Mário de Freitas quer mais e melhor para a Santa Casa da Misericórdia de Alvor

No 29º aniversário da elevação a vila, que se comemora este fim de semana, o «barlavento» entrevistou Mário de Freitas, o recém-eleito provedor da Santa Casa da Misericórdia de Alvor.
Joana Azevedo, responsável pela creche Rainha Santa, e Mário de Freitas, provedor da Santa Casa da Misericórdia de Alvor.

barlavento: Passaram mais de dois meses desde que tomou posse como provedor da Santa Casa da Misericórdia de Alvor (SCMA). Que necessidades identificou e quais as mais urgentes?
Mário de Freitas: Temos variadíssimas carências. Sublinho o muito deficiente estado de conservação da infraestrutura em todas as vertentes. As instalações têm cerca de meio século e necessitam de ser requalificadas com urgência. O parque automóvel é antigo e está em péssimo estado. O património da instituição é insignificante, ao contrário do que se julga. A Secretaria está desajustada da realidade, com insuficientes meios informáticos.

As dificuldades que encontrou são transversais a estas instituições, ou Alvor é um caso muito particular?
As dificuldades são transversais à maioria das instituições, creio, muito embora a SCMA, pelo seu historial, reúna carências que levarão muito tempo a ser supridas e que necessitam de urgente apoio institucional.

Qual é a situação da tesouraria?
Posso dizer que temos dificuldades evidentes e de grau elevado para solucionar.

Consegue, no entanto, garantir o funcionamento das várias valências que tem a cargo?
Não tem sido fácil cumprir com os compromissos quer a nível salarial do nossos colaboradores, quer a nível de fornecedores, bem como dar cumprimento às obrigações fiscais a que estamos sujeitos. A verdade é que as instituições como esta, não têm o apoio que deveriam ter. Somos «parceiros» do Estado, mas estamos sujeitos ao tratamento de qualquer empresa com fins lucrativos, e a uma pesada carga de impostos obrigatórios. Não temos tido outra solução que não recorrer ao privado e «mendigar» apoios. Aqui fica, aliás, um agradecimento aos vários fornecedores que nos começaram a apoiar, sobretudo na área alimentar, que é um pesado encargo.

Pondera abrir a porta à colaboração da comunidade na resolução dos problemas?
Sim, claro. Quem estiver sensível à importância que o nosso trabalho tem para o bem comum, pode ajudar-nos de várias maneiras. No futuro, queremos criar e dinamizar uma bolsa de voluntários. Por exemplo, para tarefas que não estão satisfeitas, no apoio à animação e lazer dos nossos utentes, durante o dia. Quero intentar que os mais jovens venham para o seio da instituição, aliás, uma atitude próxima ao exemplo que perfilhei quando me candidatei a este cargo.

Quais as atividades disponíveis na creche da SCMA e o que pretendem implementar no futuro?
A creche funciona num edifício moderno, com cerca de oito anos, construído de raiz e projetado por técnicos de Alvor, o que muito nos orgulha. É constituída por dois berçários, uma sala para crianças dos 1 aos 2 anos, e duas salas de atividades para as faixas etárias dos 2 aos 3 anos. Contamos alargar a frequência, assim que autorizados pela Segurança Social, para crianças dos 1 a 2 anos. Desejamos aperfeiçoar as áreas de recreio interior com a colocação de sombreados e zonas ajardinadas melhoradas.

Qual a relação que a SCMA tem com o universo das Misericórdias, por exemplo, de Portimão, Faro e do resto do Algarve?
O pouco tempo que tenho como responsável desta instituição já me permite afirmar que essas relações serão muito estreitas. É nossa intenção interagir com os nossos pares, para melhor conhecermos a realidade e aprender com a experiência de todos. Queremos ser, também, um referencial incondicional de grande exigência, transparência e decência.

Em setembro, Mariano Cabaço, responsável pelo Gabinete de Património Cultural das Misericórdias Portuguesas, vai estar em Monchique. É um evento que a SCMA quer associar-se?
Apesar de ainda não ter tido conhecimento dessa visita é nossa intenção participar. Daremos igual procedimento a quaisquer outras iniciativas congéneres.

Gostaria de deixar uma apreciação do legado que recebeu do seu antecessor?
Faço questão! A vila de Alvor está para sempre grata ao professor José Lopes. No ensino primário educou gerações e deixa uma obra de quatro décadas de entrega e dedicação a esta casa. O seu nome, que faz parte da toponímia local, e perpetuará sempre o este legado que muito me honra continuar.

Serviços indispensáveis à comunidade

Mário de Freitas, recém-eleito provedor da Santa Casa da Misericórdia de Alvor, tem a seu cargo «cidadãos dos 4 meses aos 97 anos» de idade. É a instituição de maior relevo nesta freguesia de Portimão. «Do ponto de vista do quotidiano, interagimos com uma ampla e diversificada bolsa de fornecedores e de serviços. Damos, por isso, um contributo importante para o desenvolvimento local», sublinha. Durante o seu mandato, o responsável quer dar seguimento «a um pressuposto de gestão responsável, uma política de partilha e de administração integrada nas áreas mais débeis em recursos humanos e técnicos especializados, tendo em vista uma maior eficiência. Queremos implementar, com prioridade, ações de formação» profissional.

Acamados, dependentes e apoio domiciliário a cargo da SCMA

Lar, centro de dia e creche (em Alvor), e um centro de convívio (nos Montes de Alvor), são algumas das valências da Santa Casa da Misericórdia de Alvor, que incluem ainda um serviço de apoio domiciliário e uma cantina social. O lar abriga hoje 30 utentes (25 são comparticipados por apoios socais). O centro de dia acolhe 17 idosos (14 beneficiam de comparticipação). Já o centro de convívio dos Montes de Alvor recebe 22 utentes (20 comparticipados, entre eles cinco com apoio à alimentação). «Temos três acamados, 12 pessoas em cadeiras de rodas, dependentes de terceiros para se alimentarem e para os cuidados com a higiene pessoal. Uma dezena carece, em parte, de apoio para realizar tarefas e oito são totalmente dependentes da nossa ajuda», contabiliza o novo provedor Mário de Freitas. No que toca ao apoio domiciliário, são distribuídas 12 refeições por dia, além da ajuda à higiene e do serviço de lavandaria. A cantina social alimenta 18 pessoas com 30 refeições diárias. «Na creche temos 62 usuários, sendo 45 comparticipados pela Segurança Social. Em termos de espaço e de pessoal, temos capacidade para acolher 84. Em breve, contamos pedir autorização à tutela para que este número seja outorgado», até porque existe uma lista de espera considerável para esta valência.

Como ajudar?

«Recordo a todos os leitores, amigos e simpatizantes da Santa Casa da Misericórdia de Alvor que há vários meios de colaborarem connosco, se assim o desejarem», informa o provedor Mário de Freitas. Uma forma é doar 0,5 por cento do IRS a esta instituições particular de solidariedade social, durante o mês de março. Nesta opção, basta identificar, no quadro 11 do modelo 3 (rosto) do IRS, o número de identificação fiscal (NIF) 501 619 208. «Por outro lado, estamos aptos a usufruir de benefícios fiscais fixados pela lei do Mecenato (importâncias consideradas em 130 por cento do seu quantitativo), assim como a toda e qualquer ajuda que nos queiram conceder».

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