Novo ecoresort de Castro Marim avança em 2019

Investimento de 80 milhões euros privilegia a sustentabilidade e inclui hotel e spa wellness, apartamentos de baixa densidade e áreas para casas individuais numa quinta funcional junto ao Guadiana.
Charles Weston-Baker, diretor da Resort Developments Limited.

A intenção de urbanizar um terreno junto à Almada de Ouro, virada para a margem espanhola do Guadiana já tem quase duas décadas. Acabou por ficar na gaveta durante os anos da crise e agora surge com um novo conceito, mais atual, que integra turismo, natureza e sustentabilidade.

Para já, tem o nome provisório de Plantation Guadiana River e foi a principal novidade em destaque na conferência The Residential Tourism, Resort and Sustainability que teve lugar em Vilamoura, na sexta-feira, 23 de novembro.

«Foi-nos pedido para ressuscitar um antigo projeto para uma área de 240 hectares. Fomos ao local para perceber o que de melhor poderíamos fazer com esta propriedade, que é simplesmente maravilhosa. O nosso foco principal será não destruí-la», garantiu Charles Weston-Baker, diretor da Resort Developments Limited, empresa registada em Plymouth, Inglaterra.

«Trata-se de um vale próximo do Azinhal. O nosso conceito será recriar uma quinta funcional na parte que antigamente estava destinada à construção de um campo de golfe. Teremos duas áreas densas. A primeira será destinada a um hotel wellness com 50 suites, todas separadas entre si, construídas em materiais como pedra e madeira. Será um complexo muito leve em termos de infraestrutura, muito confortável, pensado para a privacidade e onde não será possível observar o vizinho do lado», uma filosofia parecida à da Herdade da Comporta, comparou.

«Na segunda parcela será construído um apartotel de 80 unidades», de piso único, com áreas de construção entre os 50, 80 e 100 metros quadrados e alguns lotes para moradias isoladas. «Tudo isto será pré-desenhado, o mais leve possível. Teremos iluminação controlada. O sistema de esgotos será muito moderno, de forma a reaproveitar a água, assim como energia e aquecimento solar. Este é um conceito pensado para o futuro. Vamos financiá-lo e arranjar parceiros para o concretizar. Temos algumas cadeias hoteleiras interessadas, como a Six Senses, mas ainda não fechámos negócio com nenhuma», adiantou Charles Weston-Baker ao «barlavento».

«O investimento total será 80 milhões de euros. Iremos começar o projeto daqui por 12 meses», ou seja, no final de 2019. «O plano estava suspenso e portanto estamos a tratar de toda a documentação. Devo dizer que temos tido bastante apoio de todas as entidades com responsabilidade sobre este território», sobretudo da autarquia de Castro Marim e da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Algarve (CCDR).

Em relação ao mercado-alvo, Escandinávia e norte da Europa surgem no mapa, mas não só. «Para nós é muito importante ter um preço muito acessível. Vamos começar com uma base de 350 mil euros» para as unidades (lodges) que até podem ter um terreno privado. Mas «isto será uma comunidade. As pessoas serão envolvidas em todas as atividades», garantiu.

«Quando estiver tudo completado, o terreno não irá parecer muito diferente. Haverá pomares e pomares e vinha. Há uma ruína com um lagar de azeite original que queremos aproveitar. Este é um ambiente muito sensível. Não se trata de caixas de cimento. Primeiro vamos construir o hotel, com uma pequena marina para canoagem, depois as 80 unidades (lodges) por fim, os lotes individuais».

Ian Cain, sócio da Resorts Developement e diretor da Ekogea, empresa que faz a consultadoria energética do projeto explicou ao «barlavento» que «estamos focados em todos os aspetos da sustentabilidade e não apenas nas energias renováveis. Queremos considerar sistemas de compostagem e digestão anaeróbia, ou de biomassa. Haverá muitos desperdícios da atividade agrícola de que poderemos tirar vantagem para produzir energia. Pensamos usar produtos de limpeza e fertilizantes orgânicos, para gerir e operar o resort sem químicos, para benefício dos hóspedes e do projeto em geral. A geografia do local terá de ser estudada para se perceber melhor os seus recursos e constrangimentos no que toca ao tratamento de águas e esgotos. Isto representa custos, mas também oportunidades de implementar processos não-tóxicos inovadores».

