«Mira Sado» ficou à deriva na barra de Faro/Olhão

O barco da carreira «Mira Sado» ficou à deriva, com seis passageiros e três utentes a bordo, na manhã de hoje, terça-feira, 5 de dezembro.

Segundo o Capitão do Porto de Olhão Rui Nunes Ferreira, a embarcação estava a fazer a ligação entre as ilhas-barreira da Ria Formosa, quando teve uma fuga na tubagem do sistema de refrigeração do motor principal, que acabou por falhar.

Com a descida da maré, o «Mira Sado» acabou por ser arrastado até à barra de Faro/Olhão onde foi auxiliado pelo barco das ostras «Intrepide».

O comandante recebeu o alerta por volta das 8 horas, por parte de um familiar de uma pessoa que esperava a chegada do barco, na ponte do cais do núcleo do Farol, na ilha da Culatra, e que ficou em pânico ao ver os passageiros do «Mira Sado» a saltar borda fora para o «Intrepide», ao mesmo tempo que o barco ia sendo arrastado pela corrente em direção à barra.

Rui Nunes Ferreira confirmou ao «barlavento» que não recebeu nenhum reporte por parte do mestre do «Mira Sado», pelo que será instaurado um inquérito para se averiguar quais as razões que justificam a falta de comunicação.

Não tendo a potência necessária para rebocar o velho barco da carreira, o «Intrepide» fez o transbordo das pessoas que estavam a bordo, sendo que o «Mira Sado» acabou por dar em seco junto à Deserta.

Ainda segundo Rui Nunes Ferreira, não há registo recente de incidentes com este barco, que foi reparado e regressou a Olhão ainda durante a manhã, pelos seus próprios meios.

«Só não acontece a quem não anda no mar», comentou ao «barlavento».

Assim que recebeu o alerta, Rui Ferreira acionou de imediato dois meios de socorro afetos à Estação Salva-vidas de Olhão, que chegaram junto ao barco desgovernado às 8h22.

O episódio mereceu, contudo, forte condenação por parte do movimento «SOS Ria Formosa».

Em causa está a atitude do mestre do «Mira Sado» que mostrou «relutância» e «inércia em concretizar os procedimentos de pedido de ajuda, numa situação que acabou por ter um final feliz, mas que poderia ter sido muito mais grave».

«É por estas e por outras que nem toda agente tem capacidade para viver na ilha. Continuamos esquecidos e quando estas coisas acontecem, as responsabilidades ficam sempre por apurar», lamentou Vanessa Morgado, membro do «SOS Ria Formosa» ao «barlavento».

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