Nova diretora do Conrad Algarve quer apostar nos jovens talentos

Apostar nos jovens talentos algarvios e ajudar a travar a sazonalidade são os objetivos de Katharina Sclaipfer, a nova diretora geral do Conrad Algarve Hotel.

Está desde janeiro à frente do Conrad Algarve, na Quinta do Lago, sucedendo ao austríaco Joachim Hartl. Teve apenas uma semana, em dezembro do ano passado para o handover com o antecessor. Katharina Sclaipfer chegou de Florença, onde dirigiu duas propriedades da cadeia Hilton. Antes, ocupou cargos na França e na Bélgica. Durante o percurso em Itália, participou na abertura do Hilton Molino Stucky, em Veneza, e desempenhou várias funções no prestigiado Rome Cavalieri, Waldorf Astoria Hotels & Resorts.

Portugal, não é, contudo, surpresa para a nova responsável. «O meu irmão trabalhou aqui no Algarve e, por isso, tive oportunidade de passar férias e de explorar bastante bem a região», revelou ao «barlavento». Questionada sobre o que pensa alterar no modelo de gestão desta unidade de cinco estrelas, adianta que «a estratégia será atrair mais hóspedes durante a estação baixa e de charneira. Penso que é importante trabalhar em parceria com as autoridades locais de turismo para tentar inverter a sazonalidade. O Algarve está muito representado no Reino Unido, mas acredito que podemos reforçar ainda mais a divulgação e promoção noutros mercados, como a Alemanha e França. Hoje não temos problemas nas ligações aéreas, mas é preciso que as pessoas saibam» aquilo que o destino tem para oferecer, além do golfe.

«Portugal está a tornar-se in. Temos visto como Lisboa e o Porto têm crescido em termos turísticos e penso que isso poderá ter um efeito benéfico para o Algarve, especialmente durante a estação baixa, que é para nós muito importante», frisou.

Outro objetivo pessoal de Katharina Sclaipfer é fazer «a diferença no que toca ao desemprego jovem. Queremos dar oportunidade aos talentos locais de ter no seu Curriculum Vitae a nossa marca. Isso poderá abrir-lhes portas para uma carreira de sucesso na hotelaria internacional no futuro. Sou muito sensível a esta questão, aliás, já o era na Itália», sublinha.

«Trabalhar com jovens significa que temos de despender mais energia e tempo para os treinar e dar-lhes ainda mais formação. Mas compensa muito. Se tiverem a atitude certa e a motivação, isso irá refletir-se na satisfação dos hóspedes», que hoje, segundo os dados avançados pela diretora, está acima dos 90 por cento.

«É sempre possível melhorar. Repare, que quem fica connosco tem o poder de compra para escolher» outros destinos de férias concorrentes, até os que não competem diretamente com o Algarve.
Para fidelizar as preferências «é estratégico que tenhamos boas reviews», sublinhou. As reservas para o verão de 2017 ainda não esgotaram, mas Katharina Schaipfer acredita que não terá dificuldade em atingir este objetivo.

O Conrad Algarve posiciona-se nos segmentos de golfe e leisure, e também está vocacionado para acolher famílias. Durante o inverno, a nova diretora geral quer atrair mais negócios e conferências. Além disso, tenciona manter «a ligação e a abertura à comunidade».

Katharina Sclaipfer «quando era jovem, quis conhecer Moscovo e São Petesburgo. Os meus pais não gostaram da ideia. Disseram que teria de ganhar o meu dinheiro para a viagem à Rússia. Um amigo da nossa família tinha um hotel em Munique. Pedi-lhe trabalho nas férias de verão. Ele aceitou e comecei a servir os pequenos-almoços». Gostou tanto da experiência que decidiu fazer uma carreira na hotelaria, que já soma 22 anos.

«A hospitalidade algarvia não tem concorrência»

Katharina Sclaipfer considera que «o Conrad Algarve é um hotel fantástico. É de um luxo acolhedor. Não intimida e é muito confortável. Penso que isso faz os nossos hóspedes sentirem-se desde logo bem-vindos». No entanto, o que faz a diferença «é termos uma equipa portuguesa».

«Creio que as pessoas aqui não têm noção, mas a verdade é que devem sentir-se orgulhosas de Portugal. É verdade. Sou uma grande fã da hospitalidade portuguesa», sublinha a diretora-geral, e justifica a afirmação com a sua experiência pessoal.

«Quando se viaja para trabalhar no estrangeiro, é sempre um desafio perceber como seremos recebidos. Aqui em Portugal, sempre me senti bem-vinda. Aliás, os nossos hóspedes dão-nos esse feedback. Há um sentimento muito genuíno, muito caloroso, na forma como os portugueses recebem quem vem de fora. Não é algo artificial, só porque tem de ser. É uma coisa natural e as pessoas sentem-no. Penso que isto faz toda a diferença»,explica.

«Eu já tinha este sentimento, porque ao longo da minha carreira sempre trabalhei com portugueses e só tive boas experiências. São pessoas honestas». Katharina Schlaipfer não consegue prever a duração da sua estadia profissional no Conrad, mas aponta para um mínimo de quatro anos. A viver em Vilamoura, gosta da gastronomia algarvia, da doçaria regional e das praias de Tavira. Monchique recorda-lhe a sua terra natal, Garmisch-Partenkirchen, na alta Baviera. Já visitou muitos locais considerados património mundial da UNESCO e vê com bons olhos a intenção do município de Olhão candidatar a Ria Formosa a este estatuto. «Do meu ponto de vista, penso que reúne todos os requisitos. A oportunidade que os turistas têm de colher e provar as ostras e as amêijoas, por exemplo, é algo de extraordinário», conclui.

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