Portimão é ponto de partida para travessia do Atlântico a remo

Cinco mil milhas distanciam o Algarve de Miami e será este o percurso que um grupo de seis pessoas irá fazer num barco a remo, naquela que se adivinha uma aventura desafiante.

O barco entrou na água esta no final da semana passada, em Portimão, altura em que começou um desafio enorme para um grupo de seis pessoas que atravessará o Oceano Atlântico, entre Portimão e Miami, a remar. Serão cinco mil milhas e um percurso que não se sabe que aventuras gerará aos participantes, com duração prevista de 60 dias.

«Vamos atravessar o Atlântico desde Portimão até Miami, com uma curta paragem em Cuba (Havana). São cerca de cinco mil milhas, mas é seguro», afiançou Alex Dumbrava ao «barlavento», enquanto tratava de algumas questões de segurança, na segunda-feira, 5 de fevereiro, no Estaleiro da Marina de Portimão, no Parchal.

Será um percurso duro, feito num barco a remos, desenhado para este género de travessias, com três lugares para remar. De acordo com Niclas Olsen, outro dos elementos que colocará as suas capacidades à prova, haverá um revezamento, havendo três pessoas a remar duas horas, enquanto as restantes três descansam. Após esse período trocam de lugares, até porque só há três lugares para remar e dois compartimentos para descansar. Não está previsto qualquer paragem no ritmo. «Será contínuo. Não vamos parar, até porque não há hotéis, nem parques de campismo no caminho», disse Alex entre risos, acrescentando que as paragens só estão previstas caso se formem «grandes tempestades».

O barco, de acordo com os responsáveis, é seguro e foi desenhado para o remo em oceano, por isso, em caso de virar, retornará à posição inicial. Ninguém nesta equipa considera que a viagem será perigosa, comparando que talvez seja mais inseguro guiar um carro ou praticar escalada.

«Temos que ter cuidado durante todo o tempo, mas não sei se lhe chamaria perigoso. Claro que não temos nenhum controlo, porque as condições climatéricas e a natureza decidem quase tudo. Tentamos preparar-mo-nos o melhor que pudermos», dizia na segunda-feira Niclas Olsen.

A verdade é que navegam sem qualquer assistência, sem ser seguidos por qualquer outro barco. Irão sozinhos, por isso têm que ser auto-suficientes, levando por isso uma máquina para a água, água de reserva, peças sobresselentes e tudo o que é necessário para atravessar o Atlântico.

Mas qual a razão para se envolverem neste projeto? Por um lado, Issac Giesen, o neozelandês que já foi notícia em diversos meios de comunicação no estrangeiro por querer fazer esta travessia sozinho, conta que se juntou a este projeto depois de há cinco semanas ter sido desafiado pelos outros elementos.

Da equipa inicial faziam parte seis residentes nas Ilhas Faroé, mas como dois desistiram, foi necessário encontrar novos elementos. Assim, a Jógvan Clementsen, Jákup Jacobsen, Niclas Olsen e Edmund Berg, juntaram-se Alex Dumbrava, da Roménia, e Issac Giesen.

E se perguntarmos o que leva estes aventureiros a testar os seus limites nesta viagem, Issac não tem dúvidas de que tem planos para se divertir. A paixão pela água é natural, pois vive num país rodeado por ela, mas confidencia ao «barlavento» que ela lhe traz paz. «Perdi a minha tia e dois amigos para o suicídio e encontrei no oceano um lugar seguro para mim. Ainda o é» e é uma forma de combater as adversidades da vida. No entanto, é a primeira vez que se envolve numa viagem destas, apesar de assinalar que há travessias maiores, como é o caso da do Pacífico.

Já Niclas Olsen, por outro lado, admite que ainda não sabe bem o porquê de participar neste desafio. «Acho que só saberei quando acabar e se não souber terei de fazer outra viagem. Acho que não é necessário saber tudo», contou com boa disposição. Revelou ainda que já remou da Escócia até às Ilhas Faróe, um pequeno grupo de ilhas no Atlântico Norte, numa viagem de sete dias.

Alex Dumbrava, por seu turno, refere que concretizam este projeto porque podem fazê-lo. Uma resposta simples, ao qual acrescenta o fator paixão. «Eu treino há quase dois anos para outro projeto, mas como surgiu esta oportunidade, decidi juntar-me a eles. Isto será um bom treino para mim e para a minha equipa na Roménia. Já atravessei o Mar Negro, com outros quatro romenos, numa viagem de 600 milhas náuticas, entre Mangalia (Roménia) e Batumi (Geórgia). «E isto é o que que gostamos de fazer», justificou.

A paixão nasceu há dois anos quando tomou contacto pela primeira vez com este desporto extremo, recorda. Nessa altura foi convidado para um outro projeto no seu país, com outros três compatriotas. Resolveu há quatro semanas aceitar o desafio desta travessia.

Para Niclas e Alex esta foi a primeira vez que estiveram em Portimão e daquilo que viram apreciam a comida, o clima e a aceitação das pessoas locais, que se mostraram disponíveis para ajudar e foram simpáticas, descrevem.

«As pessoas ajudaram bastante, desde tirar o barco do contentor, e, espero, colocá-lo na água», avançou Alex Dumbrava. Apesar de já ter estado em Lisboa, nunca tinha estado no Algarve. Apenas Jacob já esteve naquela cidade.

Já Niclas reforçou que um dos grandes apoios têm sido os patrocinadores que auxiliaram a tornar esta viagem uma realidade. O projeto pode ser seguido na plataforma on-line
(voyagebeyondthehorizon.com).

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