Estudo do Automóvel Club de Portugal «arrasa» estradas algarvias mas propõe soluções

Segundo o documento, bastaria um investimento de 149700 euros para resolver os problemas nas seis zonas mais críticas.

O Observatório do Automóvel Club de Portugal (ACP) divulgou hoje, quarta-feira, 18 de julho, os resultados de um estudo sobre a rede rodoviária do Algarve, no qual é apresentado um levantamento dos perigos que se verificam em seis zonas críticas e 23 troços, onde 38 pessoas morreram em acidentes nos últimos sete anos. O trabalho de campo para a realização do decorreu em maio e junho de 2018.

Dessa análise dos locais de observação de acidentes com vítimas mortais, «resulta um conjunto de soluções de execução simples e rápida e de baixo orçamento».

O estudo foi entregue à Associação de Municípios do Algarve (AMAL), «na esperança de uma decisão célere por parte dos autarcas».

Alguns dos casos analisados pelo Observatório ACP «passam por vias estruturantes como o IC1, a incontornável Estrada Nacional 125 e a estrada mais longa do país, a EN2, esta última na ligação com a Via do Infante (A22)».

No cômputo geral, «os problemas detetados nestas vias são a permissão de velocidade elevada, os perigos para os peões, sobretudo as partes em que podem atravessar as vias; os cruzamentos de acesso a trânsito local; a falta de espaço para os peões circularem, aliado a um elevado volume de tráfego de atravessamento e forte circulação de camiões; o estado de conservação da sinalização horizontal de trânsito, sobretudo as guias e as linhas de separação de vias; a falta de limpeza das vias de um modo geral e das vegetações nas bermas em particular, e, por último, o estado de conservação do pavimento em muitos troços e em extensões consideráveis, com graves depressões e abatimentos em zonas de curvas».

Segundo o estudo do Observatório do ACP, bastaria um investimento de 149700 euros para resolver os problemas nas seis zonas mais críticas.

«Tornar compatível o uso de uma estrada como forma de atravessar partes do Algarve com o trânsito local é um dos eixos centrais das intervenções propostas. Para isso, seria preciso baixar o perfil de estrada para um de arruamento, dando mais espaço a peões. Nessa lógica, a intervenção deve promover a segurança e a amenidade em detrimento da fluidez e capacidade. Este ambiente urbano em algumas estradas algarvias teria de compatibilizar o tráfego de atravessamento com o trânsito local. Para tal seria necessário reforçar toda a sinalética rodoviária, fosse a horizontal ou a vertical, interditando as ultrapassagens em vários troços, sobretudo nos de menor visibilidade. E seria imperioso definir muito bem, com recurso a sinalização bem visível, os locais de inversão de marcha assim como o pontos de mudança de direção», aponta o documento.

Ainda na parte que toca aos peões, o estudo recomenda «a introdução de dispositivos luminosos com sensores de velocidade incorporados, associados a travessias pedonais e acionados por botão. Os peões devem também ver reforçados a segurança na acessibilidade às paragens de autocarros, complementadas por boas condições de atravessamento da estrada. Uma das sugestões nesses casos a aplicação de piso antiderrapante tipo slurry na zona de aproximação a travessias pedonais. Nos casos mais complicados ou de potencial conflito entre peões e veículos, recomenda-se colocação junto às passadeiras de balizas rebatíveis ou mesmo lombas cromáticas ou sobrelevadas, associadas a semáforos. A culminar, o reforço da iluminação pública esses locais com mais peões».

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