Loulé será capital da inovação na saúde

Biobanco, Centro de Cirurgia Experimental, Centro de Envelhecimento Ativo e descentralização de instituições nacionais de saúde são alguns dos pontos do ABC - Loulé Active Life.
Nuno Marques, presidente do Algarve Biomedical Center (ABC) e Vítor Aleixo, presidente da Câmara Municipal de Loulé.

A Câmara Municipal de Loulé e o Algarve Biomedical Center deram mais um passo na concretização do projeto ABC – Loulé Active Life com a assinatura de um protocolo na sexta-feira, 11 de maio. O documento lança as bases para a instalação de diversas valências novas, bem como a descentralização de algumas competências de instituições nacionais de saúde naquele concelho.

Nuno Marques, presidente do Algarve Biomedical Center (ABC), explicou ao «barlavento» que serão «criadas algumas valências por parte do ABC, como um Biobanco, um Centro de Cirurgia Experimental ou um Centro de Envelhecimento Ativo», estando ainda prevista a «descentralização de outras competências por parte das instituições nacionais de saúde, como o Instituto Nacional de Saúde Doutor Ricardo Jorge (INSA), o Infarmed, a Administração Central do Sistema de Saúde (ACSS), a Direção-Geral de Saúde (DGS) e o Instituto Português do Sangue e Transplantação (IPST)». Esta depende apenas da definição de «um grupo de trabalho, que será criado em breve», por Adalberto Campos Fernandes, ministro da Saúde.

É uma aposta encarada, por Nuno Marques, como a «maior na área da saúde nos últimos anos», sendo «uma verdadeira descentralização de competências para o Algarve». O protocolo agora firmado prevê um investimento da parte da Câmara Municipal de Loulé, na ordem de vários milhões de euros, sendo que o ABC garantirá a funcionalidade do projeto e o desenvolvimento das diversas valências. «Trata-se de uma verdadeira revolução da investigação, inovação, formação e da saúde na região, complementada pela descentralização na qual o governo aposta», reforçou.

A Câmara Municipal de Loulé mostrou-se, desde o início, «pro-ativa e interessada no desenvolvimento deste projeto». Assim, tomou a dianteira de criar o edifício que alojará todos os novos serviços nesta área da saúde.

O novo imóvel deverá estar a funcionar em 2020, existindo a disponibilidade, caso haja necessidade, de utilização de instalações temporárias para alojar algumas das valência em 2019. A construção será efetuada numa só fase, o imóvel terá cerca de quatro mil metros quadrados, estando ainda em estudo o local. A autarquia louletana compromete-se ainda a maximizar a sustentabilidade energética, a apostar no conceito ambiental «verde» e a apoiar a publicação dos artigos produzidos pelo ABC.

«Com a criação da Agência Nacional de Investigação Clínica e Inovação Biomédica, a Câmara de Loulé e o ABC apresentaram ao governo uma proposta para sediá-la no concelho. A iniciativa foi bem recebida e foi acordado, pelo ministro da Saúde, a criação do grupo de trabalho. Desta forma, existe um conjugar de vontades, quer da aposta de Adalberto Campos Fernandes na resolução dos problemas da saúde no Algarve, quer do município de Loulé, quer do Centro Académico do Algarve (ABC)», considera Nuno Marques.

Uma das novas infraestruturas a ser criada, no âmbito do ABC – Loulé Active Life, será um Biobanco, que viabilizará «a colheita e armazenamento de amostras de tecidos e fluidos, que permitirão ao Centro Hospitalar Universitário do Algarve (CHUA) e à Universidade do Algarve desenvolverem investigações inovadoras para serem colocadas ao dispor dos algarvios», destacou. Além disso, «estão a ser equacionadas outras valências possíveis do Biobanco, com o Instituto Português do Sangue e Transplantação, que poderão levar a um papel ainda mais central» desta nova valência, avançou ainda.

«A criação de estruturas como o Biobanco levam à promoção da investigação e à criação de condições» que, acredita que darão azo à «captação de médicos e investigadores para o Algarve», argumentou o responsável pelo Algarve Biomedical Center.

Também o Centro de Cirurgia Experimental será uma novidade, «acima de tudo vocacionada para o desenvolvimento das capacidades e técnicas dos profissionais das especialidades cirúrgicas do Algarve, mas não só», sublinhou Nuno Marques. Ou seja, a pretensão é conseguir, desde o início, impulsionar cursos para profissionais do país e cursos de formação internacionais, aproveitando a localização próxima ao aeroporto de Faro», justificou. Esta estrutura facilitará também, na opinião deste responsável, a captação de recursos médicos diferenciados que «tanta falta fazem na região».

Além destas, será ainda reservado um espaço para o Meeting Center Active Life, para reuniões científicas e que sirva de estrutura de apoio ao ABC-Loulé Active Life, um Centro de Cuidados de Saúde Certificados para o Turismo, naquele que será um projeto piloto de cuidados de saúde certificados para o turismo. Segundo o responsável, este certificará as instituições de saúde e disponibilizará aos turistas a lista das instituições, certificadas pela DGS, mais próximas por áreas de especificação. Será ainda integrado o projeto Life, com os programas Algarve Coração Seguro, que ficará com sede neste imóvel, e o Crescer e Salvar, bem como a unidade de farmacovigilância do Algarve e Alentejo.

