Herdade Barranco do Vale é o novo vinho do Algarve

Novo rótulo integra a marca vinhos de Silves. Primeira produção ronda as 20 mil garrafas em cinco referências, incluindo um fresco rosé para o verão. Objetivo é apostar na qualidade e diferenciação com destaque para a tradicional negra mole e em novas castas brancas.
João do Ó, enólogo do adega Única, em Lagoa, inspeciona o novo rosé da Herdade Barranco do Vale.

O mais recente néctar algarvio vai ser apresentado na Casa Museu João de Deus, em São Bartolomeu de Messines, no sábado, 21 de julho, às 19 horas. Sob o nome Herdade Barranco do Vale, o vinho recupera uma tradição familiar, segundo conta ao «barlavento» Ana Matias Chaves, que apesar de nascida em Lisboa, tem as raízes no Algarve. «A minha mãe é de Alte. A minha avó nasceu na Ribeira de Algibre e o avô em Messines de Baixo. Chamava-se Ramiro da Graça Cabrita e era conhecido da terra. Quando faleceu, uma das coisas que nos deixou foi uma propriedade na zona dos Campilhos, onde tinha vinha, sobreiros plantados por ele e algum gado. Os meus pais, vivendo em Lisboa, sempre trataram da vinha, faziam a vindima e as uvas iam para a adega cooperativa de Lagoa. Temos negra mole dos anos 1960, plantada pelo meu avô, que é fantástica», conta.

O novo vinho é um projeto assumido pelo casal Ana Matias Chaves, formada em gestão, e o marido, Luís Chaves, economista que sempre gostou do campo. Há dois anos que estão a preparar tudo. Esta primeira produção tem cinco referências. Um tinto reserva de 2016 com 20 meses de estágio, «de muito pouca quantidade, que é um blend de negra mole, aragonez e castelão. Temos três tintos de 2017, um monocasta castelão reserva, um blend reserva de castelão com aragonês, e um monocasta de aragonês. Todos com nove meses de estágio», produzidos nas instalações da adega Única, em Lagoa, pelo enólogo João do Ó.

O grande destaque é o rosé de 2017. Já está engarrafado e aguarda apenas rotulação.

Mas o grande destaque é o rosé de 2017, ao gosto da produtora. «Prefiro um vinho fresco, aromatizado, suave e pouco doce. A negra mole também se presta a isso, a transmitir um pouco mais o açúcar da uva», explica. No inverno, Ana Matias Chaves fez uma formação com o enólogo Mário Andrade, em Albufeira, o que tornou mais fácil o entendimento com o enólogo da Única. E enquanto aguarda pela opinião da crítica especializada, no terreno, já se preparar o futuro. «A nossa propriedade tem cerca de 100 hectares, mas de vinha só tinha cinco, do tempo do meu avô. A agora temos 10 hectares, com seis castas brancas. As primeiras análises serão feitas no final deste mês, para perceber a qualidade e se poderemos também produzir brancos já em 2018. Iremos tentar aumentar a produção de negra mole, para não deixar morrer esta casta», aponta. A atual produção rondará os 15 mil litros, o suficiente para 20 mil garrafas.

Em relação à Única, a produtora não poupa elogios. «Sinceramente, seria um crime perdermos aquela adega. É mesmo única e todos nós temos de ajudar para que não se perca», sublinha.
Questionada sobre como rentabilizar uma pequena produção, Ana Matias Chaves diz estar ciente do desafio. «Vamos começar por entrar no circuito comercial do Algarve, apesar de já termos pessoas interessadas em Lisboa», com vários distribuidores interessados na marca. Os estudos de mercado estimam que a região algarvia tem o preço médio de garrafa de 12 euros, o mais alto do mercado português. «A nossa aposta irá assentar na qualidade. Os bons vinhos precisam de boas rolhas, de forma a poderem melhorar em garrafa», exemplifica. Além disso, o projeto da Herdade Barranco do Vale tem «mais vertentes e queremos fazer uma unidade de enoturismo», com uma pequena adega onde os visitantes poderão fazer provas de vinhos e participar em eventos culturais.

A propriedade também tinha uva de mesa que tem sido substituída por castas vinhateiras, incluído novas variedades brancas.

O rótulo da nova marca terá uma imagem simples e apelativa e com uma referência regional. «A cor base da marca assenta no grés vermelho, também conhecido como grés de Silves». A produtora deixa também uma palavra de apreço e agradecimento à Câmara Municipal de Silves e à Junta de Freguesia de São Bartolomeu de Messines. «São pessoas fantásticas e que reconhecem a importância de se tratar de um vinho da terra». Embora não queira avançar números, reconhece que este projeto representa um investimento significativo. «Acho que vale a pena. Nós acreditamos muito nestes vinhos, que são os produzidos mais a norte do Algarve», conclui.

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