Não faltará sardinha no festival portimonense

Portimão celebra uma das mais populares iguarias do verão algarvio no início de agosto. Além da tradicional sardinha assada, também o cartaz musical promete encher a zona ribeirinha da cidade.

Haverá sardinha mais do que suficiente para satisfazer todos quantos quiserem visitar o Festival da Sardinha, que decorre entre 1 e 5 de agosto, na zona ribeirinha de Portimão, naquele que é um evento que já conta com 24 edições.

Um dos mais emblemáticos festivais gastronómicos do país volta a ter lugar junto ao Rio Arade, com cinco noites de festa, onde a sardinha é servida no pão caseiro ou acompanhada pela batata cozida e a salada à algarvia. Aliás, o tema da sardinha foi um dos assuntos que Isilda Gomes, presidente da Câmara Municipal de Portimão, não deixou de mencionar aquando da visita de Ana Paula Vitorino, ministra do Mar, na semana passada. Além de desafiar a governante a inaugurar o festival que tem vindo a ser realizado desde 1985, tal como tem sido apanágio nos últimos anos, a autarca apelou a que Ana Paula Vitorino consiga garantir sardinha para os próximos festivais, ainda mais quando é tão falada a recomendação da pesca zero para esta espécie, já em 2019.

No entanto, Ana Paula Vitorino contradiz as previsões pessimistas, destacando que está a ser realizado «um trabalho muito aprofundado», que tenta conciliar a tradição gastronómica e o impacto social da pesca da sardinha com a sustentabilidade da espécie.

«Por um lado, queremos, por razões económicas e socais e até porque faz parte da nossa gastronomia, manter a captura das sardinhas. Faz parte da nossa cultura e é o ganha pão de muitos pescadores que têm alguma dificuldade quando baixam os stocks. Por outro lado, o outro grande objetivo é manter a sustentabilidade da sardinha, porque, de facto, tem existido, nos últimos 10 a 20 anos a esta parte, uma diminuição desta espécie na nossa costa», esclareceu.

É, inclusive, por este fator que a ministra quer equilibrar os dois pesos na balança, argumentando ainda que considera o parecer científico do Conselho Internacional para a Exploração do Mar (ICES) demasiado exagerado ao pedir a pesca zero desta espécie para que em 2020 seja garantida a pesca.

«O ICES dá um parecer com base na informação que tem, mas a verdade é que, muitas vezes, peca por excesso. Entendemos, tal como no ano passado, que não estamos em situação de fazer pesca zero, mas que podemos estabelecer um limite, eventualmente mais baixo do que o este ano, com medidas de gestão mais profundas», contrapôs.

A governante garantiu que há variáveis a afetar esta situação que têm que ser consideradas, afiançando, porém, que este ano haverá sardinha. Já em 2019, a questão pode não ser tão linear, ainda que a governante não defenda a pesca zero. «Houve um acréscimo da biomassa, ou seja, da quantidade total de sardinha que existe no mar português, que é superior ao ano passado. É uma boa notícia, mas outra que é má. Os juvenis são menos, o que significa que no próximo ano haverá menos sardinha», avançou.

É que este ano, na altura da reprodução e desova, o território foi assolado por mau tempo o que provocou a morte de muitos juvenis. Portugal está a trabalhar com Espanha, em contacto com a Comissão Europeia, para demonstrar que há razões sociais e económicas que levam a que os indicadores de mortalidade, natalidade, preservação da espécie não sejam tão exigentes como aqueles que são impostos pelo ICES.

Ou seja, segundo Ana Paula Vitorino, há uma preferência em continuar a ter possibilidade de pesca, mesmo que em limites inferiores, para atingir em 2022 ou 2023 a sustentabilidade plena da espécie, em vez de proibir nos próximos dois anos para atingir a meta mais cedo, em 2020. Além disso, a ministra aponta ainda a importância do trabalho que está a decorrer na Estação Piloto de Piscicultura de Olhão (EPPO) do Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA), onde os investigadores estão a estudar formas eficazes de num futuro não muito distante, tornar possível a aquicultura de sardinha em cativeiro.

A pouco menos de uma semana de começar aquele que é o festival mais emblemático de Portimão, não deverá haver problemas em garantir o abastecimento de sardinha para satisfazer a procura, ainda que nos últimos dias, o preço de venda ao público, por quilo, nos mercados algarvios, tenha atingido os dois digítos.

Certo será, que em Portimão, os cinco dias serão animados, com a autarquia a estimar repetir visitantes do ano passado. Este é um evento, que segundo a Câmara Municipal de Portimão, «volta a potenciar aos restaurantes mais antigos e tradicionais desta zona da cidade, garantindo que em qualquer estabelecimento da cidade é possível degustar este verdadeiro ex-libris como manda a tradição».

Os restaurantes À Ravessa, Casa Bica, Dona Barca, Forte e Feio, O Meco, Retiro do Peixe Assado, Ú Venâncio e Zizá são, de novo, os estabelecimentos associados, exibindo nas entradas dos seus estabelecimentos a insígnia «Aqui há Sardinha!». No total serão mais de dois mil lugares sentados, repartidos por oito restaurantes. Se a opção for a sardinha no pão, haverá dois pontos de venda junto à antiga lota (GEJUPCE Portimão – Gil Eanes Juventude Portimonense Clube e Boa Esperança Atlético Clube Portimonense).

Nas cinco noites, sempre a partir das 22 horas haverá grandes concertos no palco principal, junto à antiga lota, começando com Matias Damásio (dia 1), seguindo-se um tributo à banda Xutos & Pontapés, a cargo da banda local Xutos Total (dia 2), Raquel Tavares (dia 3), Ana Bacalhau (dia 4) e encerrando com o trio The Black Mamba (dia 5). A entrada é livre.

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