Lagoa reabilita Torre da Lapa e expande Caminho dos Promontórios

Um trilho com sete quilómetros para usufruir da beleza da costa do concelho, observar a fauna e flora, e as praias escondidas é a novidade para este verão em Lagoa. Autarquia aproveitou para requalificar a Torre da Lapa, uma antiga atalaia.

Uma pen, uma foto de grupo da comitiva que inaugurou o restauro da Torre da Lapa, uma mensagem do executivo municipal de Lagoa e uma moeda foram alguns dos elementos colocados numa cápsula do tempo enterrada junto àquela atalaia, na terça-feira, 10 de julho.
Já no início dessa manhã tinha sido inaugurado o Caminho dos Promontórios, junto à Praia do Molhe, em Ferragudo, que tem sete quilómetros de extensão e que liga esta zona da falésia à Praia do Paraíso, em Carvoeiro.

A intenção é dar a conhecer melhor o litoral do concelho de Lagoa a pé, naquele que foi um investimento de 118 mil euros, sendo uma segunda fase do Caminho do Algar Seco. Incide sobre uma plataforma rochosa calcária com uma altitude que varia entre os 2,5 e os 40 metros. O percurso é interrompido por vales suspensos, pequenas enseadas e areais, havendo em alguns locais cavidades verticais naturais designadas por algares.

«É uma sucessão de pequenos promontórios» e não sendo «dos percursos mais complexos» em termos de distâncias a percorrer, tem «subidas e descidas, e é preciso ter o mínimo de robustez» física para os completar.

Como atrativos, segundo o arquiteto do município José Vieira, tem uma «sucessão de ecossistemas dos vales, ligeiramente mais húmidos com uma vegetação interessante. Para quem gosta de ornitologia tem um elenco de aves interessantíssimo e passa perto de uma Zona de Proteção Especial (ZPE), onde nidificam algumas espécies relativamente raras, entre as quais a garça branca (Ardea alba)», sublinhou.

«Para quem gosta mais de passear no inverno, temos as orquídeas mediterrânicas, com várias espécies, desde fevereiro até maio, porque elas não florescem todas na mesma altura. São espécies da nossa flora e que vale a pena observar. Temos também o falcão-peregrino (Falco peregrinus). Penso que há pelo menos dois casais a nidificar na nossa costa, e é uma ave que, em voo picado, chega aos 400 quilómetros por hora», destacou José Vieira.

A Ponta do Altar é outro dos atrativos, sendo um espaço icónico, tal como o ZPE do Leixão da Gaivota e pequenas praias não acessíveis. O Caminho dos Promontórios complementa outros dois percursos pedestres, o do Algar Seco (perto de Carvoeiro, acessível a pessoas de mobilidade condicionada), e o dos 7 Vales Suspensos (entre a Praia de Vale Centeanes e a Praia da Marinha). Em conjunto permitem conhecer mais de metade da orla costeira do concelho.

A meio do percurso há outro imóvel com história, cujo restauro foi inaugurado no mesmo dia. A Torre da Lapa, estrutura militar erigida após a Reconquista Cristã, entre o Cabo de São Vicente e a foz do Guadiana (e reforçada nos reinados de Dom João III e Dom Sebastião). O restauro, avaliado em 51 mil euros, foi concretizado para reverter a degradação do espaço, dignificando um dos valores históricos mais relevantes do litoral de Lagoa, em vias de classificação como Imóvel de Interesse Nacional.

O presidente da Câmara Municipal de Lagoa Francisco Martins colocou a alguns metros da superfície do solo uma cápsula do tempo. Um cilindro de metal onde foi colocada uma pen USB com um documentário sobre o restauro para as gerações vindouras. A selar o enterramento, foi colocada uma placa comemorativa. Foi ainda apresentado o documentário «A Torre de Atalaia de Vale da Lapa na defesa da costa algarvia», uma abordagem sobre o restauro desta estrutura de vigilância sobranceira ao mar, de um tempo em que o Algarve era assolado por ataques de piratas.

Francisco Martins agradeceu a teimosia da vereadora Anabela Rocha e do arquiteto José Vieira, que «há quatro anos, quando começou a ser falada a recuperação da Torre da Lapa, eles tinham esse sonho e todos disseram que não era possível» e a verdade é que o espaço, hoje, já está requalificado.

Alexandra Gonçalves, diretora regional da Cultura do Algarve,

Já Alexandra Gonçalves, diretora regional da Cultura do Algarve, afirmou que o «documentário e trabalho de investigação, que está para além do que foi visto aqui, mostra também toda a riqueza da história que não se consegue ver olhando apenas para a Torre da Lapa».

A diretora considera essencial criar mecanismos de interpretação, como o documentário que pode ser visto online no site da autarquia, «que ajudem a quem visita e à comunidade a perceber as memórias».

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