Nova geração assume gestão do Centro de Línguas Cultura e Comunicação (CLCC) de Portimão

Passagem de testemunho na direção marca as bodas de prata do Centro de Línguas sediado em Portimão.

Já passaram pelo Centro de Línguas Cultura e Comunicação (CLCC), sediado junto ao Jardim Gil Eanes, em Portimão, 15 mil pessoas para aprender outros idiomas ou frequentar as formações que a escola tem vindo a promover. Numa altura em que perfaz 26 anos de vida, a direção vai mudar e dará a gestão financeira e pedagógica do Centro à geração mais nova. O casal fundador Ulla e Wilhelm Spang passará o testemunho aos filhos Tonia e André, que garantem ter como objetivo manter a qualidade do ensino, a flexibilidade e a abertura à comunidade, apostando nas novas tecnologias e equipamentos interativos.

«A ideia é manter o que fazemos de bom e inovar para expandir e investir noutras áreas de formação. Não ficar pelas que já oferecemos, mas diversificá-las. Temos o CLCC, com os diferentes idiomas, informática, gestão e desenvolvimento pessoal, seminários, temos traduções e aluguer de salas. O edifício é flexível e tentamos tirar partido de todo o potencial disponível», começou por explicar ao «barlavento» Tonia Spang, que ficará responsável pela vertente pedagógica.

Começou a trabalhar na secretaria há quatro anos, depois de terminar o Mestrado Integrado em Psicologia Social e das Organizações. Este é o ano de transição, ainda que a nova direção ainda não tenha tomado posse de forma oficial. «A decisão era sair do país ou voltar e trabalhar com a família. Acho que o projeto do CLCC é muito interessante por toda a diversidade e potencialidade que tem. Somos certificados pela DGERT em 12 áreas de formação e conseguimos adaptar os nossos produtos», referiu.

Já André, que ficará com a responsabilidade da gestão da empresa, ainda que as decisões sejam tomadas em conjunto pela direção, acredita que o facto de ter entrado primeiro como colaborador foi uma mais-valia para conhecer melhor a empresa. Apesar de terem sido sempre presença assídua no CLCC, por serem filhos dos proprietários, desde que terminaram a formação superior em Lisboa, optaram por retornar às origens e ficar na empresa que os pais solidificaram.

«Não comecei logo como gestor, nem me senti logo como tal. Tentei primeiro evoluir e aprender» com os atuais responsáveis, resumiu o jovem formado em economia. «Gosto de ter um desafio, conseguir evoluir num local de trabalho e ter expetativas para o futuro», confidenciou André Spang.

Por isso, promete que vai dar o seu melhor para continuar a levar o CLCC para a frente. A inovação é um dos fortes investimentos. «Já estamos aos poucos a avançar com a aquisição de equipamentos interativos, até porque o ensino está a entrar noutra era», justificou o gestor.

«Temos vários objetivos, a longo e a curto prazo. Para já, foi definitivamente implementada na área das línguas, a formação mais digital. Isto é, usamos todos os nossos manuais, sobretudo nos cursos em inglês e em alemão, em formato digital. Temos projetores interativos, o que significa que a aprendizagem já não vai ser olhar para o livro, mas para o projetor, para o quadro, para o professor, para os colegas. São as novas tecnologias», evidenciou a jovem.

Apesar dos livros ainda serem utilizados, em particular nos cursos onde há pessoas mais idosas, o CLCC vai passar a ter estas novas tecnologias. «Temos já também uma plataforma online (moodle), interna, onde cada aluno tem um acesso e pode consultar a informação», esclareceu Wilhelm Spang.

As novidades para este ano podem ser conhecidas ainda hoje e amanhã, dias 21 e 22, durante o evento «Dias de Porta Aberta». No entanto, a nova responsável avançou ao «barlavento» que o CLCC voltou a apostar na fotografia, na informática e apresenta iniciativas como o Café das Línguas.

«Ou seja, temos aqui os professores, temos um café e vamos convidar uma vez por mês, as pessoas que querem aprender um idioma, para vir falar com uma pessoa nativa, tendo oportunidade de conhecer a língua. Vai ser num ambiente descontraído, onde se pode beber um café e conversar um pouco. Estamos a apostar mais noutras áreas da fotografia, temos novos professores, que trabalham aqui na Escola Profissional Gil Eanes connosco. Vamos abrir cursos mais específicos e organizar uma noite fotográfica, acessível a qualquer pessoa, profissional ou amador. Vai ser durante todo o ano, a partir deste mês», descreveu Tonia Spang.

A intenção, segundo disse Wilhelm Spang, fundador do Centro de Línguas, é evidenciar o papel do café no edifício. «É o mais importante e sempre foi, porque é um ponto de encontro de tudo o que nós somos. A casa foi construída, de acordo com uma vaga cultural que se chama Bauhaus», expressão modernista, quer no design quer na arquitetura, disse ainda. No nosso caso, «construímos o prédio com meios pisos, sendo a ideia ligar todas as áreas de formação que temos disponíveis», por muito díspar que possa parecer cada uma, justificou Wilhelm.

O edifício moderno, a familiaridade do atendimento e acolhimento de alunos, a diferença e a qualidade da formação fizeram com que o CLCC crescesse na comunidade portimonense e se integrasse. «O centro é conhecido e isso também é algo que nos diferencia de outras empresas que vêm agora para cá. Muitas vezes, há jovens que vêm cá e dizem que os pais frequentaram aqui um curso», adiantou Tonia Spang.
Por sua vez, a abertura à comunidade é outra mais-valia. «Estamos aqui para ouvir professores, animadores que tenham propostas ou ideias novas. Queremos ser mesmo abertos», alertou o fundador, que destacou ainda a motivação de professores, que, por sua vez, conseguem assim incentivar alunos.

