Manuel da Luz lança novo livro «Em nome do Filho»

O ex-autarca portimonense Manuel da Luz tem um novo livro no prelo, com chancela da Edições Colibri. Trata-se da novela «Em nome do filho» cuja apresentação estará a cargo de Dália Paulo, no sábado, 16 de dezembro, às 15h15 no Museu de Portimão.

Trata-se de uma narrativa de tom autobiográfico, ao longo da qual Manuel da Luz assume um alter-ego, personificado numa personagem feminina.

O enredo vive da angústia das circunstâncias que aprisionam a protagonista, mas também de toda uma série de referências literárias que traduzem o pensamento, os estados de espírito e toda a clarividência do autor ao longo da obra. Qualquer semelhança com a realidade, caberá ao leitor interpretar.

«Ana tem perfeita noção do dever cumprido. Muitos anos de devoção e paixão dedicados ao serviço público tornaram a cidade a que presidiu uma urbe moderna e um incontornável destino turístico-cultural.
Ana reconhece que não pode haver unanimidade na apreciação de mudanças tão significativas e sabe que tem de conviver com o elogio e a crítica em paralelo. Mais angustiante é a teia de interesses pouco claros e a prepotência burocrática instalada com que Ana se confronta quando, subitamente, se vê perante a doença do filho e tudo parece constituir entraves das instituições às soluções médicas consideradas necessárias».

Segundo a Colibri, «o eixo central da narrativa cruza-se, entretanto, com a revisitação aos grandes temas da condição humana e às discussões que entusiasmaram a geração dos anos 1960/70 do século XX».

Manuel da Luz conduz o leitor «pelos labirintos da novela, num trabalho literário onde encontramos lugares, personagens e situações que, de tão verdadeiros na sua criatividade ficcional, quase, quase parecem reais, desafiando-o para o prazer de ler».

Durante a apresentação, serão lidos excertos do livro por Paulo Neto e Ana Fazenda, estando também previsto um apontamento musical pelo Grupo Coral Adágio.

«Aquela tarde do mês de Junho mais quente dos últimos vinte anos estava a tornar-se um desafio sobre o tempo presente, um tempo que, apesar de presente, apenas se deixava avistar à distância, em fragmentos, em ecos só parcialmente ordenados. A lassidão tomava posse do seu corpo e as pálpebras insistiam em fechar-se. Mas continuava a ver o rio, lá em baixo, pachorrento, a desaguar num mar de sargaços, porque para ver bastava-lhe imaginar com intensidade, como diria o seu Teixeira Gomes. Pelos vistos, esta coisa do ver e do olhar tem muito que se lhe diga, tanto mais que as alucinações aproximam o mundo real do mundo dos sonhos, esbatendo alguma diferença irremediável. Ana regressou, então, às suas raízes existenciais – a infância, a adolescência, a paisagem e o mais que se seguiu».

Manuel da Luz, 68 anos, nasceu em Alvor. Professor aposentado do quadro de efetivos do Ensino Secundário, tendo leccionado nas duas Escolas Secundárias de Portimão, nas disciplinas de Português, Latim e Grego. Exerceu as funções de presidente do Conselho Diretivo/ Diretor na Escola Secundária Manuel Teixeira Gomes, em Portimão. Fez o serviço militar, tendo sido mobilizado para a Guerra Colonial na Guiné, como alferes miliciano, de onde regressou, evacuado por acidente em serviço, em agosto de 1974. Foi Vereador e presidente da Câmara Municipal de Portimão entre 1994 e 2013 pelo Partido Socialista. Tem dedicado parte da sua vida à escrita, colaborando em jornais e em atividades de natureza cultural.

Mais tarde, no mesmo local, mas no dia 22 de dezembro, às 18 horas, será a vez de antigo presidente da Câmara Municipal de Portimão apresentar o livro «Roteiro de Portugal através da gravura oitocentista» de José Pacheco.

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