Ao longo de 25 anos de carreira, Charles Weston-Baker, esteve envolvido na construção mais de 200 resorts em 14 países, de todas as tipologias, incluindo a Quinta do Lago, onde trabalhou com André Jordan. «Ao longo deste tempo, observei uma grande mudança em termos da procura, do golfe tradicional para a sustentabilidade e a sensibilidade ambiental», disse. Neste projeto em particular, a inspiração é o Six Senses Douro Valley, em Lamego, onde há uma horta biológica que fornece frescos para o restaurante. Aqui a ideia é também cultivar aromáticas para fazer óleos a usar no spa.

Ouvida pelo «barlavento», a vice-presidente da Câmara Municipal de Castro Marim Filomena Sintra confirma que a autarquia já está informada. «De facto, foi-nos apresentado o projeto para perceber a nossa sensibilidade para readaptar o Plano de Pormenor, considerando que já levantaram o alvará de construção há uns anos e que o mesmo está suspenso. Nós achamos que é uma melhoria substancial e que se enquadra naquilo que são projetos inovadores, estruturantes e com sustentabilidade para o território. Abandonam o conceito de golfe e apostam no no sector primário, na agricultura, e acreditamos que é um fator diferenciador em relação a muitos outros projetos que já foram criados no Algarve, em que o principal objetivo é a qualidade».

Hyatt International de olho em Lisboa, Porto e Algarve

Nuno Galvão Pinto, da Hyatt International, confirmou também o interesse desta cadeia norte-americana em investir em Portugal, sobretudo nas áreas de Lisboa, Porto e Algarve. «Esta região tem um enorme potencial. Há cerca de um ano que estamos no país, à procura de projetos. Uma das dificuldades que temos encontrado é a falta de terrenos (sites). Outra tem a ver com o retorno financeiro que nós e os nossos investidores temos de fazer, pois neste momento, parece que há uma desconexão entre os preços que são pedidos no mercado e os preços que podem ser suportados», esclareceu. «No que toca a resorts, damos preferência a frentes de praia, mas isso é algo cada vez mais raro devido à recente legislação acerca de novas construções no litoral. É por isso que estamos à procura, quer a Barlavento, quer a Sotavento de outras opções. Mas estamos muito interessados e flexíveis no que toca a investimentos comerciais, standard de marcas e hotéis de praia. Estamos à procura», revelou. A Hyatt Hotels Corporation, tem sede em Chicago, e um portfólio de 13 marcas para diferentes nichos, com 698 propriedades em 56 países.

Evento com adesão «fantástica»

A primeira edição da conferência The Residential Tourism, Resort and Sustainability que analisa o sector do turismo residencial no Algarve e a sua sustentabilidade a médio e longo prazo, foi uma iniciativa do consultor de desenvolvimento turístico Andrew Coutts, CEO do ILM Tourism and Hospitality Real Estate Group Portugal, coorganizada pelo Dengun Digital Group. Estreou-se no Anantara Vilamoura Algarve Resort, na sexta-feira, dia 23 de novembro e é para repetir, segundo garantiu ao «barlavento», Jorge Cabaço, estratega de marketing senior da Dengun.

Andrew Coutts e Jorge Cabaço.

«O evento teve uma adesão fantástica de promotores imobiliários, investidores e profissionais de mercado. Houve muito interesse, tivemos informação, inspiração e sobretudo anúncios inovadores que nos levam a pensar em fazer próximas edições, não só neste formato de conferência, mas também noutros que estamos já a preparar para reunir o sector mais amiúde», revelou. «Trabalhamos para que as pessoas vejam o Algarve como um local onde podem viver, investir, trabalhar e um lugar onde todos possamos, em conjunto, crescer», acrescentou. «Aquilo que sentimos é que as pessoas querem trabalhar na ótica da sustentabilidade. Querem que os seus investimentos durem, que vão mais longe e portanto, têm de estar atentos aquilo que o mercado pretende. Ou seja, valores como o respeito pelo ambiente e experiências autênticas».

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