Loulé quer «cooperação intermunicipal» para afirmar o Algarve central

No discurso do Dia do Município de Loulé, que decorreu na quinta-feira, 10 de maio, o presidente da Câmara Municipal, Vítor Aleixo projetou mais «cooperação intermunicipal» com os concelhos da zona central do Algarve – Faro, Olhão e São Brás de Alportel.

Segundo o autarca louletano é necessário contrariar «lógicas de pequena escala» e a «competição redutora que a todos enfraquece», e promover um modelo conjunto «com densidade crítica suficiente para ser competitivo à escala nacional». Será o caminho não só para atrair investimento privado, mas também «reclamar a alocação de investimento público por parte da Administração Central» numa região que tem um peso bastante significativo no PIB nacional. Vítor Aleixo considera fundamentais a construção «célere» do Hospital Central do Algarve, a «redução significativa» do preço das portagens na A22 e a «travagem» da prospeção e exploração de petróleo na região.

 

Um exemplo da cooperação será o alavancar da candidatura de Faro a Capital Europeia da Cultura em 2027. Loulé disponibilizou-se a oferecer ao município vizinho «recursos humanos, patrimoniais e históricos». O líder do executivo municipal sublinhou também os principais desafios para o presente mandato: a revisão do PDM e a aposta no acesso à habitação. Dentro de meses a autarquia irá apresentar «um ambicioso programa de médio e longo prazo para resolver este problema». E «durante a vigência deste mandato», decorrerão os primeiros realojamentos em regime de renda apoiada ou acessível. Numa altura em que o valor do investimento municipal atinge já os 27 milhões de euros, o presidente da Câmara Municipal de Loulé sublinhou que as previsões apontam para que, até 2020, esse montante possa atingir os 80 milhões de euros.

Ainda no âmbito do Dia do Município de Loulé, foram descerradas placas toponímicas em duas artérias da cidade com os nomes de Luís Guerreiro (investigador da História local e regional) e Joaquim Guerreiro (ex-vereador da autarquia), que perpetuam a memória de duas figuras ligadas à vida autárquica e cultural do concelho.

Escola Pública de Música abre em Loulé no início do ano letivo 2018/19

No ano letivo de 2018/19, vai abrir portas em Loulé aquela que será a primeira escola pública dedicada ao ensino de Música na zona Sul do país. O protocolo, celebrado esta sexta-feira entre o Município e o Ministério da Educação, permitirá, assim, criar o Conservatório de Música de Loulé.

Este importante projeto «educativo, cultural e artístico» irá funcionar no emblemático Solar da Música Nova, um edifício que faz parte da História da cidade e que, atualmente, está a ser alvo de trabalhos de reabilitação que permitirão criar aqui um espaço moderno, com todas as condições para o ensino da Música. No local, cedido pela Autarquia, será instalado um estabelecimento escolar com 2º e 3º Ciclos do Ensino Básico (do 5º ao 9º ano) e do Ensino Secundário (do 10º ao 12º ano) no domínio do ensino artístico especializado. Como explicou a Secretária de Estado Adjunta e da Educação, Alexandra Leitão, vão ser realizados protocolos com várias escolas do ensino regular da região, de forma a que o Ministério assegure, neste Conservatório, o ensino articulado e o ensino supletivo de Música «com condições excecionais». O governo ficará também responsável pela colocação de professores, matrícula dos alunos e outros procedimentos administrativos e jurídicos, «tudo num curto espaço de tempo».

Já à autarquia, para além da obra em curso no edifício, caberá igualmente o apetrechamento do espaço com os materiais, equipamentos e instrumentos essenciais para o funcionamento do Conservatório, bem como a colocação de pessoal não docente.

Para a Secretária de Estado, este protocolo constitui um «dos momentos muito bons» nestes dois anos e meio em que exerce estas funções governamentais já que «finalmente haverá uma escola de Música a Sul do Tejo e isso deve-se à Câmara Municipal de Loulé e ao seu presidente». Esta responsável referiu, de resto, que o ensino especializado é uma das áreas em que “a rede pública está aquém do desejado”. No que diz respeito a escolas públicas de Música, existem atualmente apenas 6 em todo o país, sendo 2 delas em Lisboa.

Para Vítor Aleixo, este espaço educativo constituirá «a joia da coroa na política cultural muito rica que o Município de Loulé tem promovido nos últimos anos. Esta é uma mais-valia com que , não só Loulé mas todo o Algarve, poderá passar a contar no futuro, o que nos deixa muito felizes», assegurou o autarca que vê assim o seu Concelho receber mais um equipamento de interesse regional.

Vítor Aleixo anunciou ainda que é intenção da Câmara Municipal de Loulé dar o nome de Francisco Rosado a este Conservatório. Além do principal mentor do Encontro de Música Antiga de Loulé, Francisco Rosado foi um dos grandes impulsionadores do ensino da Música no Concelho, tendo lecionado durante vários anos no Centro de Expressão Artística de Loulé. «Depois de ultrapassado este primeiro momento de assinatura do protocolo, iremos dar o nome de Francisco Rosado a esta escola porque Loulé tem uma dívida para com o trabalho desse senhor».

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