Pestana investe em Lagoa com resort e campo de golfe

Gramacho Residence deverá abrir a 1 de janeiro de 2018, tem uma área total de 5,1 hectares e representa um investimento de cerca de 5 milhões de euros.
Pedro Lopes, administrador do Grupo Pestana no Algarve.

O Pestana Gramacho Residence, junto aos campos Gramacho e Vale da Pinta, em Lagoa, deverá inaugurar a 1 de janeiro de 2018, sendo este o mais recente projeto do grupo naquele concelho. Ao «barlavento», Pedro Lopes, administrador do Grupo Pestana no Algarve, revelou que está prevista também a construção de um novo campo de golfe e de mais uma unidade.

«Compramos este ano um pequeno resort, vizinho do Gramacho que se chamava Noria Velha. Ainda chegou a abrir, mas depois houve problemas com a banca e fechou», contou. Como esteve encerrado, foi vandalizado, por isso o grupo teve que recuperá-lo. Fica numa área de 5,1 hectares. Aproveitou assim a oportunidade para realizar um upgrade, passando de 3 para 4 estrelas. «Será o futuro Pestana Gramacho Residence Hotel Apartamento. Vamos manter os 34 apartamentos (T1 e T2) que já existiam, mas vamos fazer mais 20 quartos, porque acreditamos neste destino turístico relacionado com o golfe e com Ferragudo», confidenciou.

Na prática, a cadeia hoteleira não tem nenhum hotel naquela zona, junto aos campos de golfe. Assim este resort, composto por villas e apartamentos, vai servir de apoio a ambos. Custará, no total, cinco milhões de euros e criará cerca de 25 postos de trabalho.

A ideia é apostar na relação preço e qualidade, direcionado para pessoas que se deslocam ao Algarve para jogar golfe e que não se preocupam onde ficar durante a estadia, mas que querem ficar perto dos campos. O espaço terá duas piscinas, «ginásio, jardins grandes e bonitos, sendo quase uma quinta», comparou.

Mas há mais novidades para Lagoa, pois o grupo tenciona ainda investir num campo de golfe com resort, cujos custos ainda não são revelados. Segundo avançou Pedro Lopes, «no próximo ano, tentaremos que o campo, geralmente com processos de licenciamento mais complexos pelos estudos de impacto ambiental, águas, comece a ser realizado». Será o terceiro naquela zona e ocupará cerca de 50 a 60 hectares, num terreno que fica localizado entre o Carvoeiro Golfe e Ferragudo. Será um campo com 18 buracos, apoiado por um resort com casas de, no máximo, dois pisos, zonas verdes, villas e apartamentos, a construir depois.
«Em Lagoa, terminamos um ciclo muito grande, em que fizemos dois campos de golfe de 18 buracos (Gramacho e Vale da Pinta) e cerca de 500 fogos, numa propriedade com 170 hectares», afirmou Pedro Lopes. Agora é tempo de apostar em novos projetos.

O espaço do Carvoeiro Golfe foi adquirido em 1996, ao Tribunal Suiço, como parte de uma massa falida do grupo alemão Müller, cujo responsável fez investimentos noutros países que não correram bem. O Grupo Pestana há 20 anos viu a oportunidade neste espaço porque, segundo Pedro Lopes, «tendo muitos hotéis, sobretudo na área de Alvor e aqui nos arredores, eram necessários campos de golfe para a época média e baixa. Compra-mo-lo não tanto pela imobiliária turística, que não era o nosso negócio, mas pelos campos de golfe», explicou. A aposta correu bem, quer a nível do golfe, quer da imobiliária. «Fomos aprendendo, evoluindo, adaptando e, hoje, as 500 casas e apartamentos vendidas a uma média de 350 mil euros, mais ou menos, representam 175 milhões de euros», avançou.

E, segundo os inquéritos internos feito pelo grupo, as habitações foram adquiridas por pessoas que utilizam as casas e os apartamentos, em média, um terço do ano, que vão a restaurantes e supermercados na zona, compram bens para a estadia e promovem o Algarve e Lagoa nos locais onde vivem no resto do ano.

No caso dos campos de golfe, o grupo apostou na ampliação de 9 para 18 buracos no Gramacho, igualando o Vale da Pinta. «Compramos uma bolsa de de 40 hectares para essa ampliação», recordou.

Voltando à atualidade, «apostamos todos nas épocas médias. No pico do verão estamos cheios, por isso nessa altura, é uma questão de gerir e ajustar um pouco o preço. Tivemos mais ocupação nas épocas médias, nos meses de setembro, outubro, março, abril, maio, pois é nesse época que ainda temos espaço para crescer significativamente», considerou.

