Em Monchique há duas novas variedades de Camélias por classificar

Monchique prepara-se para o 3º Festival das Camélias, que se realiza nos dias 18 e 19 de fevereiro, numa organização da Câmara Municipal de Monchique, que conta com o apoio da Associação Portuguesa das Camélias.
António Silva, um monchiquense apaixonado pelas camélias.

As camélias são a flor da paixão de António Silva. Nascido e criado em Monchique, há 71 anos,  passou a maior parte da sua vida entre a serra e Portimão, sendo um acérrimo defensor das tradições locais. Em termos profissionais, dedicou-se a gerir um estabelecimento da família. Durante os 30 anos em que esteve à frente de uma unidade hoteleira, apercebeu-se dos inúmeros estrangeiros que ali se hospedavam para estudar a riquíssima e variada flora, não apenas de Monchique, mas também de Aljezur e Vila do Bispo.

As camélias são a sua grande paixão, partilhada na íntegra pela esposa, Emérita. Ambos falam destas flores com uma reverência e um amor contagiantes. Conhecem todas as pequenas diferenças entre espécies, que um leigo dificilmente notaria. «As camélias existiram, desde sempre, nas casas senhoriais. Ainda lá encontramos algumas, centenárias.

Tal como os castanheiros, não gostam de calcário. Até a água tem de ser ácida. Por isso, no baixo Algarve, salvo raras exceções, não duram mais de três ou quatro anos», diz António Silva, que tem apenas 72 das 30 mil variedades mundiais. No ano passado, numa exposição em Sintra, apresentou duas variedades ainda não classificadas. «As novas espécies são fruto da polinização», explica, acrescentando que ainda não decidiu qual o nome que lhes irá dar.

As camélias apresentam grande beleza e uma diversidade, em formas e cores, que não deixam margem para a monotonia. Mesmo sem as flores, a cameleira brilha, graças à sua ramagem. Devido à persistência de António Silva e ao dinamismo do presidente da Câmara Municipal de Monchique Rui André, a «Rota das Camélias», já está implantada. Este ano, será complementada com uma exposição em sala, no fim de semana de 18 e 19 de fevereiro.

A Câmara Municipal de Monchique coloca autocarros à disposição de quem desejar fazer a rota, observando as camélias nos seus vários habitats concelhios, incluindo o jardim de António Silva, que será um dos guias do percurso. Os participantes poderão partilhar de todo o seu conhecimento. «Por vezes, as pessoas não reparam nos pormenores que algumas flores apresentam. Se lhes forem explicados, apreciam de maneira diferente», sublinha.

«Mas, este ano, as flores estão atrasadas cerca de 20 dias, devido à falta de chuva, pois requerem água. E são muito mais bonitas quando chove, do que em tempo seco. Das 72 variedades, só cerca de um terço estará em condições de exposição», admite, sem esconder uma ponta de tristeza por não poder oferecer aos visitantes tudo aquilo que gostaria. «O pico das camélias será na primeira quinzena de março.

A autarquia, contudo, já tinha outros eventos agendados para esse período e não foi possível adiar e marcar outra data». Mas o «barlavento» fez o reconhecimento do terreno, e é seguro afirmar que há muitas e belas camélias à espera de serem vistas, apreciadas e fotografadas, incluindo as duas espécies naturais de Monchique e ainda a aguardar registo oficial. Quem não se sentir com forças ou disposição para fazer o passeio, poderá apreciar a exposição das camélias em sala, uma novidade este ano. A ideia é tornar mais fácil a comparação entre as variedades, e observar as diferenças que passam pela forma, cor, formato das folhas.

«As pessoas têm mesmo de vir cá ver com os olhos», aconselha António Silva. As camélias têm um ciclo de vida curto e abundam no inverno. Mas como existem inúmeras variedades, é possível observá-las durante quase todo o ano. Quem o diz é António Silva que, no seu jardim, tem duas espécies que desabrocham no final de agosto e as últimas flores desaparecem em junho. Na senda da defesa das tradições de Monchique, este aficionado também convenceu a autarquia a promover as «chaminés de saia» numa rota temática, inaugurada no Dia Internacional dos Monumentos e Sítios, a 21 de abril de 2013.

O percurso segue a malha urbana da vila, e passa por locais onde é visível este património único em Portugal, bem como outros pontos de interesse. «É pena que não tenham sido recuperadas na sua forma original. Antigamente cada motivo era pintado de cor diferente, criando uma policromia muito engraçada», refere. «A saia era construída de modo a que o vento forte da serra não empurrasse o fumo de novo para dentro das cozinhas. É uma proteção lateral a toda a volta, que obriga o fumo a sair na vertical», mesmo nas noites e dias mais agrestes.

António Silva tem ainda outra ideia que gostaria de ver realizada. E para isso, lança um desafio ao autarca: «porque não um concurso de pintura das chaminés de saia, destinado a jovens artistas e pintores de graffiti locais ou algarvios, para as tornar um chamariz turístico, durante todo o ano?» O encanto das flores não se esgota nas camélias. «Temos as adelfeiras, que possuem uma flor muito bonita e se encontram na Picota e, principalmente, na Foia. Já me disseram que, em tal quantidade, só se há nos Himalaias. E temos ainda a rosa albardeira, que floresce no final de abril, e na primeira quinzena de maio». Quem sabe, novas rotas a promover, em Monchique?

Para mais informações, veja aqui o programa completo do 3º Festival das Camélias de Monchique.

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