Para Tonia, há valores que têm que ser mantidos, como o ser «transparente, acessível, a escola do povo, aberta a todos, sem uma formação standartizada.

Se há uma pessoas que têm uma situação especifica podem vir cá e tentamos sempre ajustar. Ou seja, dar a melhor resposta àquilo que cada um precisa», disse Tonia Spang.

Para os pais, que agora cedem o lugar aos seus filhos, é motivo de orgulho verificar o interesse dos descendentes pelo CLCC. Apesar de serem família verdadeira, consideram que, no fundo, o próprio centro já é uma grande família.

Escola do povo, escola diferente

Foi em 1985, que o casal Ulla e Wilhelm Spang decidiu que o Algarve seria a sua nova residência. «Chegamos a Portugal, aprendemos a língua, conhecemos muitas pessoas e decidimos criar uma escola. Já trazíamos essa ideia quando cá chegámos», explicou ao «barlavento» Wilhelm Spang, fundador do Centro de Línguas Cultura e Comunicação (CLCC), situado em Portimão. A construção do edifício, em 1991 com pouco mais de metade da dimensão de hoje, foi o primeiro passo para avançar com a nova escola, que pretendia ser diferente. «Era a chamada escola do povo, algo que trouxemos da Alemanha, que direcionava a formação para os adultos. Foi muito bem aceite na comunidade», explicou o responsável.

«Era uma ideia diferente do que existia na altura e essa diferença era marcada também pelo próprio prédio», reforçou Ulla, acrescentando que, apostaram na informática, por exemplo, que ainda estava numa fase muito inicial. «Tínhamos um computador para cada aluno», o que já era algo extraordinário, sublinhou. Na viragem do século, em 2000, a direção voltou a apostar em força na escola, aumentando a área do imóvel, criando novas salas de formação e outros espaços. Foi também pela mão deste casal que nasceu uma das primeiras escolas profissionais no país.

«No Algarve fomos, se calhar, o terceiro estabelecimento de ensino profissional a ser criado», recordou Wilhelm Spang. Hoje, tanto o CLCC como a Escola Profissional Gil Eanes funcionam no mesmo espaço, mas são empresas diferentes. «Um dia separamos as duas e o CLCC cresceu direcionado para a formação contínua, enquanto a Escola Profissional Gil Eanes de Portimão ficou para a formação profissional», diferenciou. Apesar desta separação, ambas funcionam no mesmo edifício, ocupando o ensino profissional o horário da manhã e da tarde e o de línguas para adultos o horário pós-laboral.

Crise foi dura, mas CLCC manteve-se estável

A grave crise económica e social dos últimos anos afetou também o Centro de Línguas, não tendo sido um percurso fácil. «Sobrevivemos nestes anos muito difíceis, a nível económico, e não foi fácil», admitiu Ulla Spang. Ainda assim a flexibilidade tornou o CLCC «muito estável», pois este estabelecimento adequa os conteúdos da formação à procura e à necessidade das pessoas. «Alguém que nos procura para aprender alemão, vamos perceber primeiro porque é que precisa de saber esse idioma. Se é porque trabalha em hotelaria, em restauração ou se é porque gosta de viajar», exemplificou Wilhelm Spang. A partir dessa entrevista, os responsáveis criam grupos consoante os níveis dos formandos. «Também aconselhamos e apresentamos opções», reforçou ainda Ulla, pois, por exemplo, «se virmos que a pessoa quer aprender em pouco tempo, há a hipótese de frequentar aulas particulares». Neste momento, a escola tem cursos de línguas como o alemão, francês e inglês, bem como o português para estrangeiros. A direção nota um aumento do interesse de cidadãos franceses e finlandeses. «Quando abriram as fronteiras tínhamos uma onda de pessoas russas. Neste momento é o francês», afirmou o responsável pelo CLCC.

São flutuações que variam conforme a realidade social também. «Há quatros anos, quando ainda estávamos muito naquela fase de crise, o alemão era muito procurado, pois havia muitas pessoas que queriam ir trabalhar para a Alemanha. O inglês é algo constante, bem como o português para estrangeiros. Vêm também muitos finlandeses, desde há um ano», avançou Tonia. O seu pai Wilhelm acredita que, em parte, este facto tem que ver com os benefícios fiscais para os estrangeiros que optam por ter residência em Portugal. A verdade é que em qualquer local, mas, sobretudo, num destino turístico como o Algarve é quase obrigatório saber mais do que um idioma, por isso o CLCC adapta conteúdos e formação ao que a população necessita. Outra das novas apostas na região é o alojamento local, havendo, por isso, também seminários sobre este tema neste estabelecimento, além de cursos direcionados para o turismo e hotelaria. E tanto há a possibilidade de um grupo de trabalhadores de uma determinada empresa realizar o curso neste local ou de os formadores se deslocarem à empresa. Em paralelo, o CLCC mantém a oferta dos cursos de fotografia ou a Summer School para crianças, durante o verão. Nos Dias de Porta Aberta, ainda a decorrer esta quinta e sexta-feira, 21 e 22 de setembro, além da oportunidade de conhecer o espaço, cursos e professores, o CLCC oferece a inscrição em qualquer formação.

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