O grupo, que tem 90 unidades em 11 países, ficou no ranking da Hotels Magazine, publicação líder no sector da hotelaria a nível global, como cadeia líder em Portugal, ocupando ainda a 29ª posição na Europa e o 116º lugar a nível mundial. No Algarve contam já com 17 unidades hoteleiras, das quais três são Pousadas de Portugal. Tem ainda cinco campos de golfe. Nos investimentos recentes há o Pestana South Beach, em Alvor, um hotel boutique de praia que abriu em 2015, mais focado na geração millenius, e que custou 8,5 milhões de euros. Em 2016, foi reaberto o Pestana Alvor Praia após uma renovação que custou 7,5 milhões e, em agosto de 2016, o grupo ficou com a gestão do Pestana Race integrado no Autódromo Internacional do Algarve, em Portimão.

No geral, Pedro Lopes assinala que este foi um «bom ano» para o grupo, até porque os empresários e as entidades, como a Região de Turismo do Algarve, apostaram numa estratégia diferente.

Silves também terá nova unidade

A aposta do Grupo Pestana na região não se fica por Alvor e Lagoa, pois em Silves também há projetos previstos. A insígnia já detém um campo de golfe de 18 buracos, perto da fábrica Amorim e da Estação Ferroviária. «Temos autorizado um segundo campo de golfe, de 9 buracos para já, mas que queremos que venha a ser de 18, dois aldeamentos turísticos e um hotel. Vamos começar com o primeiro bloco de dez apartamentos e três villas, que compõem um dos aldeamentos turísticos, junto ao campo de golfe já existente», revelou Pedro Lopes. A intenção é ir fazendo a construção aos poucos, de forma sustentada, sublinhando o administrador que uma das villas já está comercializada. Já em Vila Real de Santo António, a renovação do edifício na praça pombalina, que se transformará em Pousada de Portugal, já deverá ter sido assinada na semana passada, pela Câmara Municipal, segundo adiantou o administrador.

«365 Algarve» vai ser divulgado em hotéis da região

A base da criação do programa cultural 365 Algarve pelo governo é o combate à sazonalidade na região e se a experiência, no geral, correu bem na primeira edição, na segunda experiência, a decorrer entre outubro e maio de 2018, apresentada ontem, 4 de outubro, houve arrestas para limar. Uma delas é a forma como o programa é divulgado junto dos turistas que estão alojados em unidades hoteleiras algarvias.

Na ótica de Pedro Lopes, administrador do Grupo Pestana no Algarve, a iniciativa ajuda a mostrar, àqueles que escolhem esse período para viajar, que a região tem vida e entra em consonância com a estratégia de hoteleiros, entidades privadas e públicas, que começaram a apostar em atrair clientes para a época média.

No entanto, na perspetiva de alguns empresários de hotelaria faltou uma maior divulgação junto destas unidades. «Tive pouco feedback dos clientes do Grupo Pestana. Ao contrário dos estrangeiros residentes, que são muito atentos e vão a este tipo de iniciativas, na hotelaria não foi muito divulgado junto daqueles que cá estavam em férias e, neste caso, culpo-me também a mim», admitiu Pedro Lopes.

Ou seja, o administrador sublinha que os turistas não se deslocam de propósito ao Algarve para ver uma iniciativa do 365 Algarve, mas se estiver na região, houver algo interessante perto da zona onde está alojado, e tiver conhecimento do evento, até poderá ir. «Os hotéis mostram aos clientes aquilo que lhes dão para mostrar. Se tivermos elementos para mostrar, explicar a quem está na receção no que consiste, já será possível explicar aos clientes. A Dália Paulo, comissária do 365 Algarve, que está muito aberta a novas ideias, tomou nota das nossas sugestões e o programa foi ajustado», afirmou.

Além da divulgação, Pedro Lopes defende que o programa deve focar-se mais nas zonas onde há turistas. «Percebo que também têm que ser feitos espetáculos no interior e para os residentes, mas devem ser, sobretudo, onde estão os núcleos de turistas como Loulé, Vilamoura, Alvor, Portimão, Lagos», exemplificou. Até porque o programa cultural, financiado com 1,5 milhões de euros pelos Ministérios da Cultura e Economia, para combater a sazonalidade tem que mostrar aos turistas que há eventos a decorrer em época média e baixa para que voltem nessas alturas ou façam promoção da região nos países de origem.

Pestana assegura que há procura para nicho all inclusive

O projeto que vai tomar forma em Alvor e que se traduz num pesado investimento do Grupo Pestana, não será para ficar vazio. Pelo menos essa é convicção de Dionísio Pestana, fundador do grupo hoteleiro que assinala 45 anos de presença em Portugal. Ao «barlavento», o empresário afiançou que vai ser um projeto com procura «por uma simples razão: a novidade».

