Free Walking Tours já chegaram a Faro

Dois grupos disponibilizam todos os dias, os passeios culturais mais famosos do mundo. Reúnem-se de forma espontânea com turistas à descoberta da cidade. No final, os participantes decidem, sem compromisso, a gratificação.

O conceito consiste em descobrir as cidades do mundo na companhia de guias experientes, mas sem pré-pagamentos estabelecidos. «O aspeto diferenciador é que os participantes são livres de decidir o valor que os guias merecem ganhar, de acordo com a experiência que proporcionaram», explica Carlos Reis, 35 anos, formado em psicologia e guia em Faro, pela empresa «Take Algarve».

«São free tours mas não tours for free! Ou seja, é uma tour livre mas não gratuita». O facto de «as pessoas não terem de pagar antecipadamente por um serviço do qual, podem ou não gostar» é, na sua opinião, o grande segredo do sucesso destes passeios.

«Esta liberdade de, apenas no final da experiência, dar uma compensação de acordo com a qualidade do serviço prestado, por um lado, acaba por atrair mais pessoas. Por outro, faz com que os guias se esforcem mais por proporcionar uma experiência extraordinária, ao contrário de outros que podem já ver o trabalho como garantido, uma vez que o valor estabelecido já foi pago. É comum ouvir que os guias nos free tours são muito mais entusiastas e comunicativos porque sabem que o seu rendimento depende do bom trabalho que fizerem».

Carlos Reis participou em muitos Free Walking Tours, isto é, passeios culturais livres, um pouco por todo o mundo: Barcelona, Belgrado, Vilnius (Lituânia), Riga (Letônia), Bucareste, entre outros destinos. Inspirado por estas experiências, e depois de ter mostrado Faro a amigos, inúmeras vezes, pensou em formalizar esta oferta na capital algarvia.

Em novembro de 2017 fez a sua própria primeira tour, pelas ruas de Faro, e sob a alçada da marca  «Take Algarve», que também já realiza passeios em Lisboa e Porto, através das marcas «Take Lisboa» e «Take Porto».

Todas as sextas e domingos, às 10h30, Carlos Reis conduz um passeio, em inglês, e às 15 horas, um outro, em espanhol. Os passeios são realizados com o mínimo de uma pessoa e o máximo de 20.

Sem pressas, Reis aguarda os turistas interessados em descobrir a história da cidade no Coreto do Jardim Manuel Bívar, em frente à doca de recreio. Para encontrá-lo basta procurar pelo chapéu azul com a inscrição a amarelo «Free Tours».

À hora marcada, inicia percurso que inclui passagens por locais como o Café Aliança, Arco da Vila, Sé, Teatro Lethes, Igreja do Carmo e Capela dos Ossos, onde descortina passagens da história, lendas e várias curiosidades. «Como não surpreender os participantes ao visitar a sala de jantar do restaurante Vila Adentro e contar as histórias do túneis secretos da cidade?

E se tiver tempo, aproveito ainda para visitar o atelier de azulejos do Sr. Joaquim, que permite um contacto direto entre os visitantes e os locais. Faz toda a diferença na experiência que proporcionamos», revela.

Até agora, os estrangeiros, sobretudo ingleses, alemães, e espanhóis, mas também canadianos e australianos, são quem mais adere. No verão, as tours em espanhol «estão sempre lotadas. São muito concorridas ao contrário do que acontece no inverno». Por outro lado, «o turista de Faro não procura tanto praia, mas cultura, e a cidade é muito rica em termos históricos».

A promoção destes passeios é feita sobretudo por parcerias internacionais, redes sociais e flyers distribuídos nas várias unidades hoteleiras e hostels da região.

Além de Faro, Carlos aponta «Lagos, Silves e Tavira» como as três cidades algarvias «muito interessantes» e «com potencial para» acolherem o conceito.

Marcelo Dias, 41 anos, guia de natureza e Rita Santos, 36 anos, engenheira do ambiente, ambos naturais de Faro e responsáveis pela marca Faro Free Walking Tours, cansaram-se de mostrar Faro a amigos, e decidiram fazer destas visitas, a sua profissão, já lá vai um ano. Na manhã em que os entrevistámos já haviam realizado uma tour para 13 pessoas da Austrália, Nova Zelândia, Letónia, Itália, Polónia, Alemanha e Escócia. Cada percurso dura duas horas. «Damos uma aula de História viva, desde a origem da cidade no século VIII a.C. até aos nossos dias. Desenvolvemos o nosso próprio itinerário e somos responsáveis pela pesquisa, investigação dos conteúdos e estruturação do roteiro», dizem.

Rita aderiu às Free Walking Tours há mais de 10 anos. De Buenos Aires a Hanói, já experimentou este tipo de visitas culturais um pouco por todo o mundo e, não tardou a perceber, que também ela poderia fazer o mesmo na terra que a viu crescer.

Até porque «contar a história da nossa cidade tem muito mais amor, respeito e sensibilidade quando é feito pelos próprios locais. Já fizemos todo o tipo de Free Walking Tours e conseguimos distinguir as que são feitas por nativos que realmente conhecem o local e as outras, realizadas por contratados exteriores». Na opinião de Rita Santos, a tour não tem interesse apenas para estrangeiros de passagem pela capital algarvia pode ser atrativa para «portugueses e locais residentes. Com certeza irão descobrir e aprender coisas que desconheciam» e passarão a ver Faro com outros olhos.

«Já tivemos, por exemplo, um grupo de 20 estudantes de nanotecnologia alemães. Mas regra geral, os grupos são pequenos e mais intimistas, o que permite uma maior interação, satisfazer mais dúvidas, aprofundar áreas de maior interesse, aprender mais e entender tudo de forma clara», defendem.

Até 30 de setembro, Rita e Marcelo estão todos os dias, em frente ao Arco da Vila, às 10 e às 16 horas. A partir de 1 de outubro o horário das tours será às 11 e 15 horas. Distinguem-se dos transeuntes por um acessório: um guarda-chuva vermelho. As visitas são conduzidas em língua inglesa.

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