Portimão a dois meses de saber se será Cidade do Desporto

Concelho já entregou o dossier de candidatura, sendo oficial a entrada na corrida, a par de Cascais, à denominação de cidade europeia em 2019.

«Paixão» e «dedicação» foram as expressões mais repetidas durante os três dias de visita da ACES (European Capitals and Cities of Sport Federation) Europa a Portimão, na semana passada, para avaliação. A decisão será anunciada daqui por dois meses, a 30 de janeiro, mas no que toca ao esforço empenhado para defender a candidatura a Cidade Europeia do Desporto em 2019, todos são unânimes em considerar que a cidade algarvia já é uma vencedora.

Aliás, Gian Francesco Lupattelli, presidente da ACES Europa, afirmou na conferência de imprensa, no Clube Naval, na quarta-feira, 15 de novembro, que «Portimão criará problemas a Cascais», a oponente nesta corrida. São 50 por cento de hipóteses para cada um dos municípios, ainda que, na opinião deste responsável, «Portimão tenha uma boa capacidade» de defender o título de Cidade Europeia. Ainda assim, o importante é «participar».

A candidatura portimonense apoia-se no esforço que a prata da casa tem feito nos últimos anos em prol do desporto. Sob o slogan «Mais desporto para todos», «Portimão tem toda a legitimidade em sonhar e acreditar que pode vir a ser Cidade Europeia do Desporto. Mais importante do que as infraestruturas ou do que acontece aqui», esta candidatura prima pela «genuinidade», por ser feita com as pessoas da terra, afirmou Custódio Moreno, diretor regional do Instituto Português do Desporto e Juventude (IPDJ) no Algarve.

Tal como é o objetivo deste galardão, o elemento fulcral é o incentivo à prática do desporto na comunidade, bem como fazê-la crescer. Por esta razão, Custódio Moreno considera fundamental o lema adotado na candidatura portimonense. «É o desporto para todos. Não é só para quem está no pódio ou para uma elite. O desporto é inclusão, é igualdade de género, é adaptado, àqueles que sofreram dificuldades na vida, é o desporto no bairro e na periferia», para carenciados ou não, defendeu. E baseando-se nestes pressupostos tem a convicção de que Portimão irá ganhar.

Quem tem mesmo a certeza de que Portimão já ganhou é Desidério Silva, presidente da Região de Turismo do Algarve (RTA). Isto porque, a candidatura é genuína, natural e elaborada com um esforço maior do que as outras. «É a candidatura de um município que passou por dificuldades, que as ultrapassou e que conseguiu agarrar-se àquilo que é mais nobre, que são as pessoas e o movimento associativo», justificou, acrescentando que Portimão não obteve nada de bandeja ou comprado. «Foi tudo conquistado com suor, alma, paixão e muita dedicação. Quando digo que ganhou é neste contexto. Estou convicto que já ganhou por ser capaz de se organizar e de preparar um documento que o ACES perceberá».

Desidério Silva vai mais longe ao referir que esta candidatura poderia dar o mote para motivar, no futuro, a criação de uma Região Europeia do Desporto, tendo em conta que já há muitos passos dados. «Os municípios do Algarve entregam-se e trabalham muito estas questões do desporto e das atividades» e, seria uma ideia concretizável desde que contasse com o apoio do «governo, das autarquias e com a nossa capacidade de defender e valorizar uma região», disse.

Facto é que, caso Portimão vença, não será uma mais valia apenas para o concelho, mas para todo o Algarve. «Hoje não é só Portimão que está a candidatar-se. É o Algarve. Esta candidatura representa o desporto algarvio, representa mais de 750 clubes, mais de 60 modalidades desportivas e um conjunto enorme de eventos que promovem cá», justificou.

Pela importância do esforço aplicado, Custódio Moreno assegurou ainda que «o IPDJ do Algarve fará tudo o que estiver ao alcance» para apoiar a cidade, assumindo desde logo o «compromisso do apoio financeiro do Instituto. Tentarei até que seja superior àquilo que está falado», garantiu.

A representante da candidatura Isilda Gomes, presidente da Câmara Municipal de Portimão, justificou que a decisão de avançar com este processo foi o reconhecimento da «persistência e da capacidade de resistir às dificuldades dos portimonenses e do movimento associativo». «É uma candidatura que abrange todos e que foi feita por todos, liderada por uma equipa técnica brilhante», disse a autarca.

Não é para construir infraestruturas, ainda que haja previsão de novos projetos. Na ótica de Isilda Gomes é uma forma de promover a «saúde para todos, o desporto para todos e uma vida saudável», não sendo necessário grandes infraestruturas, ainda que estas existam no concelho.

«Só a elaboração desta candidatura já mostrou que vivemos numa cidade em que, quando é preciso, somos capazes de nos unir», afirmou. Apesar de ser um objetivo para 2019 e, qualquer que seja a decisão, a autarca refere que a intenção é continuar a promover uma política forte de prática do desporto. Aproveitou as dicas dos especialistas durante a avaliação que decorreu na semana passada para pensar em novas medidas. É o caso, como disse na conferência, de uma maior proximidade com os médicos. «Os nossos técnicos já estão a trabalhar com cidadãos, que são orientados para um determinado tipo de desporto por parte do Centro de Saúde, mas a proposta que foi feita é que haja um maior acompanhamento por parte destes médicos, seguindo a evolução desses cidadãos», esclareceu.

Apesar de não haver grandes obras, a presidente da autarquia continua com o objetivo de construir a pista de atletismo, estando a ser estudadas várias opções de localização. «Construí-la–emos quer sejamos Cidade do Desporto ou não», afiançou. A curto prazo será ainda terminado o Pavilhão da Boavista, que «ficou a meio», bem como dois campos de futebol relvados para as camadas mais jovens.

Na opinião de Isilda Gomes, para praticar desporto não é necessário grandes edifícios, mas a mobilização dos cidadãos e ter várias modalidades disponíveis de forma a que cada um possa optar pelo que mais gosta. Outra das apostas da autarquia será na criação de espaços informais no concelho, dando uma segunda oportunidade, por exemplo, a jardins que estão subaproveitados. «Há propostas de residentes para diversas zonas de construirmos parques informais de desporto», concluiu. Essas são ideias que avançam, quer haja Cidade Europeia ou não. A decisão, essa, porém, só será conhecida daqui a dois meses.

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