«No Algarve e na Madeira, os resorts estão estabilizados há muitos anos. Falta novidade. O turista, que é um profissional viajante, vai vendo [o que vai surgindo] e escolhe, muitas vezes, em função do destino, mas também do produto. No entanto, se este não encaixa no destino ele muda» a estadia para outra localização, afirmou. Então, para este investidor, a lógica será procurar um nicho de mercado diferente para atrair. Apesar de já ser um mercado «grande», que viaja para opções como a República Dominicana, as Caraíbas ou Cabo Verde, ainda não cresceu em Portugal. «Por isso é que não tenho medo do produto», assegurou.
A verdade é que este novo empreendimento de cinco estrelas, cuja primeira pedra foi lançada na quinta-feira, 28 de setembro, representa uma aposta de 50 milhões de euros, ficando situado num terreno com 12,8 hectares, entre o Hotel Pestana Delfim, na praia Alvor Nascente, e o Pestana Alto Golfe.

«Tínhamos este terreno para imobiliária turística. Com o êxito que tivemos no Pestana Porto Santo, [no arquipélago da Madeira] com o all inclusive, com a procura e o pedido dos operadores, que nos diziam que era pena não ter um hotel deste tipo no Algarve, comecei a pensar que este terreno, junto ao mar e ao golfe» poderia ser uma hipótese, contou ao «barlavento». «Fiz contas, falei com as autoridades e nasceu este projeto», acrescentou.

Serão assim 300 postos de trabalho, que deverão começar a ser ocupados no verão de 2019, quando o projeto estiver concluído. Uma lufada para a economia local, conforme dá a entender Manuel Caldeira Cabral, ministro da Economia.

«Este é um investimento importante, que vai criar mais 300 empregos. O turismo está a crescer e bem. Cresceu 10 por cento no numero de turistas, mas teve mais 20 por cento nas receitas do turismo e cresceu com mais força nos meses da chamada época baixa,o que ajuda a rentabilizar os investimentos, a dar mais estabilidade ao emprego», disse, antes da cerimónia do lançamento da primeira pedra.

Dando um enquadramento nacional, o representante destacou os 600 milhões de euros em investimento em hotéis, quer em construção, quer em melhorias, nos últimos 18 meses. «Este é um investimento grande de 50 milhões que mostra que o turismo está a crescer hoje, mas que está também a criar condições para continuar a crescer», sob o apanágio da qualidade, sendo por isso sustentável.

Os postos de trabalho são importantes para o governante, mas a aposta não deve ficar pela criação de mais emprego. «Vamos ter que ter trabalhadores bem qualificados, mas também melhor remunerados. Há que valorizar os trabalhadores e nós fizemos um grande esforço em formação no sentido de aumentar os alunos na escola de hotelaria. Só pessoas mais profissionais podem fazer subir a qualidade do turismo», defendeu Manuel Caldeira Cabral. Por sua vez, só apostando na estabilização do emprego e no combate à sazonalidade será possível manter bons níveis ao longo do ano.

O facto é que «300 novos postos de trabalho diretos não é despiciente. Antes pelo contrário», reforçou Isilda Gomes, presidente da Câmara Municipal de Portimão, que acrescentou já ter dito aos responsáveis do Instituto de Emprego e Formação Profissional (IEFP) que têm que preparar efetivos e ativos para responder às necessidades do município.

«Conceber um projeto como este é um enorme upgrade para Portimão, mas também para o Algarve, porque oferece uma grande mais valia. Quantidade já temos que chegue. Precisamos de qualidade, de novas ofertas e o Grupo Pestana já nos habituou a esta qualidade», referiu a autarca, que fez questão de agradecer a Dionísio Pestana, a confiança em Portimão para investir.

O Pestana Quinta da Amoreira, tal como o «barlavento» já tinha avançado na edição de 28 de setembro, terá 450 quartos e suites, desenvolver-se-á numa área equivalente a 13 campos de futebol, em edifícios de 1 e 2 pisos. «No interior do empreendimento apenas se poderá andar ou a pé ou em veículos elétricos e vamos, na medida do possível recorrer a recursos renováveis e sustentáveis. Terá amplas zonas verdes, sete restaurantes e bares seis piscinas, SPA, campos de jogos e animação para pessoas de todas as idades. Vai atrair clientes do mercado all inclusive de cinco estrelas que hoje estão em resorts deste tipo espalhados pelo mundo», descreveu Pedro Lopes, administrador do Grupo no Algarve. Será ainda preservada a maioria das árvores existentes, sobretudo, a que uma grande amoreira que dá nome à unidade de luxo.
«Trata-se do primeiro hotel de cinco estrelas feito de raiz em Portugal focado neste mercado. Não é um segmento desconhecido para nós», pois o Pestana Porto Santo, com o mesmo conceito, já venceu diversos prémios de topo, afirmou o administrador. Esse será o standart, o desafio e a fasquia que o, ainda por construir, Pestana Quinta da Amoreira terá que alcançar ou ultrapassar.

