IKEA revelou hoje dados do estudo sobre como vivem os algarvios

Na véspera da abertura da loja de Loulé, a IKEA apresentou ao jornalistas os resultados de um estudo sobre as casas algarvias e a forma como vivem os habitantes do sul de Portugal.
Abdelhakl Ayadi, Fernando Caldas e Marta Cunha.

As novas instalações da loja IKEA de Loulé foram oficialmente apresentadas à comunicação social, hoje, 29 de março, um dia antes da abertura ao público, marcada para amanhã às 10 horas.

Na ocasião, a IKEA apresentou os resultados do estudo «Home Visits», uma das ferramentas utilizadas pelo grupo sueco sobre «como se vive em casa», em cada zona de influência de uma nova loja. O objetivo é «criar um mercado adequado, com aspetos diferenciadores», explicou Marta Cunha, a designer que participou na decoração e concepção em Loulé.

«Como é que as pessoas vivem, o que gostariam de mudar na sua casa, quais as situações que as frustram no dia a dia. Fomos descobrir que 25 por cento da população do Algarve vive sozinha. A expressão do arrendamento é totalmente diferente do resto do país. Temos outra particularidade: há imensos estrangeiros que têm necessidades diferentes dos portugueses nas suas casas. Sabemos que as habitações aqui são maiores, sendo em média de 106,68 metros quadrados».

«O facto de ter espaço não significa que as pessoas saibam tirar o melhor partido dele. Queremos ajudá-las com soluções adequadas», argumentou a designer.

No Algarve, as casas são maiores do que em Lisboa ou no Porto, com uma área média de 106,68 metros quadrados.

O estudo mostra ainda que na região 73 por cento das famílias têm habitação própria, sendo que cerca de 25 por centro residem em moradias simples e 22 por cento em moradias geminadas.

No Algarve, tal como na maioria das casas portuguesas, a sala e o espaço de refeições são partilhados em 61 por cento das habitações. «A sala é o centro da casa. O sofá é a peça mais importante para os algarvios». Outro dado interessante é que «estão despertos para a decoração. Adoram decorar as paredes com quadros e fotografias», explicou.

No entanto, apenas 35 por cento das pessoas dizem utilizar com regularidade a sala para refeições.

E o que guardam os algarvios na sala de estar? 80 por cento possui molduras com fotografias, 78 por cento pinturas e quadros, 56 por cento livros, 50 por centro DVDs e CDs, 43 por cento revistas, 42 têxteis de mesa, 38 por cento serviços de loiça e talheres e, por fim, 29 por cento documentos importantes.

A maioria das famílias algarvias escolhe fazer as suas refeições na cozinha, mas a IKEA descobriu que 81 por cento das famílias têm mesas com mais de um metro de comprimento neste espaço. «É usada apenas para receber amigos. É na cozinha que fazem as refeições [do dia a dia]. A cozinha assume um papel de relevância na casa, sendo o segundo centro de convívio. 72 por cento da população algarvia vive a cozinha de uma forma diária. Muito específico é que algumas estão integradas na sala, os algarvios têm algum desconforto nesta apropriação do espaço. Traduz-se numa falta de espaço de trabalho da bancada e de arrumação. Sabemos que o sonho é ter uma ilha na cozinha», adiantou.

Na região, cerca de 68 por cento das casas têm um hall de entrada e, no que toca aos quartos, cerca de 65 por cento têm janela a meio da parede. «A maior parte dos roupeiros são antigos. A preferência é que a cama seja muito confortável».

Ainda segundo o estudo apresentado, cerca de 31 por cento dos quartos têm janela para a varanda ou terraço. Outra conclusão interessante é que cerca de 96 por cento das crianças têm um quarto para si, em média, com 11,57 metros quadrados.

Em relação às casas de banho, no Algarve, apenas 18 por cento das torneiras têm um mecanismo de redução de pressão que ajuda a diminuir o consumo de água e a respetiva fatura deste bem no final do mês. As casas de banho têm em média 7,32 metros quadrados, o espaço suficiente para um lavatório individual, bidé, banheiras e todos os acessórios normais de higiene.

«11 por cento dos algarvios usam o telemóvel na casa de banho, contra 23 por cento da média portuguesa. Somos mais funcionais no sul no que toca ao uso da casa de banho. Temos preferência pelas banheiras e temos a impressão que aqui no Algarve, a água é um recurso importante.

A IKEA concluiu ainda que 42 por cento das famílias são compostas por três ou mais pessoas. E existem mais varandas e menos marquises do que no resto do país. No caso das varandas abertas, 27 por cento, têm cadeiras e, 14 por cento, mesas de refeição. Um traço característico destes espaços, é que embora sejam abertas ou fechadas, as varandas têm sempre algum tipo de estendal para aproveitar as horas de sol. No Algarve cerca de 44 por cento das casas possuem varandas, 21 por cento terraços e 14 por cento marquises.

O diretor da IKEA de Loulé, Abdelhak Ayadi, 51 anos, visitou inclusive algumas dessas casas para conhecer melhor a realidade algarvia.

Viktor Olivemark, strategic planner da Ikea Business & Consumer Intelligence (IBCI) da IKEA of Sweden, é um dos 25 investigadores que desenvolvem projetos, recolhem informação e aplicam metodologias de forma a entenderem em profundidade como vivem os indivíduos em casa.

«A nossa equipa tenta perceber que necessidades têm, o que querem e o que sonham ter as diferentes pessoas em diferentes áreas do globo», explica Olivemark. Questionamo-nos «como é o dia a dia das pessoas?», «quem são estas pessoas?», «de que forma podemos melhorar a sua vida?».

Depois apresentamos resultados e tentamos tomar decisões que vão ao encontro de todas as informações recolhidas e necessidades apresentadas. Na IKEA produz-se com um propósito: a realidade local e para o maior número possível de pessoas. «Por isso, justifica-se que existam utensílios específicos para as casas da Ásia que não encontramos nas IKEA europeias», disse Olivermark ao «barlavento», aquando da nossa visita à IKEA na Suécia.

O mesmo tipo de estudos foi conduzido aquando da abertura das IKEA no centro e norte do pais. No norte, por exemplo, a IKEA constatou que a maioria das divisões das casas tem uma divisão utilizada como lavandaria. Ou, que a maioria possui lareira. Tudo isso foi tomado em conta, e refletiu-se, quer nos cenários montados em loja, quer no número e tipos de produtos disponibilizados.

Olivemark explica que há cinco anos que desenvolvem a investigação «vida em casa», para perceberem como se comportam os indivíduos em casa. O que querem, o que precisam, o que valorizam. Em qualquer um dos casos, o objetivo global e a resposta tem sempre como intenção criar um «design democrático» assente em cinco pilares essenciais: a forma, a qualidade, a função, a sustentabilidade e preço acessível.

Preço dos artigos?
E como é escolhido o preço de cada produto? O preço de um artigo não é universal em todo o mundo. A mesma mesa de cozinha não tem o mesmo valor em Portugal, na Suécia ou na Indonésia. Os preços são ajustados tendo como termo de comparação o custo dos produtos alimentares e o salário médio dos trabalhadores em cada país. «Quantos cestos poderiam encher com produtos básicos em Portugal para atingirmos este valor?». Não admira que na Noruega sejam necessários apenas três, enquanto em Espanha sejam dez e na Indonésia 17, para adquirir um determinado produto. «Fazemos produtos que ajudem a economizar dinheiro e tempo».

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