Mais de 500 alunos vão aprender e estudar música em Loulé

Município passará a contemplar no seu orçamento anual cerca de meio milhão de euros para a área da música.

A forte aposta da Câmara Municipal de Loulé na área da música faz-se em duas frentes distintas. Por um lado, através do protocolo de cooperação firmado com a Escola de Música da Sociedade Filarmónica Artistas de Minerva, uma associação cultural sem fins lucrativos, que permitirá apoiar e alargar o ensino de cursos livres de quatro para 16 instrumentos musicais que poderão ser frequentados por 230 alunos.

Por outro lado, através do arranque oficial do primeiro Conservatório de Música de ensino público dedicado a sul do Tejo, o sétimo em todo o país e o primeiro em Loulé que abre com 270 alunos inscritos. Em comum, além da música, ambas as escolas vão dividir um edifício municipal histórico, recuperado de raiz para o efeito, o Solar da Música Nova.

«Estamos a falar de um investimento brutal para o ensino da música», nota ao «barlavento» José Branco, 56 anos, diretor artístico e maestro há 30 anos da Banda Filarmónica Artistas de Minerva, referindo-se ao montante global disponibilizado pelo município de Loulé, conforme o protocolo assinado a 20 de agosto.

«A Filarmónica será pioneira, tanto no número de alunos abrangidos, como no número de cursos lecionados» já a partir da última semana de setembro, data em que as aulas se iniciam.

«Desde sempre existiu apoio para o desenvolvimento das atividades culturais da associação» na Escola da Filarmónica, onde se ministravam cursos livres, mas apenas eram «lecionadas aulas de sopro e percussão». Agora, será possível à associação garantir o ensino «de muitos outros instrumentos» que antes não estavam disponíveis neste tipo de formação.

Piano, guitarra, flauta de bisel, violino, acordeão, guitarra portuguesa, canto, flauta transversal, clarinete, saxofone, trompete, trompa de harmonia, trombone, bombardino, tuba e percussão farão parte da oferta formativa. Até à data, os inscritos têm revelado mais interesse em aprender instrumentos como piano e guitarra. Os cursos têm uma duração de 10 meses, sendo a frequência das aulas semanal e dividindo-se em aula de instrumento individual e de formação musical em conjunto, ministradas por 18 professores. A Sociedade Filarmónica Artistas de Minerva passará a contar com um total de 12 salas de aulas e uma secretaria.

Outra originalidade é a comparticipação das mensalidades pela Câmara Municipal de Loulé. De acordo com o maestro, o município algarvio é «o único em Portugal a garantir um apoio monetário deste género». A autarquia apoia em 50 ou mais por cento todos os 16 cursos livres. E, «para os alunos com mais dificuldades económicas, a comparticipação será mais elevada» podendo mesmo, em alguns casos, chegar a 80 por cento do valor total.

O diretor artístico José Branco sublinha ainda a vantagem desta cooperação de proximidade entre a Filarmónica e o Conservatório. «Por exemplo, o ensino dos instrumentos de sopro deve ser encarado como uma preparação para os futuros estudantes que entrarem no ensino público articulado», evidencia.

Conservatório de Música de Loulé

Em simultâneo, será inaugurada no início do ano letivo 2018/2019, a primeira escola pública de música a sul do Tejo, o Conservatório de Música de Loulé. Disponibilizará cursos de música, mas desta feita, sob a alçada direta do Ministério da Educação, e dividirá com a Filarmónica as novas instalações do edifício recuperado para este efeito: o Solar da Música Nova, no coração de Loulé.

De acordo com Dália Paulo, diretora municipal de Loulé, a obra foi «intencionalmente concebida com o fim específico de albergar o Conservatório de Música, bem como permitir o regresso da Sociedade Filarmónica Artistas de Minerva àquela que, no passado, já foi a sua casa. E integramos o rol de seis escolas nacionais que são os Conservatórios de Música Nacionais Públicos», explica. «Este ano, teremos alunos do 5º ao 9º ano, num total de aproximadamente 270 estudantes».

No entanto, se considerarmos os inscritos tanto nos cursos da Filarmónica como do Conservatório, falamos num universo de mais de 500 alunos que, na prática, irão aprender música em Loulé. É verdadeiramente fantástico», evidencia a diretora municipal. Não obstante, «o Conservatório está dimensionado para, só por si, daqui a dois anos, receber cerca de 500 alunos».

Questionada pelo «barlavento» sobre o progresso de todo este processo, visto faltar apenas um mês para a inauguração e início das aulas, Dália Paulo garante que «os timmings estão certos. Está tudo a decorrer de acordo com o previsto. No princípio do mês dar-se-á início à contratação de professores. O mobiliário também já foi adquirido e será instalado assim que a obra for libertada. Mesmo que existisse algum contratempo, contemplámos sempre um plano B, que seria começar o ano letivo nas instalações do Convento do Espírito Santo. Ninguém vai protelar o início das aulas se houver algum percalço no edifício principal», garante.

Solar da Música Nova será um polo musical de referência para a região

O edifício, que já foi uma casa burguesa de dois pisos, foi adquirido pela Câmara Municipal de Loulé em 2008 e será inaugurado em dia a definir no início do ano letivo, em setembro, com três valências distintas e complementares. Integrará o Conservatório de Música de Loulé, a sede da Banda Filarmónica Artistas de Minerva e um auditório municipal com 180 lugares. A ideia é que o Solar da Música Nova se torne num polo musical de referência para a região algarvia. A reabilitação do edifício está orçamentada em cerca de 2,5 milhões de euros, não incluindo o investimento necessário nas instalações, instrumentos musicais e manutenção do novo espaço, a cargo do município louletano. A partir de 2019, a Câmara Municipal de Loulé passará a contemplar um investimento anual de cerca de meio milhão de euros para estas estruturas de ensino.

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