Loulé vai ter uma exposição sobre o concelho durante nove meses nos Jerónimos

Num momento em que há uma grande alavancagem económica no concelho, Vítor Aleixo faz um balanço dos últimos três anos do mandato à frente da Câmara Municipal de Loulé e dá a conhecer alguns dos projetos estruturantes para o futuro.

Um dos projetos que o presidente da Câmara Municipal de Loulé Vítor Aleixo anseia realizar este ano é a exposição intitulada «Loulé: Território, Memória e Identidade», a inaugurar já no mês de abril, no Mosteiro dos Jerónimos, em Lisboa.

Mas antes, com as eleições autárquicas à porta, o socialista Vítor Aleixo, admite que a apresentação pública da recandidatura é iminente, até porque a concelhia pretende «seguir as diretrizes e a orientação geral aprovada pelos órgãos nacionais» de apoio aos atuais presidentes em condições de renovarem um novo mandato.

Avança ainda ao «barlavento» que conta, «sem dúvida, com o apoio da Comissão Política Concelhia do PS de Loulé», liderada por Carlos Costa.

Ao candidato do maior partido da oposição, o social-democrata Joaquim Guerreiro, que tornou pública a candidatura à Câmara Municipal, o edil deseja-lhe «as boas vindas» e assegura estar preparado para «travar a luta política eleitoral e disputar a opinião pública do concelho», esperando que «seja uma campanha que decorra com normalidade e elevação».

Vítor Aleixo é ainda um dos elementos eleitos para integrar a Comissão Política Nacional do PS, sublinhando que esta função lhe dá a «possibilidade de participar num órgão que discute com um grau de profundidade muito grande as mais importantes questões do país».

«É bom que estejam lá algarvios, como é o meu caso. Tenho assento nesse órgão com muito gosto e costumo ir às reuniões, onde as grandes questões da política nacional são discutidas. É um órgão democrático e plural e é sempre um momento muito estimulante. É uma participação que me responsabiliza muito e de que tenho muito orgulho em fazer parte», assumiu.

Loulé no Mosteiro dos Jerónimos
«Durante 9 meses iremos estar na vitrina do país, com uma exposição organizada pelo Museu Nacional de Arqueologia, na ala poente do Mosteiro dos Jerónimos. Será um momento alto, pois nunca Loulé se mostrou assim», sublinha.

«Iremos mobilizar todas as escolas para se organizarem de modo a puderem visitar esta exposição, e eu próprio irei lá estar muitas vezes. A exposição irá ter um catálogo próprio publicado pela Imprensa Nacional Casa da Moeda. Vai ser fabuloso», avança ao «barlavento».

Além desta iniciativa, em junho será lançado um novo livro de banda desenhada, que contará às crianças «a história do concelho de Loulé desde a era dos dinossauros, passando pela escrita do sudoeste, as ruínas romanas de Vilamoura até aos dias de hoje». O livro deverá ser entregue aos pequenos leitores no Dia Mundial da Criança.

«IKEA vai ser uma força centrípeta enorme»
Vítor Aleixo confidencia que «num primeiro momento, a construção do IKEA está a ter um inegável impacto positivo na economia local. Basta ver que hoje em Loulé é muito difícil arrendar uma casa. Há uma série de empresas, algumas locais, que ganharam atividade, encomendas e trabalho, porque direta ou indiretamente, se viram envolvidas na construção deste projeto. Não posso, de modo algum, negar esse impacto positivo na economia local», reconhece. «Tendo uma centralidade tão poderosa, a apenas três quilómetros da cidade de Loulé, é um desafio importante e temos de estar muito despertos para tentar tirar partido dessa proximidade. É por isso que fazemos um esforço muito grande na reabilitação de património, e de profissões e atividades artesanais.
Queremos dar-lhes espaço e condições para que ganhem novos mercados. Investimos tanto na cidade de Loulé para que a pouca distância do IKEA, exista qualquer coisa interessante para as pessoas que ali se dirijam virem também visitar a cidade. É um desafio que temos e no qual estou muito empenhado», diz. No entanto, revela que «apesar de tudo, tenho algumas reservas sobre os impactos positivos a médio e longo prazo mas isso cá estaremos para ver. Oxalá existam ganhos evidentes e que possamos fazer um balanço positivo no futuro», admite.

Conforme foi anunciado, no lançamento da primeira pedra da nova loja da IKEA, a 28 de agosto de 2015, o grupo sueco está a desenvolver em conjunto com o município de Loulé um projeto de responsabilidade social para mitigar o impacto negativo que o empreendimento poderá ter no pequeno comércio local. A ideia já amadureceu e segundo o autarca Vítor Aleixo, a IKEA avança com «uma verba significativa, que será superior 250 mil euros» para a construção de uma nova cresce e jardim-de-infância, em Almancil, projeto que será gerido pela Associação Social e Cultural de Almancil (ASCA).

Quarteira terá novo Centro Cultural
É uma das grandes notícias para Quarteira, e um equipamento há muito reivindicado pela população. Não será «um espaço cultural no sentido convencional do termo». Terá uma vertente onde o público poderá fruir da oferta cultural «tal como no Cine-Teatro Louletano», mas será sobretudo «muito voltado para a criação, onde a juventude possa exprimir-se culturalmente, ter espaços para dançar, representar, tocar música, ter laboratórios para fotografia», entre outras valências juvenis e contemporâneas.
Vítor Aleixo garante que o terreno municipal já está identificado. «Neste momento estamos a trabalhar os termos de referência do projeto. Estamos a identificar que necessidades existem em Quarteira. Julgo que até ao final deste ano estarei em condições de apresentar publicamente o Centro Cultural. Para mim seria uma grande felicidade revelar este projeto ainda antes do termo das minhas funções neste mandato», refere. Esta infraestrutura justifica-se pois «Quarteira é uma terra com muita juventude» e «um espaço urbano muito cosmopolita» onde «vários expoentes de grande valor despontam nos últimos anos para as questões culturais», pelo que virá colmatar «uma grande carência». Seria «uma pena e um erro político não fazer tudo o que estivesse ao meu alcance para poder chegar ao termo deste mandato sem apresentar aos quarteirenses um horizonte concreto de execução do novo equipamento para a expressão cultural» na cidade.

Novo Passeio das Dunas continuará a crescer
Questionado sobre o novo mercado de Quarteira, o
autarca louletano diz que «é um projeto que já está adiantado». No Passeio das Dunas, existe uma «caixa de areia enorme que é a área de implantação do futuro mercado municipal». A terceira fase do Passeio das Dunas é também um dos projetos que o edil pretende ter concluído até ao final do mandato. «Dentro de dois ou três meses irei abrir concurso para a segunda fase. A terceira fase compreende não só o mercado municipal novo como o Largo das Cortes Reais».

Desporto e Biblioteca de mãos dadas
Na área do desporto, que tem sido também uma aposta de Loulé, Vítor Aleixo revela que serão edificados dois pavilhões desportivos multiusos em Almancil e Quarteira, «um investimento de cerca de 3 milhões de euros cada». Em Almancil, contudo, o pavilhão terá uma particularidade: «vamos juntar num único equipamento um espaço multiusos para a prática de modalidades desportivas indoor e uma componente cultural com biblioteca. Será um centro multiusos para a cultura e desporto».

Um olhar atento ao Ameixial
A desertificação do interior do concelho é algo que preocupa o atual executivo. Por isso, o município tem comprado e recuperado casas antigas destinadas ao alojamento. A ideia é proporcionar «algumas facilidades» a quem queira viver ou trabalhar no Ameixial, onde a «situação é mais crítica». As vantagens estendem-se inclusive à iniciativa privada. «Queremos atrair pessoas colocando no terreno uma forte política de discriminação positiva para tentar segurar a decadência desses territórios». «Iremos também receber empresas nas nossas instalações municipais», que ali se queiram fixar e desenvolver atividade.

