Mota Borges, diretor do Aeroporto de Faro e Paulo Neto Leite, presidente executivo da Groundforce.

A Groundforce Portugal retomou a operação de full handling no Aeroporto de Faro, que inclui a assistência a passageiros, operação de aeronaves em pista e o processamento de bagagens. A ocasião foi assinalada com uma pequena cerimónia na área de check-in, na manhã de segunda-feira, 2 de abril, data que assinala o início do verão IATA 2018.

Um processo que ficou marcado por atrasos no licenciamento, mas que, segundo Paulo Neto Leite, presidente executivo da Groundforce, é motivo de satisfação. «Esta é uma operação para alargar. Estamos a falar de uma situação quase escandalosamente única, em que tínhamos um aeroporto com um único fornecedor de handling. Isso nem sequer é uma prática concorrencial saudável. Acredito que o Aeroporto de Faro tem uma capacidade de crescimento bastante grande e provavelmente acontecerá o mesmo que tem acontecido aos outros aeroportos nacionais. Ou seja, a sua sazonalidade vai diminuindo. Acredito que vamos crescer nas franjas das épocas baixas», disse aos jornalistas.

O regresso da empresa acontece depois de a Groundforce Portugal ter suspendido as operações em Faro, em 2011, para reduzir prejuízos. Na altura, mais de 300 colaboradores foram dispensados. Paulo Neto Leite dispensa a má memória. «Este é um momento para nos focarmos no futuro. O passado não se consegue mudar. Acho que sete anos depois, temos toda uma estrutura muito mais sólida, muito mais bem preparada para enfrentar os desafios de um sector cada vez mais importante para o país. Se compararmos o número de passageiros hoje em Faro, com o número de há sete anos, isso mostra que há condições para criarmos uma operação que vai ser muito mais sustentada», disse o executivo, sublinhado que há «capacidade para sobreviver a solavancos».

«Fizemos um investimento significativo» superior a 2,5 milhões de euros, em equipamentos e pessoal. Para já, foram criados 115 postos de trabalho e, a médio prazo, está previsto um reforço de mais 25 colaboradores. Esta é a quinta operação, a somar a Lisboa, Porto, Funchal e Porto Santo. Aliás, Paulo Neto Leite clarificou que já não têm «clientes por aeroporto. Hoje em dia, o cliente não quer dialogar com quatro empresas de handling diferentes. O próprio modelo de negócio da aviação organizou-se de outra forma e obriga a ter uma presença muito mais integrada e não estar apenas no aeroporto A, B ou C», dando como exemplo a AirLingus, cliente em todo o território nacional.

Questionado sobre se a empresa hoje paga salários mais baixos do que 2011, «se compararmos como um todo a situação de Portugal há uns anos, isso pode ser um reflexo. Mas temos um acordo coletivo. Os salários são iguais em todas as escalas e as pessoas têm uma capacidade de progressão enorme. Temos quase 3000 trabalhadores e uma taxa de rotação muito baixa». Sobre o facto de a operação arrancar com menos de metade do efetivo anterior, o presidente executivo da Groundforce prefere outra perspetiva. «Podermos dizer, no primeiro dia, que começamos uma operação já com 125 pessoas, vejo isso como uma grande vitória e não como um fator negativo. Os nossos clientes não estavam de braços cruzados à espera que nós chegássemos. Mas a partir de 1 de abril, disseram que estariam connosco. Chegaremos e ultrapassaremos esses números, . O próprio aeroporto crescerá», concluiu.

A Groundforce passou por uma reestruturação e voltou a ter resultados operacionais positivos, que sustentam o regresso à aerogare algarvia, agora concessionada pela ANA Aeroportos à francesa Vinci. Para já, TAP, British Airways, Iberia, BA City Flyer, Vueling, Aer Lingus, Small Planet e Aigle Azu são os primeiros clientes no Aeroporto de Faro.

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