Jerónimos já mostra Loulé

Os novos pendões na fachada do Museu Nacional de Arqueologia (MNA) no Mosteiro dos Jerónimos, anunciam já a nova grande mostra em exibição na ala poente do monumento, durante os próximos 12 meses: «Loulé – territórios, memórias, identidades» (LTMI).

«A realidade museológica e arqueológica de Loulé vai mudar pela dimensão nacional e internacional desta exposição. Para nós é uma grande honra poder recebê-la, pois permite o reencontro do espólio disperso pelo país», explicou António Carvalho, arqueólogo e diretor do MNA, durante um encontro com os jornalistas no passado dia 19 de junho, quando ainda se ultimavam os últimos preparativos para a inauguração.

Vítor Aleixo, presidente da Câmara Municipal de Loulé, explicou que «este é culminar de um trabalho devidamente planeado, que concitou as colaborações de muitos especialistas e várias instituições. As pessoas trabalharam com muita liberdade, envolveram-se, apaixonaram-se, e hoje temos aqui uma exposição que considero única e talvez o acontecimento cultural do concelho de Loulé mais marcante e significativo dos últimos 40 ou 50 anos».

À entrada, os visitantes podem admirar dois anfíbios com 227 milhões de anos, encontrados no concelho louletano: o fitosauros algarvensis, um «crocodilo gigante», e o «anfinfibio» metopossauros algarvensis. «Realidades guardadas há muito tempo no subsolo» e que atestam a vida em Loulé muito antes da alvorada da humanidade.

«Sete milénios de história estarão representados por 35 sítios arqueológicos dos 154 que atualmente existem no território. Devidamente inventariados, com coordenadas geográficas e que permitem a rastreabilidade do espólio disperso pelo país em coleções públicas e privadas. A carta arqueológica está assim atualmente totalmente atualizada e este é apenas um dos trabalhos invisíveis desta exposição», explica António Carvalho.

Museu Nacional de Arqueologia elogia «cumplicidade e afetividade»

António Carvalho, diretor do MNA sublinhou que as palavras «cumplicidade» e «afetividade» definem na perfeição esta colaboração com o município louletano: «lido com muita gente e já organizei muitas exposições em 31 anos de serviço, por isso, tenho termo de comparação. Sei que o que se passou aqui foi muito especial. As pessoas organizaram-se no terreno sem necessidades de intervenção e inspiradas pelo seu presidente de Câmara. Até à inauguração reunimos apenas três vezes: para planear tudo, para a assinatura do protocolo, e para a prestação de contas. Para uma exposição desta dimensão e complexidade, três vezes, é muito pouco. O que está aqui resulta de muita sintonia e harmonia entre equipas. É muito interessante como se constituiu uma equipa de geometria tão variável, tão cúmplice e com uma capacidade de concretização tão grande de pessoas que se uniram pelo mesmo objetivo». «LOULÉ. Territórios, Memórias, Identidades» é a 22.ª exposição desta natureza a ocupar o Mosteiro dos Jerónimos, em Lisboa, no ano em que também o Museu Municipal de Loulé celebra o seu 22.º aniversário.

Uma exposição dos louletanos para o mundo

«Queremos que a exposição chegue a cada louletano. A nossa vontade utópica é que cada louletano venha ver esta exposição. E para isso o município irá organizar dois programas: um para os serviços educativos e escolas, e que já está fechado até ao final do ano, e um outro de extensão cultural com várias atividades como publicações de livros, palestras entre outras iniciativas já programadas. Em contrapartida, também queremos levar a exposição a Loulé a todos aqueles que não poderem cá vir [a Lisboa]», explicou ao «barlavento» Dália Paula, coordenadora geral do evento. No total, a exposição ocupa agora mais de 300 metros quadrados do Mosteiro dos Jerónimos. As peças estão expostas em 10 vitrines e nove ilhas, divididas em três secções e oito núcleos. O núcleo Território apresenta o concelho na sua diversidade entre o Litoral, Serra e Barrocal. Por ordem cronológica estão representados seis núcleos: Pré-história, Proto-história, Romano, Antiguidade Tardia, Islâmico e Medieval. E por fim, no núcleo Identidades serão conhecidos os 34 rostos de «achadores, cuidadores e doadores de bens culturais» de Loulé. Oito ecrãs espalhados pela galeria dão informação detalhada sobre os vários núcleos. Em exposição estarão ainda as mais antigas atas de vereação conhecidas em Portugal, de origem louletana, datas de 1384. No seguimento desta iniciativa foram inventariados 1200 bens culturais, dos quais 504 bens foram selecionados e 166 restaurados.

12 instituições juntas nos Jerónimos

Os bens culturais em exposição provêm de 12 instituições distintas, entre as quais se destacam o Museu Municipal de Loulé e o Museu Monográfico do Cerro da Villa – em Vilamoura – que emprestam mais de 80 por cento das peças à exposição, às quais se juntam o Museu Nacional de Arqueologia, o Arquivo Municipal de Loulé, a UNIARQ – Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, o Museu Municipal de Faro, o Museu Municipal da Figueira da Foz, o Museu Municipal de Arqueologia de Albufeira, o Museu Municipal de Arqueologia Silves, a Universidade do Algarve, a Faculade de Ciências e Tecnologias da Universidade Nova e o Museu da Lourinhã.

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