Galp e ENI desistem do furo de exploração de petróleo ao largo de Aljezur

O concórcio Galp e a Eni tomaram a decisão «de abandonar o projeto de exploração de fronteira na bacia do Alentejo», segundo avançou hoje, 29 de outubro, a petrolífera nacional. A justificação tem por base a impossibilidade de realizar o plano de trabalhos dentro do prazo autorizado pela Agência Portuguesa do Ambiente (APA).

O furo de prospecção ao largo de Aljezur seria a conclusão de um processo remonta a 2007, altura em que se deu início às primeiras avaliações sísmicas e recolha de para a identificação dos locais com maior potencial para a exploração comercial de hidrocarbonetos.

«Apesar de lamentarmos a impossibilidade de avaliar o potencial de recursos offshore do país, as condições existentes tornaram objetivamente impossível prosseguir as atividades de exploração», justifica a GALP em nota enviada às redações.

A empresa argumenta ainda que vai «continuar a investir em Portugal e a abrir caminhos no campo da mobilidade sustentável, a apostar na competitividade e na eficiência energética e ambiental das refinarias bem como reforçar progressivamente a aposta nas fontes de energia de base renovável em regime de mercado. É aqui que temos a nossa âncora e que estamos a lançar as bases para a transformação estratégica da empresa em resposta aos desafios da descarbonização».

No entanto, «dada a existência de diversos processos judiciais em curso sobre este assunto, as duas empresas não farão comentários adicionais neste momento» sobre o futuro deste processo.

Ouvido pelo «barlavento», Jorge Botelho, autarca de Tavira e presidente da AMAL – Comunidade Intermunicipal do Algarve considera que «a confirmar-se é uma excelente notícia para os algarvios e para todos aqueles que sempre defenderam a região livre de petróleo».

«Neste processo, todos têm um pouco de responsabilidade, porque aumento o nível de escrutínio. Há uns anos, quando a AMAL e os empresários disseram que eram contra a prospecção e exploração de petróleo no Algarve, todo este processo ia andando um pouco em segredo. No entanto, graças à intervenção cívica e política, pois houve uma posição unânime dos autarcas no seio da AMAL contra este processo, juntamente com as declarações conjuntas dos empresários, conseguiu-se que este processo não vingasse», considerou

«O governo deu-nos razão em relação à exploração em terra (on shore) e no caso da Repsol. Agora, a ser verdade, o aumento da participação cívica e dos movimentos de cidadania levou a este desfecho que nos agrada», disse.

«Na minha opinião, enquanto autarca e cidadão algarvio, penso que a região ganha. O petróleo do Algarve deveria ser o turismo. Aliás, estes eram contratos absolutamente definidos pelos concessionários e sempre tivemos contra a sua rentabilidade» que pouco ou nenhum retorno trariam para o Algarve.

«Sabemos que continuará a haver hidrocarbonetos, mas devem ser comprados noutras latitudes porque aquele era o sítio errado» para se instalar esta indústria, concluiu Jorge Botelho.

Já Vitor Aleixo, presidente da Câmara Municipal de Loulé, considera que «em primeiro lugar, o Algarve da sustentabilidade ambiental e da sustentabilidade económica estão em festa. Podemos todos comemorar, porque foi uma enorme vitória e temos todas as razões e mais alguma para comemorarmos todos. Isto demonstra que nada está, nunca, decidido à partida. Vale sempre a pena lutar por aquelas causas em que acreditamos e esta foi uma causa em que muitos algarvios acreditaram, como as associações ambientalistas, os autarcas, os empresários, os cidadãos. Portanto esta foi uma decisão sensata por parte do investidor e que nos traz a nós uma grande satisfação e alegria. Acho que é o momento para comemorar».

Em declarações ao «barlavento», Aleixo sublinha que «não fossemos tão persistentes como fomos, e nunca teríamos chegado aqui. Isto é uma vitória, é uma vitória da persistência».

Para já, «não se vai retirar do subsolo energia carbónica que, como sabemos produz gases com efeito de estufa e isso é uma grande vitória. O que temos que fazer é aprofundar e investir num paradigma novo que já está aí e que tem que ser reforçado».

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