Pranchas de paddle algarvias conquistam mercado europeu

Marca nascida em Portimão, com fabrico na margem sul de Lisboa, está pronta para conquistar o mercado nacional e europeu. Já há procura neste que é o ano zero da «Honulele».

Um encontro insólito com uma tartaruga na Boca do Rio, junto à margem do Arade, deu forma à imagem da marca «Honulele», criada em Portimão, pelo empresário e praticante de paddle Guilherme Martins. A ideia de fabricar pranchas surgiu, quando agarrou a oportunidade de ter uma concessão na praia de Alvor.

Queria disponibilizar aos banhistas o equipamento para experimentarem este desporto. No entanto, apercebeu-se que faltava uma oferta acessível no mercado para quem pratica o desporto. Resolveu o problema por conta própria, passo a passo.

«Quando comecei, entre 2011 e 2012, havia apenas meia dúzia de marcas. A nível internacional havia pouca oferta», justificou ao «barlavento».

Numa primeira fase, Guilherme Martins começou por comprar as pranchas no mercado asiático, diretamente às fábricas, e a comercializá-las em Portugal. «Eles mostravam-me o que tinham, mas eu é que escolhia as matérias primas, o tipo de construção, desenhos, tudo», explicou.

Tiago Trindade, primo do empresário, já estava há vários anos no negócio de importação, ainda que noutro sector, e aceitou o desafio de viajar até à Ásia para ver in loco estas fábricas de pranchas de paddle. Tornaram-se sócios, criaram um conceito e, a partir dessa altura, investiram num novo negócio associado a este desporto que começa a ganhar muitos adeptos na região.

Cada um elaborou uma proposta de modelo de negócio, Guilherme Martins sugeriu alguns nomes para a marca, mas ficou Honuhele numa alusão ao episódio da tartaruga. «Tive um encontro com um exemplar enorme desta espécie à entrada da Boca do Rio. Estava a remar, vi algo no meio dos molhes e até pensei que fosse uma bola. No entanto, quando cheguei perto vi que era uma tartaruga enorme, que devia estar perdida», contou o empresário ao «barlavento». Assim, Honu é a palavra havaiana para tartaruga e Hele significa no mesmo idioma movimento, viagem.

Essa mesma história foi relatada, mais tarde, ao designer que concebeu a imagem da marca, que apresentou um logótipo inspirado. «Gostámos e a imagem tem sido metade do sucesso que temos tido, a par do design das pranchas que temos apresentado», admitiu Guilherme Martins, que apesar de ser de Cantanhede, perto de Coimbra, já escolheu Portimão para morar, constituir família e para ser a casa do projeto. Aliás, reforçou ainda ao «barlavento» que a maioria dos potenciais clientes contactam-no devido ao logótipo com a tartaruga.

Guilherme Martins.

A dada altura deste percurso, questionou-se se devia implementar uma fábrica própria no país. Isto porque, sempre houve interesse da parte do praticante em fazer as pranchas rígidas no seu país.
«Portugal tem um bom know-how, está ligado ao surf há vários anos, é referência mundial neste desporto, há bons shapers, temos pessoas que sabem trabalhar este tipo de matérias primas. Porque é que estamos a produzir lá fora, quando aqui há tudo o que preciso», questionou.

Com estes argumentos, resolveu, no ano passado, iniciar o projeto de produção de pranchas em Portugal. Apesar da marca ser portimonense e estar implementada neste concelho, a opção da localização da fábrica recaiu por uma zona mais a norte no país, na margem sul de Lisboa, «sobretudo por causa da mão de obra, que requer que seja especializada», justificou. As insufláveis continuam, porém, a ser importadas, devido à forma como são feitas. «Este vai ser o ano zero do lançamento das nossas pranchas made in Portugal», destacou. E já há bastantes interessados na Honuhele, pois o mercado tem crescido e há cada vez mais praticantes.

No que toca à comercialização, em revenda, sob a alçada de outras marcas, o empresário «apresentou este projeto e ficaram entusiasmados. Acho que vai valer a pena fazer as coisas cá. Temos bastantes estrangeiros que gostam do projeto por ser português e querem levar a minha marca para o resto da Europa, porque todo o conceito da Ásia está um pouco esgotado. Nota-se que as pessoas querem valorizar aquilo que é europeu e já tenho quem queira trabalhar connosco», assegurou. A equipa não é grande para já, mas serve para dar conta das encomendas. São três trabalhadores em permanência, sendo que quando o volume aumenta há reforço de mão-de-obra.

Pranchas são personalizáveis

As pranchas de paddle da Honuhele, marca criada por Guilherme Martins, em Portimão, podem ser à vontade e gosto do cliente. Há modelos idealizados pela marca, mas também há abertura para as pessoas desenharem a própria prancha personalizada. «Podem decidir o tipo de construção que pretendem, bem como os tamanhos. Estou agora a apoiar um cliente alemão, que quer fazer uma prancha para travessia, para andar rápido, mas que seja estável. Vai ser muito específica, mesmo a nível de pintura, de construção e dos materiais», exemplificou. E há modelos para várias bolsas, pois o preço pode variar entre os 500 euros e os três mil euros. «As mais básicas, com o valor mais baixo, são as pranchas insufláveis, de utilização muito fácil, que as pessoas podem transportar numa mochila. Têm que enchê-las com uma bomba e são versáteis a nível de arrumação. Já no desempenho não são tão boas como as rígidas», diferenciou. O certo é que há cada vez mais interessados, estando a surgir também, segundo o investidor, uma nova forma de explorar a modalidade. Ou seja, há operadores de marítimo-turísticas que levam o equipamento no barco, transportam as pessoas, levam-nas a realizar um passeio, sendo que depois podem ir praticar paddle.

Paddle é um desporto simples, mas requer cuidados de segurança

Para quem nunca experimentou, o paddle é simples, mas requer alguma atenção quando é praticado, explicou Guilherme Martins, criador da marca Honuhele. «Pratica-se com uma prancha e uma pagaia, ficamos de pé e podemos remar para onde quisermos», resumiu. Aconselha o uso do leash, para unir o praticante à prancha, devendo ser praticado, no caso do Algarve, pela manhã. «Isto, devido às condições do vento. No verão, regra geral, há vento durante a tarde, por isso o ideal é praticar ao início do dia, quando há condições espetaculares para a modalidade, com o mar muito calmo», sublinhou.
O vento mais intenso pode ser perigoso, até porque pode empurrar o praticante para mar alto e se a pessoa não estiver em plenas condições físicas pode ter dificuldade a regressar para terra.
«Os interessados em praticar devem sempre perguntar aos prestadores deste tipo de serviços ou aos nadadores salvadores, quais são as condições do local, se há rochas, como é o vento», avisou ainda. No entanto, é um desporto que pode ser praticado sem «problemas de maior», desde que haja precaução e bom senso.

Categorias
Destaque


Relacionado com: