Nova loja Primark de Loulé será a maior de Portugal

Stephen Mullen, 51 anos, diretor geral ibérico da Primark, explica em entrevista ao «barlavento» porque é que o gigante retalhista do vestuário irlandês volta a apostar no mercado algarvio.
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A marca Primark abrirá a 27 de setembro a maior loja desta insígnia em território português, localizada na superfície comercial Mar Shopping, em Loulé, numa aposta que criará cerca de 150 postos de trabalho, estando o recrutamento ainda a decorrer. Em entrevista ao «barlavento» Stephan Mullen, natural de Old Castle County Meath, na Irlanda, atual diretor geral ibérico da Primark, cargo que ocupa há dois anos, revelou que «a loja de Loulé será a maior de Portugal», tendo uma área total de «4500 metros quadrados».

Há 32 anos a colaborar com marca retalhista do vestuário irlandês, o responsável ibérico esteve no Algarve há poucas semanas para coordenar os trabalhos do novo espaço e ultimar os detalhes para a abertura da loja.Esta será a décima loja do grupo no país e a 344ª em todo o mundo. Hoje, «empregamos mais de 2000 pessoas em Portugal. Só em Loulé iremos gerar mais 150 postos de trabalho que poderão aumentar consoante as necessidades e épocas do ano», assegurou.

Apesar de se escusar a divulgar o valor investido neste novo projeto, admitiu que foi «significativo» e que a escolha da localização foi influenciada por Loulé ser «o maior concelho do Algarve e pela centralidade». Também «acreditamos que este será o shopping do futuro. Foi uma excelente oportunidade», considerou. Abrir uma segunda loja na região significa também que o grupo está «muito contente com os resultados da ainda única loja do grupo no Algarve», no centro comercial Aqua, em Portimão.

No entanto, ambas as lojas serão muito diferentes. «Em Loulé apresentaremos uma imagem e dinâmica muito diferente da Primark de Portimão, que abriu há cinco anos. Teremos o nosso mais moderno conceito de loja com zonas de descanso para os clientes, onde estes poderão relaxar e, por exemplo, carregar os telemóveis. Disponibilizaremos wi-fi e toda a experiência visual da loja será bastante diferente. Na verdade, estamos sempre a adaptar a loja às necessidades dos nossos clientes, por isso, estamos sempre a evoluir na apresentação», avançou.

Outra das grandes alterações será a configuração dos «provadores unissexo», porque, «de acordo com a cultura ibérica, os clientes gostam desta partilha no momento de experimentar a roupa», desvendou. Outra novidade desta loja, não percetível aos olhos dos clientes, será o investimento que o grupo fará numa área comum destinada aos trabalhadores. «Os colaboradores da Primark terão acesso a uma moderna área de café com televisão, internet sem fios, e uma zona muito confortável onde poderão descansar antes ou depois do seu turno de trabalho», afirmou.

O investimento da marca em Loulé tem ainda uma vertente de responsabilidade social. Stephan Mullen explicou ao «barlavento» que tudo o que não é vendido nas lojas da Península Ibérica é doado à fundação europeia New Life Foundation. «Quando abrirmos a loja de Loulé iremos escolher um novo parceiro social no Algarve, no entanto, nunca anunciamos o nome dessa instituição», contou.

Em 2016, a Primark gerou cerca de «6 bilhões de libras», o que representa cerca de 6,5 milhões de euros. Os resultados referentes a 2017 serão revelados até ao final do ano.

«Mais de 800 pessoas já se candidataram para trabalhar na loja Primark de Loulé», e dessas, 50 pessoas já estão contratadas e encontram-se em formação na loja de Portimão, divulgou. Ainda assim, «continuamos a recrutar», alertou o diretor ibérico da Primark. A empresa tem colaborado com o Instituto de Emprego e Formação Profissional (IEFP) de Loulé e tem participado em algumas feiras de trabalho.

«Procuramos pessoas dinâmicas e com interesse em moda. Temos encontrado bons candidatos nesta área do Algarve», assegurou. E alicia novos possíveis colaboradores explicando que a Primark é «uma companhia muito jovem e proporciona excelentes oportunidades de progressão na carreira».

«Um dos nossos colaboradores portugueses juntou-se ao grupo enquanto gerente de loja Primark do Dolce Vita Tejo e agora é o nosso diretor comercial ibérico. O nosso diretor de Visual Marchandise (VM) para a Europa é português e juntou-se a nós no nosso mercado espanhol e agora trabalha em todo o mundo. Sempre que abrimos lojas em novos países proporcionamos internamente novas oportunidades profissionais para os nossos trabalhadores. Temos muitos formadores e supervisores portugueses. Há boas hipóteses dos nossos colaboradores ganharem experiência internacional se assim o desejarem», exemplificou.

«Enquanto montámos esta loja de Loulé convidámos colaboradores de outras lojas de Lisboa, Coimbra e Braga a formarem a equipa de Loulé. Temos mais de 70 mil empregados e destes mais de 65 por cento dos gerentes e supervisores já foram promovidos. Queremos que os trabalhadores possam adquirir o know-how, tenham a possibilidade de crescer dentro da empresa, viajar, ensinar e inspirar outros colaboradores», concluiu. As candidaturas deverão ser submetidas online através do website da insígnia (www.primark.pt).

Meias, toalhas e t-shirts são produzidas em Portugal

Stephan Mullen, diretor geral ibérico da Primark, explicou ao «barlavento» que a marca recorre a alguns fornecedores portugueses, sobretudo fábricas têxteis situadas no norte do país, para adquirir produtos como «meias, toalhas e algumas t-shirts» para serem comercializadas nas lojas no resto do mundo. Conhecida por praticar preços baixos na venda ao público, o diretor geral ibérico da Primark explicou como é possível para a marca comercializar produtos por esses valores. «Fazemos enormes encomendas, as nossas margens de lucro são muito pequenas, embora trabalhemos com as mesmas fábricas que a maioria da concorrência. Não temos intermediários, apostamos muito pouco em publicidade e possuímos uma ótima logística», enumerou. Por sua vez, «respeitamos muito o nosso código ético e todos os trabalhadores que colaboram connosco. Por este motivo, só no ano passado realizámos 3000 auditorias não anunciadas a todas as fábricas com as quais colaboramos para nos certificarmos de que todas as leis e condições de trabalho são cumpridas e respeitadas», afiançou.

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