Escola portimonense tem Aldeia Natal onde cabe o mundo

Diversas culturas e crenças levaram uma das educadoras do Centro Escolar do Pontal a desafiar para assinalar a época com projeto diferente.

Cartão, pauzinhos de gelado, algodão e até peças de Lego foram alguns dos materiais que a comunidade do Centro Escolar do Pontal, do Agrupamento de Escolas Poeta António Aleixo, em Portimão, utilizou para construir o cenário de uma verdadeira Aldeia de Natal.

No final de novembro, todos os pais foram desafiados a criar uma pequena casinha de cartão, com espaço para ser colocada, no interior, uma pequena luz. A ideia era transformar a entrada do Centro Escolar numa pequenina aldeia a condizer com o espírito da quadra que se vive. Poucos dias depois, as casas começaram a tomar forma e a ser colocadas à entrada, como se de uma montra se tratasse. Hoje, ocupam todo o hall de entrada e quase que lá cabe o mundo.

«O projeto surgiu, porque, ao fazer a caracterização do grupo da sala de infância 3 do Centro Escolar do Pontal deparei-me com uma grande diversidade a nível cultural e religioso. Como não queria ferir suscetibilidades a ninguém e como achei que deveria trabalhar o Natal [com os pequenos alunos], lembrei-me de construir a Aldeia sem focar o nascimento de Jesus para que todos pudessem participar. Disse aos pais para numa caixinha de sapatos fazerem pequenos buracos para as janelas e outro para a porta, permitindo que no interior colocássemos uma luz para fingir que a casa estava ocupada», contou a educadora Anali, responsável pela ideia. O exterior seria sempre decorado pelos pais de acordo com as suas origens. Seria uma aldeia multicultural, com habitações típicas de vários países ou regiões de Portugal.

E quem não tivesse jeito para os trabalhos manuais, poderia participar também, bastando aproveitar uma ida ao campo ou à serra para apanhar troncos, pinhas, folhas, pequenos paus para compor a aldeia. «O objetivo era que todos participassem», sublinhou.

A verdade é que os pais aderiram em força e há maquetas para todos os gostos, desde a tradicional casa algarvia ou alentejana, de Trás-os-Montes e Alto Douro, Bragança ou da Madeira, mas também de África, do Leste da Europa, dos Alpes.

«Os pais começaram a ver a aldeia a ser construída, punham a mão na consciência e diziam ainda não fiz», relatou Anali, acrescentado que a dada altura, com o volume de casas a crescer, começou a pedir para que construíssem pontes e trouxessem animais, ou qualquer outro elemento que compõe uma aldeia tradicional.

«Houve uma adesão e um empenho muito grande, também dos professores, quer do pré-escolar, quer do primeiro ciclo», destacou ainda a educadora. Participaram as 21 turmas do ensino primário e as oito salas do pré-escolar. Ainda assim, o desafio principal foi para os pais. «Foi uma forma de descomprimir um pouco, de dar a oportunidade de estarem com os filhos a fazer algo diferente», confidenciou ao «barlavento».
Anali contou com a ajuda dos restantes professores e educadoras para montar todo o cenário e distribuir os adereços, pois foram precisas muitas horas para conseguir encaixar tudo no seu lugar, dar forma às montanhas, colocar a iluminação e ultimar todos os pormenores para que na sexta-feira, dia 15 de dezembro, Luís Correia, diretor do Agrupamento, inaugurasse de forma simbólica a Aldeia.

Aliás, o diretor avançou ao «barlavento» que a ideia resultou muito bem. «Foi um trabalho de interligação entre o primeiro ciclo e o pré-escolar, numa ideia original da educadora Anali que, depois em reunião de departamento, foi muito bem aceite pelos outros professores e educadores. Todos se empenharam neste trabalho, que é de peso, e esteticamente está muito bem conseguido», considerou.

«Temos casas de várias origens. Foram feitas com interligação com a família, como deve ser, e os pais também trabalharam com gosto. Eles gostam de ver o trabalho dos filhos exposto. Acho que os nossos professores e educadoras estão de parabéns», reforçou.

E poderá ser um exemplo a continuar ou a seguir por outros estabelecimentos escolares. «Isto é um trabalho de partilha, que é muito importante que haja nas escolas, quer entre professores com os seus alunos, quer com os pais em família. A escola é de todos e para todos, portanto é esse o espírito que devemos ampliar» ainda mais numa altura como o Natal, defendeu.

E, talvez quem sabe, possa dar um saltinho e evoluir para vila e, mais tarde, para cidade. Basta que para isso haja vontade. Pelo menos, a ideia da mentora do projeto é que este tenha continuidade e cresça. E o diretor do Agrupamento concorda. «Para o ano faz-se uma vila, porque acho que todos ficaram contentes com o resultado final. Tem várias culturas, diversos materiais foram utilizados e dá uma ideia geral de integração das várias casinhas, montes, pessoas, igrejas, pontes. A iluminação também dá um aspeto quente, natalício», além do mais importante que é encontrar uma forma diferente de celebrar o Natal tendo em conta que há várias culturas e religiões no espaço escolar, afirmou.

Neste ano de estreia, o projeto pode ser visto das 10 às 15 horas e das 20 às 22 horas, esta quinta e sexta-feira, 21 e 22 de dezembro, bem como nos dias 27, 28 e 29. A última oportunidade de visitar o espaço será de 3 a 5 de janeiro, pois no Dia de Reis começará a ser desmontada. No final, os adereços serão devolvidos aos pais.

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