Lagoa estreia Salão Imobiliário no Arade

Luís Encarnação, vice-presidente da Câmara Municipal de Lagoa.

Evento será anual e pretende colocar os diversos stakeholders a partilhar opiniões, incentivando o crescimento continuado desta área de negócio no concelho e na região. Em entrevista ao «barlavento» Luís Encarnação, vice-presidente da Câmara Municipal de Lagoa, explica quais os objetivos e as expetativas de um certame pioneiro no Algarve, que decorre no Centro de Congressos do Arade, no Parchal, entre 7 e 9 de junho.

barlavento: Porquê a realização de um evento dirigido ao sector imobiliário?
Luís Encarnação:
A principal atividade do concelho de Lagoa é o turismo. É o nosso core business. Há várias vertentes, sendo uma delas a imobiliária. A verdade é que o concelho tem muita segunda habitação, muita oferta que está hoje no mercado, e por isso faz sentido dar uma atenção especial a este segmento. Para nós, também é importante que Lagoa seja atrativa e que continue a conquistar não-residentes, já que a sua presença também dá um contributo muito significativo ao desenvolvimento económico do município. Também importa destacar que este é um evento que surge no mesmo momento em que Lagoa está na fase final da aprovação da alteração do Plano Diretor Municipal (PDM). Aprovámos em Assembleia Municipal as diversas Áreas de Reabilitação Urbana (ARU) no concelho, e Lagoa assinou um protocolo no âmbito do Instrumento Financeiro para a Reabilitação e Revitalização Urbanas (IFRRU). Neste último caso, há toda uma oferta de habitações nos cascos urbanos tradicionais do município que também se articula com esta temática do imobiliário.

O que pode mudar com estas ARU?
Lagoa, à semelhança daquilo que são outras cidades do Algarve e do país, tem muitas habitações com algum nível de degradação nos cascos tradicionais, mais antigos. Importa obviamente recuperar, porque existe mercado e é importante. Mas se não forem criadas condições especiais para incentivar os proprietários é muito difícil que haja essa recuperação, até porque implica investimento, sendo necessário obter financiamentos. No fundo, é preciso criar condições para que haja essa disponibilidade, essa vontade dos proprietários. Nós acreditamos que esta questão das ARU, que definem, regulamentam e criam uma série de incentivos, quer do ponto de vista fiscal, quer económico, os proprietários se sintam motivados. Abre a possibilidade de aceder a fundos próprios e também a empréstimos bancários em condições mais vantajosas. Irá gerar a expetativa de poderem vir a ter um retorno e, para nós, isso também é importante, quer para a fixação das pessoas nos núcleos urbanos, quer para atrair novas pessoas através do mercado imobiliário e turístico.

Estamos a falar só de Lagoa ou também outras freguesias?
Tivemos a preocupação de alargar a todo o concelho e isso ficou patente na última Assembleia Municipal. Quando chegámos [ao executivo municipal] havia uma ARU que era de Lagoa. Essa é a que está mais avançada. Aquilo que fizemos foi dar ao projeto uma perspetiva concelhia. Achamos que é importante haver em Lagoa, que é a sede do concelho, mas há outras zonas que também têm as mesmas dificuldades e desafios. Aprovamos as ARU de Porches, Carvoeiro, Estômbar, Parchal, Bela Vista, Ferragudo, Mexilhoeira da Carregação e Calvário. Fomos a todos as zonas urbanas do concelho e há aqui um tratamento global que pretende criar as condições certas para que os proprietários se sintam seguros para avançar com projetos de reabilitação.

Como surge a ideia de criar um Salão Imobiliário do Algarve?
Surge para colmatar uma lacuna. Apesar do peso que esta atividade tem na região, até aqui, não havia nenhum evento abrangente, por isso, não quisemos confinar esta iniciativa apenas a Lagoa. Quisemos dar-lhe uma dimensão maior, abrangendo, sobretudo, participantes com negócios implantados entre Lagos e Vila Real de Santo António. Já que se trata da primeira edição, foi desafiante convencer os expositores? Penso que temos um número bastante razoável para a estreia. Além disso, temos a presença de algumas entidades bancárias e essas têm uma dimensão nacional. Diria que há um reconhecimento do potencial do evento e até da importância que poderá vir a ganhar nas próximas edições. A procura foi muito boa e houve até uma pro-atividade por parte dos expositores que esgotaram rapidamente os espaços disponíveis.

Quais os principais objetivos?
Primeiro que tudo, queremos colocar os diversos stakeholders do sector do imobiliário a falarem entre si, porque a essência do evento, o objetivo principal, é reunir diversos parceiros que se movimentam nesse segmento. A Câmara Municipal de Lagoa decidiu impulsionar uma atividade que está em crescimento e que é fundamental para toda a região algarvia. Ainda estamos num período de pós-crise, e apesar do mercado estar em recuperação, é preciso continuar a alavancar a economia numa perspetiva de futuro.

