Projeto TASA coloca a tradição ainda mais na moda em 2018

Reforço na formação, residências criativas internacionais, aposta nos entrelaçados e latoaria, e um novo prémio são as grandes novidades anunciadas projeto TASA (Técnicas Ancestrais Soluções Atuais) no próximo ano.

João Ministro, diretor da ProActiveTur, empresa responsável pela dinamização do projeto TASA (Técnicas Ancestrais Soluções Atuais), apresentou a coleção de peças de artesanato e decoração para 2018, bem como os projetos na calha a desenvolver ao longo do próximo ano, na quarta-feira, 29 de novembro. A sessão decorreu no hotel Anantara, em Vilamoura.

Segundo anunciou, uma das grandes novidades será a aposta na «transmissão de conhecimentos». Nesse sentido, não só o projeto TASA continuará a fomentar o ensino da arte da latoaria, como criará «cursos de longa duração em artes e ofícios na área dos entrelaçados: cestaria, palma, vime, palhinha, trabalho em cadeiras com tabua. Artes que estão praticamente em extinção e que achamos que temos de atuar com urgência antes que desapareçam e que não têm sido devidamente valorizadas», sublinhou.

Num horizonte mais próximo, já a 15 de dezembro, será anunciado um novo curso para «ensinar seis jovens na área da cestaria», e que servirá para mais tarde «contratar dois artesãos a tempo inteiro para trabalharem no TASA».

Segundo João Ministro, é uma «nova fase. Até agora temos trabalhado com uma rede de colaboradores artesãos e vamos continuar a fazê-lo, mas nesta área em particular, temos a necessidade de ter pessoas connosco a tempo inteiro. Temos de dar um passo em frente para ter maior capacidade de resposta. Isto pressupõe criar oficinas e ter os formadores necessários. E claro, queremos encontrar jovens que queiram fazer do artesanato uma profissão. Que estejam motivados para dar continuidade a estas artes, antes que se percam para sempre». Os cursos serão totalmente financiados pelo projeto TASA que trabalhará em colaboração com diversos parceiros.

João Ministro.

Outra das novidades será a aposta nas residências criativas. Uma nova parceria com a associação «Passa ao futuro», sediada em Lisboa e com origem nos EUA, focada na organização neste tipo de temporadas, deixa a porta aberta para o desenvolvimento de duas residências de longa duração calendarizadas para a primavera e outono de 2018.

«Se tudo correr bem, vamos receber pessoas de todo o mundo para trabalhar com os parceiros da TASA no desenvolvimento de novas peças», explicou João Ministro.

Nesta fase, «Passa ao Futuro» já está «a convidar pessoas da sua rede internacional de contactos e espero ter mais dados para dar muito em breve. A ideia é que os designers interessados possam comprar uma espécie de pacote de férias que inclui a formação». As residências irão realizar-se em Loulé, Tavira e Castro Marim.

Ainda de acordo com João Ministro, outra iniciativa ambiciosa para o próximo ano é a criação do «Prémio TASA», que terá âmbito nacional. O intuito é «distinguir os mais criativos e inovadores projetos ligados às artes tradicionais da rede TASA que já são mais de 40 e que envolvam design e artes tradicionais. Queremos que seja um veículo para promover a marca TASA a nível nacional e internacional. Estamos a preparar o regulamento e o valor do prémio», revelou João Ministro.

Em breve será lançado um anúncio para «dar oportunidade a artistas desenvolverem uma peça em conjunto com os nossos artesãos que depois deverá ser integrada na nossa nova coleção, habilitando-se assim ao Prémio TASA. A ideia é estimular a criatividade, materializar novas peças e, ao mesmo tempo, cativar mais pessoas para as artes tradicionais».

E não é tudo. João Ministro está disponível para facilitar projetos de investigação na área da das artes e ofícios e lança o desafio a estudantes de mestrado, uma vez que «há muita coisa por documentar».
Em janeiro deverá ser lançado um catálogo com algumas das muitas propostas de atividades de turismo criativo para a região algarvia, cuja linha de ação prevê criar oficinas criativas no interior algarvio.

Ainda durante a apresentação, foram ainda lançados alguns novos produtos desenvolvidos em colaboração com as empresas algarvias «Aresta Viva» um atelier de azulejaria artesanal e «NF Cork» empresa que explora o potencial da cortiça, em colaboração com designers nacionais e internacionais. Alguns dos novos produtos em catálogo são azulejos figurativos, um conjunto de ladrilhos, um candeeiro cubo em cortiça, e um protótipo de sistema de jarras, candeeiros facetados e jarras solitárias em chapa zincada.

TASA tem cada vez mais um público seleto

A tradição está cada vez mais na moda. Tanto assim é que João Ministro, responsável do projeto TASA (Técnicas Ancestrais Soluções Atuais), explicou que muitas vezes temos «de recusar encomendas porque não conseguimos dar resposta», sobretudo nas peças de cestaria, vime e a empreita. «Parece difícil de acreditar, mas somos obrigados a recusar pedidos de hotéis, arquitetos e lojas. Mas isto prova bem que há muito potencial. Por isso, acredito que temos de continuar a investir na formação e em capacitar mais pessoas, por forma a podermos ultrapassar as limitações atuais».

Ainda segundo João Ministro, quem procura os serviços e produtos TASA é um «público seleto e interessado nestas temática. O nosso cliente consumidor e também o que participa nas atividades criativas que organizamos ligadas às artes tradicionais, é sobretudo um cliente estrangeiro. Diria ainda que nos últimos dois anos, tem havido um interesse por parte da hotelaria de luxo algarvia, ligar-se à identidade e cultura da região», como forma de se posicionarem de forma diferenciada no sector.

O projeto TASA nasceu de uma iniciativa da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional (CCDR) do Algarve iniciado em 2010. O objetivo é afirmar o artesanato regional enquanto profissão com potencial de futuro. Desde 2013, no âmbito de protocolo de colaboração, sem custos para a CCDR, a empresa de turismo responsável e desenvolvimento local Proactivetur Lda, está a dar-lhe continuidade.

O projeto TASA foi nomeado, no final do mês passado, finalista do «Prémio Mercúrio – o melhor do Comércio e Serviços», na categoria de comércio não-alimentar. Esta iniciativa é promovida pela Confederação do Comércio e Serviços de Portugal e pela Escola de Comércio de Lisboa, e conta com o alto patrocínio do Presidente da República. Foi a única iniciativa no Algarve a ser nomeada no âmbito das cinco categorias de um prémio que «visa identificar, reconhecer e premiar entidades e personalidades que, em Portugal e de forma consistente, tenham contribuído para a valorização do Setor do Comércio e Serviços e das profissões a este ligada». Para a equipa, esta distinção é um reconhecimento do trabalho desenvolvido em prol da valorização das artes tradicionais e da sua afirmação como uma profissão de futuro.

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