Ginásio Clube Naval de Faro garante concessão da doca de recreio por 30 anos

Direção congratula-se com a concessão a 30 anos da doca de recreio pela Docapesca e a reversão do passivo de 380 mil euros, em menos de um ano.
João Godinho Marques, presidente do Ginásio Clube Naval de Faro.

Era um problema que se arrastava e que por fim chegou a bom porto. A atual direção do Ginásio Clube Naval de Faro (GCNF), presidida por João Godinho Marques, conseguiu, junto da Docapesca, resolver o passivo e assinar um contrato de concessão de 30 anos.

«Isso significa que voltamos a ter viabilidade. Até aqui, tínhamos um contrato com a Docapesca que era renovado ano a ano. Agora, temos um contrato de concessão a 30 anos, o que garante a gestão da doca interior, que é a nossa principal fonte de receita. Implicou um grande esforço, pois tínhamos uma dívida na ordem dos 348 mil euros. Ou seja, não estávamos a pagar a renda do espaço, e também, fruto das dificuldades financeiras, não havia qualquer investimento na infraestrutura», resume ao «barlavento».

Outra dificuldade em vias de ser resolvida é a questão do assoreamento da doca e dos acessos à mesma. «Fomos informados que já está a ser lançado o procedimento para as dragagens, pela Docapesca. A intervenção será feita, numa primeira fase, junto às Portas do Mar, e no acesso exterior. Será dragada a zona da doca de pesca. Já a outra parte, das embarcações de recreio será da responsabilidade do Naval. Vamos tentar aproveitar a mesma empreitada», revela o presidente. Outro projeto que está a avançar é a criação de um passadiço paralelo à linha de caminho de ferro, que ligará a zona junto à sede do GCNF até ao Centro de Ciência Viva do Algarve. Permitirá uma travessia rápida, segura e alternativa. «A ideia foi colocada ao executivo municipal, que aceitou e, no âmbito das negociações, à Docapesca, que também concordou. Entendemos que é uma infraestrutura de interesse público, com mais-valias para a população e para o turismo», explica João Godinho.

«Apresentámos uma candidatura ao GAL (Grupo de Ação Local Pesca do Sotavento do Algarve) e aguardamos resposta. Se for apoiada, melhor. Senão, avançará na mesma», garante. Além do passadiço, o projeto contempla a requalificação da zona de manutenção de embarcações, «para retirar algum impacte ambiental», e também uma esplanada suspensa sobre o espelho de água, numa área sem uso da doca.

Mas sem mais espaço para embarcações e uma longa lista de espera, o presidente do Naval não desiste de poder vir a gerir e reorganizar todo o espaço exterior na Ria Formosa, por detrás da linha de caminho-de-ferro, criando ali uma plataforma para mais 270 lugares. A ideia foi apresentada em abril de 2017 à AMAL. «Faro precisa de uma resposta. O que queremos é dar condições às embarcações assumindo responsabilidade na gestão do espaço. Estamos a falar de uma estrutura ligeira, de fingers e passadiços. A certeza aqui é que se for o Naval a fazer, será como investimento público». E «se for dentro daquilo que é a nossa determinação, se for da vontade de todas as pessoas com responsabilidade e que conhecem esta zona, terá tudo para ser uma realidade», conclui.

26ª Volta ao Algarve regressa em julho

A prova anual organizada pelo Ginásio Clube Naval de Faro (GCNF) decorrerá de 5 a 7 de julho, no sentido de Sotavento para Barlavento, com partida de Vila Real de Santo António, numa etapa direta à ilha da Culatra. A seguinte será rumo a Albufeira, e no dia seguinte, a Lagos. Um dos grandes parceiros é a marca Land Rover. Segundo João Godinho Marques, presidente do GCNF, «no ano passado demos um grande salto qualitativo, aliás reconhecido pelos participantes. Nesta edição, notamos que há um crescimento no envolvimento de patrocinadores e no número de interessados em participar. Vamos ter cerca de 200 velejadores» vindos de todo o país e da vizinha Espanha, antevê. Questionado sobre o que torna este evento apetecível, o presidente do Naval refere «o gosto pelo mar e pela vela, a beleza das paisagens e sobretudo o companheirismo. São três dias de uma competição muito saudável. Quando há vento, trabalha-se e usufrui-se das condições. Quando não há, as embarcações tornam-se centros de convívio», descreve. Mas não só. «Esta prova tem uma característica de partilha, pois junta e envolve os vários clubes náuticos da região. O apoio dos parceiros é fundamental», entre autarquias, marinas e privados. Este ano, não há prize money, mas produtos especializados, serviços e estadias na região oferecidos pelos patrocinadores. A passagem pela Culatra promete também marcar, pois envolverá a população local, com comida de tacho à marinheira e degustação de ostras na praia.

Escola de vela para adultos

Uma iniciativa que já vai na quarta edição e que na opinião de João Godinho Marques tem dado frutos é a escola de vela para adultos, com periodicidade de dois em dois meses. «Há pessoas que se juntaram em sociedade para adquirir embarcações e já participam em regatas», revela o presidente do Ginásio Clube Naval. «Todos os meses organizamos uma regata na Ria Formosa. A média de participação ronda as 20 embarcações, com 80 a 90 pessoas». Este serviço colmata uma lacuna e «dá um impulso» ao rumo do serviço público do Naval. «Costumo dizer que temos o melhor campo de futebol da Europa para a prática da vela. Vamos continuar a direcionar a nossa atividade para a cidade, ao serviço das pessoas».

Canoagem lúdica e triatlo no horizonte

Segundo João Marques, presidente do Ginásio Clube Naval, «deixámos de ter remo porque tínhamos poucos praticantes e já não era sustentável. Estamos a pensar, em parceria, com o Sport Faro e Benfica, criar dinâmicas de canoagem, embora não vocacionadas para a competição». A modalidade não é viável porque a maioria das provas e competições são no norte do país, o que torna a participação muito onerosa. «A nossa lógica é voltar à canoagem numa versão lúdica» aberta à comunidade. Outra ambição futura é a aposta no triatlo. «Temos piscinas, natação, transporte para levar os atletas. Seria uma modalidade muito interessante para implantar no Naval».

Escola de vela na Culatra faz sucesso

Começou a funcionar este ano letivo, num contentor junto à pradaria daquela ilha-barreira. «É uma ideia muito bonita», diz João Marques, presidente do Clube Naval de Faro. «Surgiu em conversa entre mim e a Sílvia Padinha», presidente da Associação de Moradores da Ilha da Culatra, «sendo desde logo apadrinhada pelo município. Avaliámos este projeto, e o agrupamento deu-nos a possibilidade de inserir esta atividade nas atividades escolares. A verdade é que temos 16 jovens que já sabem velejar, orientados pelo instrutor João Arco, que tem feito um trabalho incrível. Foi uma grande aposta e é um projeto para continuar», garante.

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