Qual o peso deste sector no concelho de Lagoa?
Para já, podemos começar por dizer que dos 23 mil residentes de Lagoa, 12,5 por cento, são cidadãos de nacionalidade estrangeira que têm uma segunda habitação. Na maioria, mantêm as casas nos países de origem e viajam até Lagoa para passar um determinado período do ano, especialmente nos meses em que o clima no país de origem é mais agreste. Esta realidade leva a que haja todo um mercado associado.

De que forma?
Habitualmente esses cidadãos fazem o inverso daquilo que é a nossa oferta turística. Ou seja, no verão retornam aos seus países e colocam as casas que têm cá no mercado de arrendamento. E sabemos que 12,5 por cento destes nossos residentes têm este hábito. É um negócio que está devidamente identificado. Através do Imposto Municipal sobre Imóveis (IMI) também conseguimos confirmar que há muita segunda habitação de portugueses. Tem um peso considerável e tem vindo a aumentar.

O turismo de Lagoa não vive apenas da segunda habitação. Há investimentos importantes no concelho?
Sim, temos uma série de empreendedores e de grupos internacionais que continuam a apostar no sector imobiliário. Habitualmente estão ligados ou a empreendimentos turísticos ou ao golfe, ou a ambos. Em breve, o grupo Pestana avançará com o terceiro campo de golfe no concelho e tem também um projeto imobiliário associado, com cerca de 150 moradias. Prova que o sector continua a crescer em Lagoa. E estes investimentos dos privados são importantes até pelo tipo de habitação que constroem. Estão de acordo com aquilo que é a nossa estratégia. A intenção é continuarmos a manter uma traça, que não passe pela construção em altura, com prédios altos, mas mais baseada em moradias. Não se cometem neste concelho os erros urbanísticos que outros têm e isso é importante, porque valoriza este território do ponto de vista do património natural. E o tipo de cliente que procura este género de habitação é do segmento médio-alto. É o que procuramos atrair para o nosso concelho. Não é por acaso que temos o Vila Vita Parc, Tivoli Carvoeiro, Monte Santo, Vale da Lapa, Vale das Oliveiras. São todos empreendimentos turísticos de cinco estrelas, de luxo, que têm enorme sucesso e essa é a marca que nós queremos manter.

Ainda existe um pouco aquela ideia de que Lagoa é um dormitório…
Este é mais um exemplo de que não é um dormitório. Antes pelo contrário. Lagoa é pioneira, é força charneira, vai à frente e está atenta às novas dinâmicas de mercado. À semelhança de outros eventos que realizamos este é mais um que se distingue por ser inovador. Estamos convencidos que será um sucesso. A nossa expetativa é grande, tendo em conta a adesão.

Secretária de Estado da Habitação vem explicar novas medidas do governo

A secretária de Estado da Habitação Ana Pinho estará no Salão imobiliário do Algarve, que decorre no Pavilhão de Congressos do Arade, entre 7 e 9 de junho. Isto porque o evento organizado pela Câmara Municipal de Lagoa, não se esgota apenas na área de exposição onde estarão presentes empresas de gestão de condomínios, de mediação e administração de imóveis e propriedades, bancos, e ainda associações ligadas ao sector imobiliário.Assim, a inauguração oficial está marcada para quinta-feira, dia 7 de junho, às 16h30. O programa de conferências, numa sala com capacidade para 100 pessoas, tem previsto no primeiro dia, entre as 14h30 e as 16h00, uma palestra intitulada «A Evolução do Marketing Imobiliário», promovido pela Janela Digital, seguindo-se «O meu negócio imobiliário», por Marco Costa, entre as 18h00 e as 19h00, e «Decifrar Pessoas», por Alexandre Monteiro, às 19h30.

O destaque será no dia 8 de junho, dedicado à temática da habitação e das técnicas construtivas, a partir das 9h00, com a apresentação dos Novos Instrumentos de Apoio à Promoção Pública de Habitação. A sessão de trabalho será encerrada pela secretária de Estado da Habitação Ana Pinho. Segue-se o seminário «Passive House: edifícios saudáveis, cidades sustentáveis», entre as 14h30 e as 16h30.

No dia 9 de junho, o programa prossegue com a temática da reabilitação urbana, sendo apresentados, a partir das 15h30, o Programa IFRRU2020, «A visão do banco no apoio à reabilitação»; «A experiência imobiliária no sucesso de um processo de reabilitação urbana na cidade de Tavira»; «A perspetiva regional para a reabilitação urbana» e a «A expectativa do município na implementação de instrumentos de reabilitação urbana». Às 17h00, segue-se um seminário pelo banco Santander.

Já na sala Janela Digital, com capacidade para 50 pessoas, haverá a formação eGO Real Estate, entre as 16h00 e as 18h00, e eGO On Tour, entre as 18h00 e as 19h00, no primeiro dia. Já no dia 8, as formações do primeiro dia repetem-se, sendo a primeira entre as 10h00 e as 17h00, e a segunda, entre as 18h00 e as 19h00. Para 9 de junho estão agendadas a «WS eGO Real Estate: O aliado certo para o seu dia-a-dia!», entre as 14h00 e as 18h00, e a eGO On Tour, entre as 18h00 e as 19h00.

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