Lagoa em obras incomoda mas… será por pouco tempo

Alguns comerciantes estão descontentes com as obras em curso, mas Francisco Martins assegura que a intervenção é «monitorizada ao dia» para evitar mais transtornos. Já em Ferragudo as empreitadas são vistas como uma esperança de melhoria da economia e qualidade de vida.

O centro histórico de Lagoa vai ganhar a Casa da Juventude e um circuito que permitirá visitar o património da cidade. No entanto, as obras a decorrer têm causado incómodo nos comerciantes, que dizem ver os negócios afetados pela empreitada. A Câmara Municipal de Lagoa assegurou que se reuniu com os empresários locais, chegando a um acordo de compensação, e estranha, por isso, que ainda haja queixas.

As ruas fechadas ao trânsito, a lama que se tem formado na via pública devido à chuva, e a falta de lugares de estacionamento estão na base das reclamações. Francisco Martins, presidente da Câmara Municipal de Lagoa, diz compreender os «transtornos», mas assegura que «esta obra, no centro, tem sido monitorizada ao dia, porque há essa consciência». O autarca refere ainda que «todo o feedback» que tem sobre a intervenção «é que está a correr dentro do cronograma estabelecido». Já reuniu com várias entidades envolvidas como a EDP, não havendo «nada que indique que a obra vá sofrer atrasos». A meta da autarquia é terminar tudo entre «finais de março ou princípio de abril».

Apesar de considerar que a população tem esta contrariedade diária, o autarca acredita «que os benefícios e a recuperação da vida dentro do centro de Lagoa» serão alcançados em breve.

Um exemplo prático é «a Casa da Juventude que vai ser colocada na zona histórica». Aliás, a intenção é que esta faixa etária passe a ser uma presença assídua na baixa lagoense.

«Temos estado em conversações para a criação de bolsas de estacionamento também dentro dessa zona. São dinâmicas que estamos a criar que, com a aprovação do Plano de Ação para a Regeneração Urbana (PARU)», podem trazer vantagens para a economia local. O autarca espera ainda que o PARU sirva de incentivo para a reabilitação de imóveis mais antigos ou degradados de propriedade privada.

«O projeto que está a ser feito de dinâmica do mercado também é com o intuito de atrair pessoas, portanto não houve uma mera preocupação de fazer uma obra, só porque se fazia uma obra. Houve um enquadramento daquilo que era uma planificação da recuperação da vida económica de Lagoa», justifica Francisco Martins. E o que tem pedido aos técnicos camarários é que seja criado «um carrossel naquela malha da Rua 25 de Abril, Rua do Mercado, Igreja, Rua da Liberdade», criando «um anel à volta da cidade, onde se situa o casco antigo, que tenha uma linguagem própria, para que quem visite Lagoa veja efetivamente o que há. Ou seja, uma rota natural e não uma rota no folheto», destaca.

Ainda assim, há comerciantes que em declarações ao semanário de língua inglesa «Algarve Resident», mostraram-se preocupados com a demora de todo este processo. «Nunca sofri um flagelo tão grande. Aqui na zona do mercado, suspenderam o pagamento das rendas para suprir as perdas, mas não é o suficiente. Nota-se o decréscimo de clientes» e só «mesmo os habituais é que vêm cá», disse João de Deus, que gere o popular café «João das Bifanas».

Este comerciante diz não estar contra a intervenção, mas queixa-se da morosidade na conclusão, apesar de Francisco Martins garantir o cumprimento do cronograma. Afirma ainda que a intervenção deveria ter sido faseada de forma a minimizar estes problemas.

Já Patrícia Penteado, da mercearia «Canto dos Frescos» nota que os clientes acabam por não escolher este estabelecimento para as compras do dia a dia, porque não têm sítio onde parar o carro.
«Dizem que o trabalho vai ser completado até abril, mas ninguém sabe se isso acontecerá realmente. É que o verão está mesmo ao virar da esquina», justificou.

Francisco Martins garante, ainda assim, estar aberto a questões e a pedidos de explicações. Questionado se as obras avançam devido à proximidade das eleições autárquicas, e se o descontentamento atual poderá influenciar as mesmas, o presidente da autarquia, que já anunciou a recandidatura, defendeu que «é essencial que as pessoas percebam porque é que se está a fazer isto e porquê agora. Há quatro anos, tentavam colar à minha pessoa, uma imagem de despesista. Consegui provar o contrário, que não só não sou despesista, como consegui colocar Lagoa, dois anos consecutivos, como o melhor concelho a nível nacional em termos de eficiência financeira». O edil sublinha ainda que foi traçado um projeto, um plano de mobilidade, no qual foram assinaladas as necessidades. Só depois de tudo bem explícito «é que avancei com obras. Daí coincidir com o agora. Mas há um concelho com rumo. Busquem-nos que nós temos a informação», garante.

Ferragudo aplaude obras

Por outro lado, a população de Ferragudo mostra-se satisfeita com as intervenções que começaram com o objetivo de criar mais mobilidade na localidade. Que o diga Rosinda Bicho, da «Casa do Panito». O «trabalho é positivo» e acredita «que vá ser mais fácil» circular, o que, em breve, levará mais pessoas àquela zona. Marta Serro, do supermercado «Belo Horizonte», nota um decréscimo do número de clientes, esperando que a intervenção não se arraste por muito tempo, mas considera que «a rua ficará certamente melhor». Entretanto, ainda em declarações ao semanário «Algarve Resident», Joaquim Almendra, da «Casa do Papagaio», relata que «havia pessoas que tropeçavam e caíam devido ao mau estado em que a rua se encontrava».

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