Aleixo quer Revisão do Plano Diretor Municipal (PDM)
O PDM de Loulé data de 1995 e nunca foi revisto, por isso, o atual executivo louletano gostaria de «ter uma proposta de revisão fechada» já em 2018. «Temos estudos de caracterização, propostas, audição de interessados, há muito trabalho feito. Temos é de fechar uma proposta para colocar à discussão pública. Em 2018 teremos com certeza uma proposta de apresentação para discussão pública de revisão do PDM», garantiu Vítor Aleixo.

Oficina Móvel ajuda população
Uma nova medida de natureza social a ser implementada ainda este ano é a «Viatura Oficina Móvel». A ideia, segundo explica o autarca Vítor Aleixo, é «ajudar a população idosa sem recursos económicos que precisa de pequenas reparações domésticas». Nesta fase está a ser preparado o regulamento do serviço que se prevê entrar em funcionamento «antes do próximo verão». «Teremos um técnico profissional com uma carrinha toda equipada. Isto surge da perceção que temos que há muitos idosos isolados que vivem sozinhos e que precisam de ajuda. Podemos ajudar a reparar as pequenas deficiências que têm em casa. É uma forma próxima e solidária de ajudar estas pessoas», reforça.

Palacetes acolhem indústrias criativas
Vítor Aleixo destaca ainda dois investimentos importantes. «Em Loulé estamos a recuperar dois palacetes que estavam em avançado estado de degradação e sem grande utilidade social». Um deles é o Solar da Música Nova, obra orçada em 1.857.000,00 euros e que será a futura sede da banda Minerva, um conservatório e um auditório novo com capacidade para 140 pessoas. O outro é o Palácio Gama Lobos, um investimento de 1,849.000,00 euros, que albergará uma «escola de artes e ofícios a dedicar aos saberes ancestrais do artesanato no concelho mas também aos saberes contemporâneos de jovens designers. Queremos diferenciar Loulé como uma cidade criativa», justifica Aleixo. Ambas as obras deverão estar concluídas durante o ano de 2018.

«Educação é prioridade»
São sobretudo as áreas da educação, cultura e desporto que estão em destaque nas grandes opções do plano municipal para o orçamento do ano de 2017, o qual apresenta um valor global de 86.556.500,00 euros. Na área da educação, o autarca destaca a construção de «uma nova escola para substituir a velhinha e degradada D. Dinis, em Quarteira». O concurso já está aberto. «Espero colocar a primeira pedra até ao próximo verão. É uma obra orçada em mais de 4 milhões de euros», refere Vítor Aleixo. Mas «não basta ter só escolas funcionais. A educação é mais que isso. Temos tido um acompanhamento próximo das escolas para assumir as nossas responsabilidades e promover o processo educativo e o sucesso escolar dos alunos. Investimos muito nos transportes escolares, mas também na alimentação nas cantinas escolares. Já não são empresas que prepararam a alimentação nas cantinas escolares das crianças. Nós assumimos essa responsabilidade. E houve ganhos significativos em termos de qualidade e da dieta alimentar fornecida. No arranque do ano letivo, oferecemos os manuais escolares e vamos alargar esta política. O governo central decidiu oferecer os livros a todo o primeiro ciclo do básico – até ao 4º ano – mas nós vamos oferecer as fichas, gramáticas e dicionários. E todos os livros para o segundo ciclo (5º e 6º anos). Uma medida social de grande importância» e um investimento de 670 mil euros.

Ainda na área da educação, o edil destaca o programa «Férias para Todos», um investimento de 410 mil euros, também «muito significativo». «Concebemos programas de ocupação com atividades lúdicas e formativas durante as férias, em que as crianças estão na escola, mas têm programas de passeios, visitas de estudo, práticas de desporto, todo o tipo de atividades» de forma a facilitar os compromissos da vida profissional dos pais.

