Prémio Museu de Portimão distinguirá o mais acolhedor da Europa

Protocolo permitirá uma estreita parceria entre Portimão e o European Museum Forum, sendo que a estrutura instalará o secretariado administrativo e arquivo geral do EMYA no museu portimonense, além de criar um novo prémio.
José Gameiro, João Vieira, Isilda Gomes e Jette Sandahl, presidente do European Museum Forum.

As duas grandes novidades que se concretizam com a assinatura de um protocolo de cooperação entre a Câmara Municipal de Portimão e o European Museum Forum (EMF), celebrado na quarta-feira, 11 de julho, são a criação de um gabinete do prémio europeu do ano no Museu de Portimão, bem como um prémio que distingue aqueles, que à semelhança do exemplo portimonense, são os mais acessíveis e acolhedores.

Ou seja, será criado o Prémio Museu de Portimão, pela primeira vez, no âmbito do Prémio Museu Europeu do Ano (European Museum of the Year Award – EMYA) organizado, desde 1977, pelo EMF e pelo Conselho da Europa. Será patrocinado pela Câmara Municipal de Portimão, visando distinguir todos os anos o museu mais acolhedor da Europa, cuja atribuição terá lugar em maio de 2019, na cidade de Genebra, na Suíça, na próxima cerimónia de entrega dos prémios EMYA.

A ideia será destacar aquele que demonstre e melhor transmita uma atmosfera amigável e humana de acolhimento dos visitantes. Em Portimão, na infraestrutura cultural, que é um elogio à antiga indústria conserveira como uma das maiores memórias do passado do concelho, será ainda instalado o Secretariado Administrativo e o Arquivo Geral do EMYA.

É, aliás, pelo espírito acolhedor que Portimão foi o escolhido para acolher estas iniciativas tal como Jette Sandahl, presidente do EMF, explicou ao «barlavento». «É difícil» explicar o porquê da escolha de Portimão «sem utilizar clichés, mas quando digo encontrar uma casa [to find a home], é o que esta cidade, e de alguma forma, o que Portugal dá. É um país incrível e, tal como, no Algarve e aqui, as pessoas são muito hospitaleiras e acolhedoras. Por isso, a escolha não é acidental», justificou a responsável pelo EMF.

E a expressão «encontrar uma casa» é usada neste contexto com seriedade, havendo uma reflexão sobre este tema. «Como é que as pessoas da nossa organização, a nível interno, pensam isto? Temos um lugar onde pertencemos? Se é que pertencemos a algum lugar? E, de facto, este é um bom sítio para nós», argumenta. «Se conseguirmos fazer com que esta parceria resulte mesmo, vejo muitos projetos futuros que podem ser concretizados, como uma Escola de Inverno do Museu de Portimão», com duração de uma semana, «além do Prémio do Museu de Portimão» que será agora criado e que de alguma forma colocará a cidade no centro do que é feito pela EMF e pelo EMYA.

O museu portimonense, que já foi galardoado com o Prémio Museu Europeu do Ano pelo Conselho da Europa em 2010, tem uma atmosfera própria que cria experiências, como referiu a responsável.

«Decerto já entrou em museus em que se sentiu indesejada, ou que não era aquele o seu lugar. Todos nós, quem visita com frequência, já sentimos isso», afirmou. Quer seja pela educação, quer seja pelo estatuto social, quer seja pelo género. «Sabe como é para uma pessoa de cor ir a um museu onde todo o staff é branco» e onde ainda há uma sociedade com preconceitos, confidencia, acrescentando que ainda existem museus que não descobriram como fazer com que todas as pessoas se sintam bem. Em contrapartida, há os que o fazem quase por instinto ou intuição.

«Trabalhei no Museu Te Papa Tongarewa, em Wellington, na Nova Zelândia», com referências à cultura Maori, «e não há uma única pessoa que entre naquele espaço sem que seja pessoalmente cumprimentada e lhe sejam dadas as boas vindas. É todo um ritual que pertence àquela cultura», revela. Neste caso, Portimão também está no top do acolhimento, situado num país habituado a lidar com o entra e sai do turismo, caracteriza.
São estes aspetos que valorizam o Prémio a que o Museu de Portimão dá nome, mais do que o espólio exposto. «Poderia dar-se o caso de o prémio ser entregue a um espaço com uma coleção» mais fraca, «mas se as pessoas sentirem que pertencem àquele lugar e que podem explorar a sua história lá, então» será um forte candidato, concluiu.

Satisfeita pela escolha do equipamento cultural, Isilda Gomes, presidente da Câmara Municipal de Portimão, fez questão de dizer à responsável da EMF que aquela é «agora a sua casa». Agradeceu o desafio a José Gameiro, diretor científico do Museu de Portimão, ressalvando que a estrutura «entra agora numa nova etapa no que diz respeito aos prémios dos museus europeus», o que «dá um peso e visibilidade diferentes» ao equipamento portimonense.

Apesar de já ser conhecido na Europa, a autarca considera que Museu de Portimão nunca será conhecido demais. «Temos sempre que construir estratégias que possam fazer uma divulgação, cada vez maior, daquilo que temos em Portimão. Há muitas pessoas a visitarem este Museu e depois dizem-me que não esperavam encontrar nesta cidade um equipamento com esta força e dinâmica, o que é altamente positivo», assegurou. Nesta caso, a autarca também não esqueceu de agradecer o apoio do Grupo de Amigos do Museu de Portimão, que são «parceiros de corpo inteiro de quem gere o Museu e as suas estratégias. Temos que ter um trabalho cada vez mais articulado no sentido de que os projetos que se desenvolvam tenham consistência, futuro e dignifiquem este museu», resumiu.

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