Empresa de energia solar algarvia fornece projetos para todo o mundo

Com sede em Faro, a DC-PV já tem 90 por cento da atividade fora de Portugal.
Miguel Ornelas, gestor da empresa farense DC-PV (Decentralized Photovoltaics).

Desde setembro de 2012 que a empresa algarvia especializada em energia fotovoltaica gerida por Miguel Ornelas tem vindo a provar que as energias renováveis são, inevitavelmente, o futuro já hoje. Pelo menos, é assim fora de Portugal, onde a DC-PV (Decentralized Photovoltaics) desenvolve 90 por cento da sua atividade.

Nos últimos seis anos, a empresa consolidou mais de 700 projetos de energia fotovoltaica com sucesso, um pouco por todo o mundo. Em termos de serviços de engenharia, a faturação anual no ano transato foi de 1,5 milhões de euros mas, segundo o empresário, a previsão é de «aumentar bastante este valor durante 2018».

A equipa multidisciplinar é composta por 14 elementos. «Temos cinco engenheiros e temos abertas vagas para recrutar mais dois», além da área comercial, logística, financeira, marketing e administrativa, enumera.

O objetivo de Miguel Ornelas é colocar a DC-PV no top das empresas portuguesas no sector da energia fotovoltaica, que é a «fonte renovável mais competitiva atualmente. As energias renováveis são em geral mais baratas do que o gás, carvão, ou o diesel. Não há razão nenhuma, já que não investimos nisso antes, para não o fazer agora, numa altura em que estamos a mudar de paradigma energético a nível mundial. Sem contar que temos muito mais a ganhar em termos ecológicos, económicos, de desenvolvimento e emprego», argumenta.

A DC-PV surgiu de uma spin-off de um grupo de empresas que começou formalmente em 2005, e que fazem parte da multinacional ASUNIM, com sede no Reino Unido. No conjunto, só no ano passado, faturou 100 milhões de euros.

«Em 2012 o grupo abriu uma sucursal na Turquia e precisava de ter uma empresa do grupo que fizesse os projetos de engenharia, isto é, o trabalho de cálculo, anteprojeto e implementação de sistemas fotovoltaicos», uma vez que a engenharia naquele país, «não era tão especializada».

«O timing era ideal pois tinha acabado de ser publicada legislação, com o governo turco a lançar as primeiras licenças para grandes parques solares, bem como o novo regime do autoconsumo industrial», explica Ornelas.

Central solar fotovoltaica em Sizir, Turquia.

«No fundo, acabámos por formalizar a criação de uma empresa portuguesa para fazer projetos, e nascemos com essa função. Desde então, temos desenvolvido e implementado sistemas no terreno. Mas o grande boom tem sido nos últimos dois anos».

«Neste momento, a Turquia representa 80 por cento do nosso negócio», explica Miguel Ornelas, sócio-gerente da DC-PV, onde a indústria têxtil, alimentar, agrícola e de laticínios são os maiores clientes da empresa algarvia. «Têm muitas necessidades energéticas. Acontecia muitas vezes um industrial querer aumentar a potência contratada para ter maior capacidade de produção, e não o conseguir, porque a rede não estava dimensionada. Ou seja, em termos de energia, o país não tinha oferta para tanta procura. O fotovoltaico permitiu ao mercado industrial não ficar refém das debilidades da rede» e poder expandir-se.

Até agora, em solo turco, o maior projeto desenvolvido pela DC-PV é uma central fotovoltaica com dois parques (centrais no solo) que produzem 80MW, o suficiente para abastecer de energia o equivalente a «uma boa parte do Algarve». Mas também na região, esta empresa tecnológica tem construído sistemas de grande dimensão, por exemplo no parque aquático Zoomarine, na Guia, na fábrica de conservas da FaroPeixe, em Olhão ou no passadiço de madeira de acesso à praia de Faro (200 luminárias autónomas).

Uma empresa algarvia «fundada a pensar na internacionalização»

«Queremos continuar a nossa diversificação a nível internacional explorando a abertura de outros mercados» diz Miguel Ornelas. Egito, Dubai, e Emirados Árabes Unidos estão em forte ascenção e na mira dos algarvios. As viagens são por isso constantes, tendo os colaboradores da DC-PV vários carimbos internacionais nos seus passaportes. Todos os meses, duplas de engenheiros deslocam-se ao exterior para acompanhar as diferentes fases de obra, fazendo a supervisão e coordenação no estrangeiro.

«Os contactos são feitos através de empresas do grupo-mãe no local. O que faz sentido, pois são eles que estão no terreno e que conhecem clientes e promotores». Numa fase seguinte, «recebemos as plantas, fotografias, e outras informações sobre o tipo de telhados ou o tipo de terrenos, e outros dados. Em Portugal fazemos os cálculos da implementação e retorno económico, e apresentamos a proposta do melhor sistema a usar naquela situação. Ou seja, sugerimos a melhor solução que pode ajudar a suprir as necessidades de consumo energético do cliente», explica. «Consideramos todos os detalhes até ao parafuso», detalha.

Projeto em Kayseri, Turquia.

Uma vez que a decisão seja tomada, «deslocamo-nos várias vezes, primeiro na fase de preparação e início da obra, nos vários patamares de acompanhamento até à implementação final. Estamos a falar de dezenas de milhares de painéis solares montados durante vários meses. Na conclusão, fazemos a parametrização de todo o sistema e analisamos a comunicação dos dados, as ligações elétricas e de segurança e todo o funcionamento da instalação».

Mudança do paradigma em Portugal até 2030

«A nível energético vivemos uma mudança de paradigma na política energética nacional e europeia. Se pensarmos na realidade portuguesa, a maior parte da produção energética de fonte não renovável está concertada em grandes centrais termoelétricas (a carvão) como Sines ou Pego (Abrantes), que produzem e distribuem quase para a rede inteira portuguesa. Isto já aconteceu noutros países, mas há quem defenda, assim como nós, o crescimento de uma rede descentralizada. Ou seja, que o país não dependa de grandes infraestruturas, mas de várias centrais solares de pequena, média e grande dimensão espalhadas por todo o território», opina. «O governo português anunciou que até 2030 iria desligar a central de Sines, como parte dos compromissos ambientais uma vez que é uma central de base de carvão. Em alternativa, teremos de criar várias outras centrais espalhadas por todo o país, para substituir o modelo centralizado. Felizmente, há um grande potencial no sector fotovoltaico pois somos dos países na Europa com mais horas de sol» anuais. Ainda em 2018, arrancam «projetos das centrais fotovoltaicas de grande dimensão» nos quais a DC-PV prevê ter «um papel a nível de engenharia». Para acomodar mais trabalhadores, a empresa procederá em breve à expansão das atuais instalações. Os produtos e serviços variam entre instalações de autoconsumo residencial, industrial, off-grid (locais não abrangidos pela rede pública de energia), e implantação de parques e centrais fotovoltaicas. Regra geral, em qualquer uma das situações, o retorno do investimento pode recuperado entre 3 a 6 anos.

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