Segurança Reforçada
«Um investimento histórico e sistemático que supera os 2 milhões de euros». É assim que Vítor Aleixo descreve o que está a ser feito no que toca à segurança no concelho de Loulé. O montante contempla a construção de Postos Territoriais da GNR em Quarteira, Almancil e Salir. «Numa atitude de colaboração com a administração central assinamos em 2014 um protocolo com o Ministério da Administração Interna no sentido de olhar de forma sistemática para os quartéis da GNR e para as situações mais urgentes. Dentro de pouco tempo contamos lançar a primeira pedra no posto de Almancil. Uma obra no valor de 1.220.000,00 euros. O quartel de Quarteira está orçado em 925 mil euros, e o de Salir no valor de 158 mil euros está pronto a inaugurar dentro de dias. Também no quartel de Loulé fizemos reparações no valor de 42 mil euros», contabiliza. Além disto, Vítor Aleixo lembra que «1.843.000,00 euros é o valor designado para a construção das instalações para a Base de Apoio Logístico (BAL) em Quarteira, numa obra parada há cinco anos» que era «um monte de escombros». «Conseguimos candidatar a obra e ali alojar uma das cinco BAL do país». São «estruturas onde se encontra toda a logística necessária para prestar socorro nos primeiros momentos após um cataclismo. Estarão ali sediados toda a estrutura em homens e meios para poder acorrer a qualquer situação desta natureza no sul do país. É algo que nos faz sentir em paz com a nossa consciência». Estará pronta em 2018.

As conquistas dos últimos três anos

«Há momentos que me deixaram particularmente feliz», diz Vítor Aleixo. «A possibilidade que tivemos de equilibrar as finanças municipais. A situação que herdámos era muito condicionadora, havia uma dívida enorme e esmagadora. Mas por causa do fruto do nosso trabalho, rigor na gestão dos dinheiros públicos municipais e alteração da conjuntura macro económica, tudo isto permitiu-nos equilibrar as contas. Fomos dos primeiros municípios no país a liquidar o PAEL, o empréstimo extraordinário que o governo colocou à disposição das autarquias com situação financeira extremamente critica. Loulé foi um dos municípios que recorreu a esse empréstimo, que nós liquidamos antecipadamente. Recuperámos autonomia política e administrativa que até à liquidação do empréstimo estava vedada», sublinhou.

Outro momento importante diz respeito às «questões da sustentabilidade ambiental» e adoção da «estratégia municipal de adaptação às alterações climáticas». «Reforçámos muito todas as nossas políticas que convergem sempre na promoção e educação dos valores da sustentabilidade ambiental. Temos tido reconhecimento. Fomos considerados pela sexta vez o município mais sustentável do país com um conjunto de práticas e normas de sustentabilidade ambiental. É um galardão que nos orgulha e que nos diz que o município de Loulé está no caminho certo em relação à sua responsabilidade com gerações futuras».

Para Vítor Aleixo, também as políticas sociais, um compromisso eleitoral assumido no outono de 2013, foram uma prioridade. «Foi preciso ajudar as famílias fragilizadas pela violência da crise económica que o país atravessou. As consequências fizeram-se sentir e nós soubemos encontrar recursos municipais para de uma forma sistemática, transparente e ousada podermos ajudar pessoas e famílias. Construímos uma ferramenta a que demos o nome de Loulé Solidário que nos tem possibilitado ajudar centenas de cidadãos. Permitiu que muitas pessoas não ficassem às escuras em casa, que pudessem adquirir a sua receita médica ou que muitas crianças pudessem continuar a ter os materiais escolares». E porque Loulé é «um concelho que olha sempre para o futuro», o edil diz valorizar «muito as políticas municipais na área da educação e da cultura» as quais mereceram uma «atenção sistemática e uma alocação de meios financeiros do município que não era hábito» anteriormente.

Por último, Aleixo mostra satisfação no fato do município ter conseguido «concluir obras municipais que estavam paradas há quatro e cinco anos, como da Avenida Papa Francisco (Quarteira), a conclusão da Av. da Fonte Santa e da ligação de Loulé a Faro na zona do IKEA. Conseguimos conclui-las e lançar novas obras, algumas já inauguradas», referiu.
Em suma, sintetiza que foram «vários os momentos em diversos planos que me permitem olhar para atrás com o sentimento de dever cumprido relativamente aos compromissos que assumimos com as pessoas».

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