Pestana aposta em capitais da Europa

Dionísio Pestana, empresário hoteleiro, não fecha a porta a novos investimentos no Algarve. «O nosso objetivo é consolidar a nossa posição como número um em Portugal e aproveitar os espaços e as oportunidades que possam surgir. Não vamos deixar de investir, porque temos este negócio há 45 anos e é para continuar. Neste momento, estamos a apostar em capitais da Europa [e nos EUA]. Vamos abrir o nosso hotel em Amesterdão daqui a dois meses, em Nova Iorque estamos a construir» duas unidades, bem como em Madrid que terá também dois novos hotéis, destacou o fundador do grupo. A ideia é apostar nestas metrópoles para complementar a base sustentada que já existe em Portugal.

Brexit ainda não tem alterações «expressivas» no turismo algarvio

O ministro da Economia Manuel Caldeira Cabral, à margem do lançamento da primeira pedra do novo investimento do grupo Pestana em Alvor, garantiu que «até agora as alterações dos resultados, a nível do mercado britânico, não foram muito expressivas. Estamos a trabalhar para que os ingleses continuem a ter confiança em Portugal e para que continuem a fazer turismo no nosso país», garantiu. O governante não teme, assim, os efeitos o brexit no turismo algarvio, pois «há uma longa tradição, que julgo que não desaparecerá, com o que está a ocorrer», justificou. A mesma opinião é partilhada por Dionísio Pestana, fundador do Grupo Pestana. «Os ingleses sempre vieram a Portugal, mesmo antes da União Europeia e do brexit. Acredito que Portugal para eles é a segunda casa», comparou.

Manuel Caldeira Cabral sublinhou, porém, que este não é o único mercado que merece especial atenção. A verdade é que a tutela assegura estar a trabalhar para diversificar mercados. «Temos que trabalhar os mais importantes, onde está também o inglês, mas este ano tivemos em vários outros mercados europeus, que veem noutras alturas do ano, um grande crescimento», disse. Assinala ainda o «fortíssimo crescimento», em particular no Algarve, do turismo de «pessoas mais velhas», do corporativo, com organização de congressos e eventos que não ocorrem na época alta. «E estamos a trabalhar com mercados mais distantes, que estão crescer mais de 40 por cento, como os Estados Unidos da América (EUA), o Brasil, os países asiáticos, onde se destaca a China, que tem agora um voo direto para Portugal. Esses mercados trazem pessoas que permanecem mais tempo, com estadias de 15 dias a um mês, e acabam por gastam mais», concluiu.

Número de turistas cresce e receita duplica

O Algarve tem tido um ano de ouro no sector do turismo e os números, segundo o responsável com a tutela, não mentem. O país «está a registar um aumento de turistas, mas também da qualidade dos turistas e do gasto por visitante», facto que podem ser entendidos como uma consequência da aposta na excelência do atendimento disponibilizado, referiu o ministro da Economia Manuel Caldeira Cabral, à margem do lançamento da primeira pedra do projeto em Alvor. «O que queremos é que os turistas tragam mais valor e isso só pode acontecer se se apostar na qualidade não só nos hotéis, mas também na restauração. Em 2016 quase duplicámos o número de Estrelas Michelin em Portugal», exemplificou. Essa aposta que tem vindo a ser feita está a ser reconhecida a nível internacional, tendo em linha de conta os prémios atribuídos nos últimos tempos. «É isso que está a trazer novos turistas, mas, cada vez mais, turistas que procuram descobrir mais atributos, de qualidade e não apenas de um destino de baixo custo», argumentou.

Um dos esforços destacados pelo ministro foi também o trabalho direto «com as companhias de aviação para que elas alargassem as rotas no inverno, porque se não o fizéssemos, podíamos fazer tudo para melhorar a oferta turística, que eles continuavam a não ter como cá chegar. Havia muitos voos no verão, mas depois metade desapareciam no inverno», recordou. Entretanto, em relação a esta situação surgiram notícias do fim da companhia área Monarch, na segunda-feira, 2 de outubro, que poderá criar muitas consequências negativas para o turismo algarvio. Outra aposta foi o «365 Algarve», programa cultural, para criar mais animação na época baixa, correspondendo ao que estava a ser vendido às companhias de aviação. Ou seja, que valia a pena ter voos no inverno, porque há eventos.

Categorias
Destaque


Relacionado com: