Empresa algarvia é pioneira na produção de cogumelo do cardo

Um trio de italianos decidiu apostar na produção do cogumelo do cardo italiano em Portugal e já não tem mãos a medir para tantas solicitações. Dado o sucesso, os empreendedores vão duplicar a produção, em Ferragudo, já nos primeiros meses de 2017.

«É um orgulho sermos os primeiros produtores no Algarve e em Portugal, onde até já se produz 95 por cento do cogumelo comum», explica Raffaele Salomone, 52 anos, um dos três mentores do recém-criado projeto dedicado à produção de cogumelo do cardo (Pleurotus eryngii).

A «Portugal Gourmet Food» nasceu da vontade recíproca de três amigos italianos da área da gastronomia trazerem para Portugal um ingrediente que existe em abundância em Itália, mas não no nosso país.

Ao conduzir-nos por entre as estufas, em Ferragudo, Claudio Vignono, 45 anos, há apenas um ano em Portugal, explica: «em Itália estes cogumelos crescem naturalmente em todo o lado, por isso, são fáceis de encontrar na natureza. É inclusive uma tradição familiar. Recordo-me de, muitas vezes, os ir colher com a minha avó. Mas em Portugal os poucos que encontramos à venda são importados de Espanha».

Domenico Loizzo, 40 anos, é o sócio especialista no cultivo e produção desta variedade, entre outros tipos de cogumelos, e consultor em várias empresas europeias. Foi a grande força condutora que motivou o grupo a para embarcar nesta aventura empresarial. Todos trocaram definitivamente o seu país de origem pela residência permanente em Portugal, onde há muitos nichos no setor gourmet por explorar.

A empresa foi criada no final de 2016 com o intuito de explorar novas alternativas de produção. «A decisão de investir neste projeto foi antecipadamente estudada durante cerca de um ano. Após várias pesquisas de mercado e diversos serviços de consultoria percebemos que este é um produto popular, altamente procurado e apreciado na Europa. Por isso, resolvemos avançar», explica Salomone.

A primeira plantação foi feita em Ferragudo em novembro de 2016 e a colheita, cerca de duas semanas depois, tinha uma «qualidade incrível».

A escolha do local também não foi deixada ao acaso. «Avaliámos diversas áreas no Algarve tanto no interior como ao longo da costa. A localização estratégica do terreno e, principalmente o clima, foi decisiva na eleição de Ferragudo», diz Salomone.

Vignono explica que o crescimento dos cogumelos é «influenciado pelas luas. Devem ser mantidos em estufa, a uma temperatura entre os 10 e os 20 graus, com uma certa humidade e afastados da luz direta».

Depois de colhidos, os cogumelos são limpos e acondicionados no frio, entre 2 e 4 graus centígrados, mantendo assim toda a frescura e qualidade por um período de 15 a 20 dias.

Nesta fase inicial da empresa, a equipa apostou na montagem de quatro estufas, cada uma com cerca de 300 pacotes de cogumelos. Cada um pode produzir centenas de indivíduos.

«Após a semeadura demora cerca de 20 dias a ficarem prontos. O clima e mão-de-obra são fatores extremamente importantes para o sucesso da colheita» e qualidade do produto final.

Para 2017, os sócios asseguram que o objetivo é «inovar para liderar. Construir e sermos um incentivo para os jovens que estão à procura de novas oportunidades de trabalho. A agricultura no Algarve foi-se perdendo à custa do investimento no turismo de massas, mas muitos jovens precisam de entender que a agricultura significa melhorar o território e a amar a terra», defende Salomone.

E explica que apesar da «produção limitada» a colheita semanal ainda rende «cerca de 400 quilogramas dos quais 200 são exportados para Inglaterra onde a procura é muito alta».
O resto da produção é distribuída por hotéis, restaurantes, mercados e lojas de produtos gourmet no Algarve. É ainda possível fazer entregas gratuitas até um raio de 30 quilómetros da vila de Ferragudo, sendo vendidos «a relativamente baixo preço».

O preço do cogumelo é de 10 euros por quilograma. Os interessados em degustar esta nova iguaria precisam apenas telefonar para o 967 724 023 ou 937 789 566, ou enviar um e-mail para
[email protected]

Cogumelo do cardo, o que tem de especial?

«Explicar o que torna estes cogumelos especiais é uma tarefa quase impossível. Trata-se de uma iguaria já muito célebre desde os tempos dos Romanos em que era conhecido como Fungo del Re (Cogumelo do Rei). Devido ao alto teor de fibra e proteína e a elevada concentração de vitaminas (A, C, B, B2, B1, B7, B12, D), as propriedades terapêuticas e nutricionais são muito apreciadas no campo da medicina, já que possui capacidades antioxidantes, anti-inflamatórias sendo também conhecido pelos enormes benefícios cardiovasculares. Estamos a falar, contudo, de um cogumelo muito apreciado na cozinha devido à textura e ao sabor único», explica Raffaele Salomone. Atualmente a «Portugal Gourmet Food» produz quatro qualidades. Em breve, a empresa lançará uma loja on-line.

Como podem ser cozinhados?

Para Claudio Vignono, a melhor confeção do cogumelo do cardo é a simples: cortado aos cubos e frito com azeite e alho. E, por vezes, até os come crus. No entanto há muitas formas de cozinhá-lo: «é adequado para acompanhar todos os tipos de peixe, ensopados de carne, grelhados, recheios, entre outros». A imaginação é o limite.

Italianos agradecem ajuda portuguesa

Raffaele Salomone aproveitou a entrevista ao «barlavento» para agradecer a todos os que apoiaram o lançamento desta empresa. «Permita-me, um agradecimento especial ao chef Augusto Lima e à Associação Cozinheiros e Pasteleiros do Algarve que se disponibilizaram para testar e apreciar de forma impecável e profissional os nossos cogumelos do cardo. Como não podemos também, deixar de agradecer à Bento Rosado Correia, de Portimão, em particular à D. Felicidade pela sua ajuda e apoio em todas as questões fiscais críticas para o sucesso deste grande projeto. Obrigado a todos os colaboradores e engenheiros estruturais para o cultivo».

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