Escola de Hotelaria e Turismo de Portimão deu-se a conhecer a potenciais alunos

Os corredores da Escola de Hotelaria e Turismo (EHT) de Portimão estão cheios de jovens que esperam, logo de manhã, para entrar à descoberta de um novo futuro profissional. Em cada sala haverá uma novidade, uma apresentação do melhor que os atuais alunos e formadores fazem naquele estabelecimento de ensino na Pedra Mourinha. Uma oportunidade de conhecer a EHT por dentro, possibilitada pelo Open Day, das Escolas do Turismo de Portugal, no final da semana passada.

Pelos mesmos corredores já passaram alguns nomes conhecidos no panorama da gastronomia, restauração e hotelaria, que conseguiram alcançar altos voos e carreiras reconhecidas.
Ana Teresa Sequeira é uma das alunas do segundo ano de Técnicas de Cozinha e Pastelaria, que poderá bem vir a ser um desses nomes. Apresenta aos jovens visitantes uma sobremesa e alguns dos truques que já aprendeu.

A curto prazo deseja terminar o curso, mas no futuro bem próximo pode estar a função de chefe de pastelaria. Ao mesmo tempo que ambiciona criar o seu negócio, confidencia ao «barlavento» que está a preparar tudo para lançar «uma página nas redes sociais». Não traça um plano rígido, mas tem objetivos concretos que passam «pela área da restauração».

Hoje reparte o tempo entre a frequência do curso na EHT e o trabalho no restaurante de fine dining Leão de Porches, onde é chefiada por Mário Lino e Marco Morais. «Foram alunos da EHT», relembra Pedro Moreira, diretor daquele estabelecimento de ensino, acrescentando que «há uma perpetuação da tradição e do saber-fazer, através de ex-alunos que após entrarem no mercado de trabalho, de alguma forma, continuam ligados à escola». Aliás, Marco Morais é um dos formadores da EHT em Portimão, exemplifica Ana Teresa.

Não é a primeira vez que esta jovem aluna frequenta um curso numa escola do Turismo de Portugal. «Ingressei no ensino da EHT há cinco anos, altura em que frequentei o primeiro ano nesta área. Entretanto, deixei-me levar pelo mercado de trabalho, até porque para ter um emprego na restauração não necessitamos necessariamente de diploma. Nessa pausa, estive um ano num restaurante na Arrifana, em Aljezur, e depois um ano num restaurante com Estrela Michelin, em Londres, na área de pastelaria», conta ao «barlavento».

Chegou à conclusão que o diploma afinal até é uma mais-valia, sobretudo o de uma Escola de Turismo.

«Não só os salários aumentam, como também a responsabilidade que põem sobre nós é diferente», admitiu. Regressou àquela que considera ser uma das melhores EHT a nível de formação, porque, além dos formadores serem profissionais da área, colocam-nos desde logo em contexto real de trabalho. «Somos preparados para qualquer tipo de situação e qualquer tipo de estabelecimento», resume. E essa é a grande mais–valia para, assim que acabam os curso, estes novos formandos consigam dar o pulo, com boas oportunidades de estágio e de forma muito rápida.

No entanto, durante o Open Day, desvenda um pouco do que já aprendeu àqueles que nos próximos anos podem vir a fazer parte deste grande grupo, que «é quase uma família».

Numa sala ao lado está Rafael, um jovem aluno da turma de Gestão Hoteleira, Restauração e Bebidas, que conta ao «barlavento» que ingressou na EHT de Portimão, porque já tinha trabalhado «em alguns bares» e achou «por bem aprofundar conhecimentos».

Neste curso aprende-se a gerir um negócio. Foi por isso que Rui Ramos, técnico oficial de contas, com 42 anos, resolveu também matricular-se. «Permite-nos aprender praticando os vários conhecimentos que nos são ministrados nas aulas. A intenção do estágio de 500 horas numa unidade hoteleira é precisamente corrermos os vários departamentos a fim de colocar em prática o que nos foi ministrado em aula, desde receção, bar, restaurante, cozinha», afirmou. Optou por este curso porque quer dar dar início a um projeto de turismo em espaço rural, em Aljezur, e sentiu necessidade de realizar esta formação. «Para se ser um bom patrão, ou empresário, temos que ter conhecimento daquilo que se faz», considera.

Milhares já se formaram na EHT

Em 47 anos de história é difícil contabilizar o número de alunos que se formaram na Escola de Hotelaria e Turismo (EHT) de Portimão. Daquele espaço já saíram grandes nomes da cozinha, restauração e hotelaria, que hoje continuam a dar cartas no mercado de trabalho.

«Esta foi a terceira escola [do Turismo de Portugal] a abrir, em 1970, no país. A primeira foi a de Lisboa em 1956 e a segunda foi a de Faro em 1968», disse Pedro Moreira, diretor da EHT de Portimão.

A lógica é criar, segundo o diretor, um blend entre formadores contratados todos os anos e ex-alunos desta ou qualquer outra EHT do Turismo de Portugal. «Nas áreas de restaurante, cozinha e bar acontece muito»,.

«Trazer ex-alunos na lógica de manter a cultura do Turismo de Portugal e refrescar com conhecimentos e know-how mais recentes» são os objetivos. «Por outro lado, tentamos fazer com que uma boa parte dos nossos formadores sejam pessoas com responsabilidades no sector, sejam eles chefes de cozinha, diretores de Food and Beverage (F&B), diretores gerais. O nosso corpo de formadores é quase todo composto por chefias de departamento ou até diretores gerais, ou chefes de cozinha ou diretores de F&B de hotelaria, em particular da zona do Barlavento», garante.

Em Portimão há dois níveis de formação. O nível IV é equivalente ao 10º, 11º e 12º, embora nesta escola tenha uma denominação diferente. Há o curso de «Técnicas de Serviço, Restauração e Bebidas e o curso de Técnicas de Cozinha e Pastelaria. Já no nível V, este é um curso pós-secundário, para alunos que têm o 12º ano já concluído ou que não o tendo, tenham frequentado, com todas as disciplinas concluídas, o 10º e 11º. Temos o curso de Gestão Hoteleira, Restauração e Bebidas, que tem como perfil de saída assistente de diretor de alimentação e bebidas», explicou.
A diferença desta escola, que não atribui grau académico, é o facto de os alunos efetuarem, por exemplo, iniciação à gestão, mas com a mão na massa. «Aprendem mesmo a fazer. E para liderar as pessoas tem que saber fazer. Acho que termos uma formação muito prática é determinante. Está lá a gestão, o marketing, a economia, mas, ao mesmo tempo, estão a carregar a bandeja, a fazer comida, lavar pratos e isso faz toda a diferença», justifica Pedro Moreira.

Não é uma escola melhor ou pior do que outras existentes na formação regular. Tem exigências diferentes e trabalham de forma diferente as competências. «Insistimos muito na área do saber ser, das competências transversais nas relação interpessoais. É determinante para a profissão. Há uma série de elementos que são importantes e fazem parte do nosso regulamento que tem a ver com a postura, com o comportamento e com as atitudes. É que o erro técnico perdoa-se, mas o de atitude nunca se perdoa», concluiu. Pedro Moreira desvenda assim que um dos segredos é «formar excelentes pessoas que sejam excelentes profissionais».

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